Um comerciante de 41 anos cobra justiça após uma discussão com um tenente da Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) terminar com um disparo de arma de fogo dentro de uma loja de informática no bairro Lourdes, na região Centro-Sul de Belo Horizonte. O militar, de 46 anos, foi preso em flagrante e, segundo o lojista, teria tentado matá-lo durante o confronto.
O caso aconteceu na tarde de terça-feira (27), quando o policial, que estava de folga e é lotado no 18º Batalhão, em Contagem, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, foi até o estabelecimento, localizado na Rua Curitiba. Ele alegava que um notebook anunciado para venda pela loja era de sua propriedade e havia sido roubado.
A discussão começou após o militar questionar a procedência do equipamento. Segundo o gerente da loja, Leonardo Lisboa, o policial teria feito ameaças, agredido o comerciante e disparado em sua direção. A ocorrência levou mais de um dia para ser encerrada na delegacia.
Na noite de quarta-feira (28), pouco depois de deixar a delegacia, Leonardo conversou com a reportagem e relatou o que aconteceu.
“Acabei de sair da delegacia. Fiquei um dia e meio lá, sem dormir e comer direito, tudo por causa de uma atitude de delinquente, não de um profissional. Sou filho de um policial, não é essa cultura”, afirmou.
Comerciante relata agressões e disparo
De acordo com Leonardo, o tenente chegou ao estabelecimento alterado, ameaçando fechar a loja, prender as pessoas que estavam no local e agredir funcionários.
O comerciante afirmou que se apresentou como gerente e tentou acalmar o militar, mas a discussão evoluiu para ofensas e agressões físicas.
“Me apresentei, pedi calma, pedi educação. Aí trocou palavras de baixo calão. Falei que ia mostrar tudo para ele, que lá não tinha nada de irregular. Foi aí que ele me desferiu um tapão no rosto e começou a agressão física”, relatou.
Leonardo disse que também reagiu durante a confusão. Segundo ele, após a troca de agressões, o policial passou a provocá-lo para uma briga. O comerciante afirma que pegou uma garrafa de água e a arremessou contra o militar.
“Eu estava meio exaltado, peguei uma garrafa de água, dei a volta por trás da loja e taquei nele. Só que, quando passo por trás da loja, ele já saca a arma”, contou.
O gerente afirma que o tenente apontou a arma em sua direção e disparou. Segundo Leonardo, o projétil passou a poucos centímetros de sua barriga e atingiu o chão.
O comerciante contesta a possibilidade de o disparo ter sido apenas uma tentativa de intimidação e afirma que o militar pretendia matá-lo. A dinâmica do ocorrido e as circunstâncias do disparo deverão ser apuradas pelas autoridades.
Comerciante diz que loja teve prejuízos
Além das consequências físicas e emocionais, Leonardo afirma que a confusão provocou danos materiais e prejuízos ao funcionamento do estabelecimento.
Segundo ele, equipamentos foram danificados, um computador foi quebrado e uma corrente de ouro foi arrebentada durante o confronto. O comerciante também relatou que a loja perdeu um dia de trabalho e que uma funcionária pediu demissão após o episódio.
“Foi aterrorizante. Meus advogados estão em cima, tanto na Justiça Militar, na Corregedoria quanto na Justiça comum. Tudo isso a gente vai colocar no processo”, afirmou.
“Que esse indivíduo não faça parte da corporação da Polícia Militar, porque ele não é exemplo para ninguém”, declarou.
PM e defesa foram procuradas
A reportagem tentou contato com a defesa do tenente suspeito de agredir e atirar contra o comerciante, mas não obteve retorno até a publicação desta matéria.
A Polícia Militar também foi procurada para se manifestar sobre o caso. O espaço segue aberto para posicionamentos da corporação e da defesa do militar.

