São Paulo — O Ministério Público de São Paulo ( MPSP ), o 1° e o 10° Batalhão de Ações Especiais ( Baep ), além da Polícia Civil, deflagraram, nas primeiras horas desta sexta-feira (6/11), a Operação Shylock, para desarticular um grupo de agiotas que emprestava dinheiro, a juros altíssimos, sob condição de entrega de imóveis aos criminosos.

Há, pelo menos, 62 vítimas, das quais, 18 perderam suas propriedades. Entre os crimes cometidos pelos suspeitos estão usura, extorsão, lavagem de dinheiro, organização criminosa e falsidade ideológica .

Segundo as investigações, os alvos usavam empresas de fachada para movimentações financeiras suspeitas e transferências patrimoniais destinadas à dissimulação dos recursos obtidos com as atividades ilícitas.

A Justiça decretou 11 mandados de prisão preventiva e outras 24 ordens judiciais de busca e apreensão foram expedidas em endereços residenciais e empresariais em Campinas, interior paulista . Há também bloqueio de bens e valores, sequestro de imóveis e afastamento cautelar de função pública.

Os mandados são cumpridos nos bairros Cambuí, Jardim Chapadão, Parque Prado, Nova Campinas, Nova Europa, Taquaral, Vila dos Plátanos, Vila Lemos e Vila São Bernardo.

Entre os presos está um escrevente de cartório de notas de Campinas.

Promotores do Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado de São Paulo (Gaeco), órgão vinculado ao MPSP, identificaram cerca de 50 operações realizadas pelo grupo que agia de forma estruturada com divisão de tarefas. Cada integrante, segundo o MPSP, tinha uma função, entre captação de vítimas, negociação de empréstimos, formalização contratual, administração financeira, cobrança e ocultação dos valores obtidos ilicitamente.

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Ainda conforme o MPSP, a operação tem como objetivo interromper as atividades do grupo investigado, além de aprofundar e preservar na identificação dos fluxos financeiros dos beneficiários finais das transações suspeitas, e garantir a recuperação de ativos obtidos ilicitamente.

“As medidas cautelares também visam proteger vítimas que ainda possam estar submetidas ao esquema criminoso e impedir a dissipação do patrimônio supostamente adquirido com recursos provenientes das infrações penais apuradas”, pontuou o órgão.

O caso está em andamento.