Depois de uma semana marcada por calor intenso, temporais e transtornos em Belo Horizonte, os moradores da capital mineira devem enfrentar uma mudança significativa no tempo.
A chegada de uma massa de ar polar vai provocar queda acentuada das temperaturas, a partir desta segunda-feira (9/11), com previsão de chuva fraca e persistente.
O cenário deve continuar ao longo da semana, sem o calorão que antecedeu as fortes tempestades dos últimos dias.
Segundo o meteorologista Ruibran dos Reis, da Climatempo, uma frente fria que passou pela região metropolitana abriu caminho para a chegada da massa de ar polar.
A previsão é de temperaturas máximas entre 19°C e 20°C na segunda-feira, com possibilidade de chuva a qualquer hora do dia.
"Não devemos esperar calor, não.
Vamos esperar frio e chuva durante a semana, mas chuva com fraca intensidade", explica o especialista.
A previsão da Defesa Civil de Belo Horizonte também indica céu encoberto e chuva a qualquer momento na segunda-feira.
Os termômetros devem variar entre 16°C e 21°C, com umidade relativa do ar mínima de 80%.
O órgão chama a atenção para o declínio acentuado da temperatura e a possibilidade de rajadas de vento.
Na terça-feira, o frio deve continuar, com mínima de 14°C e máxima de 21°C.
A previsão é de céu encoberto e chuva ao longo do dia.
A partir de quarta-feira, segundo Ruibran, as temperaturas começam a apresentar uma pequena elevação, mas as máximas não devem ultrapassar os 22°C.
Ainda segundo o meteorologista, uma nova frente fria poderá influenciar o tempo a partir da noite de quinta-feira , aumentando novamente as condições para pancadas de chuva na sexta-feira.
Temporais provocaram estragos
A mudança no tempo ocorre após dias de temperaturas elevadas e tempestades que provocaram alagamentos, inundações e danos em diferentes regiões de Belo Horizonte.
Na estação meteorológica da Pampulha, os termômetros chegaram a 33,7°C na quinta-feira (4/11) e a 33°C no sábado (7/11).
Nesses dias, a capital registrou os temporais mais fortes da semana.
Entre as 16h40 de sábado e as 8h25 deste domingo, a Defesa Civil recebeu 14 chamados relacionados a riscos e danos provocados pela chuva.
Foram seis ocorrências de destelhamento por vendaval, dois registros de muros danificados, dois desabamentos de muros, um desabamento parcial de muro, um desabamento parcial de edificação, um deslizamento de encosta e uma ocorrência de alagamento, enchente ou inundação.
As regionais Nordeste, Norte e Pampulha estiveram entre as mais afetadas.
Nas 12 horas anteriores às 5h30 de domingo, os maiores acumulados de chuva foram registrados na Pampulha (43,8 mm), Noroeste (43,2 mm) e Venda Nova (40 mm).
Nos primeiros oito dias de novembro, a regional Nordeste já havia acumulado 156,8 mm de chuva, o equivalente a 66,4% da média climatológica de todo o mês, de 236 mm.
Em Venda Nova, o volume chegou a 143,4 mm, enquanto a Noroeste registrou 142,4 mm.
Urbanização agrava impactos das chuvas
Para Ruibran dos Reis, a intensidade dos temporais, associada à impermeabilização do solo, ajuda a explicar os transtornos registrados na capital. “Chuvas aqui de 40 a 50 mm, devido à urbanização, já causam inundações”, afirma o meteorologista.
Segundo ele, volumes que antes não provocavam grandes transtornos agora são suficientes para causar alagamentos em diferentes pontos da cidade.
O especialista observa que o crescimento das áreas construídas e a redução dos espaços de infiltração da água aumentam a vulnerabilidade da cidade.
Ele defende medidas de longo prazo, como a ampliação de áreas verdes e a criação de mecanismos de retenção e reaproveitamento da água da chuva nos imóveis.
Apesar dos transtornos recentes, a expectativa para os próximos dias é de precipitações menos intensas, acompanhadas de temperaturas mais baixas.
A Defesa Civil recomenda que a população continue atenta a sinais de instabilidade em encostas, muros e edificações.
Em situações de risco, o órgão pode ser acionado pelo telefone 199.

