Moradores do Morro das Pedras, na Região Oeste de Belo Horizonte, denunciam que o local está sem energia elétrica desde domingo (25), quando chuvas intensas atingiram Minas Gerais e deixaram mais de 600 mil pessoas sem luz no estado. Nos últimos dias, o fornecimento foi restabelecido para 97% dos clientes, mas 2,7 mil imóveis continuam sem luz apenas em Belo Horizonte . Em todo o estado, são mais de 19 mil que ainda não tiveram o retorno da energia elétrica.
Em entrevista à Itatiaia, o comerciante e pastor Antônio Cândido afirmou que uma equipe da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) foi ao local nesta terça-feira (27), mas a companhia ainda não resolveu a situação. “Estamos entrando no terceiro dia sem luz após a tempestade de domingo e nós temos aqui idosos que precisam de bomba, inclusive minha mãe usa bomba. Eu tive que alugar um gerador para ela ter esse acesso. A comunidade, nós temos vários velhos que fazem uso de bomba e até agora nós estamos sem luz”, disse.
O comerciante também anunciou uma manifestação na Avenida Raja Gabaglia para questionar a situação. “Estou chamando o movimento, mais de 100 pessoas aqui, nós iremos fazer uma corrente humana hoje às 17:30 ali”, disse.
Já a técnica de enfermagem e enfermeira Ana Aparecida, de 49 anos, contou que já teve que ir em uma farmácia para carregar o celular. Ainda segundo a mulher, os pais dela, que tem 84 anos, usam remédio controlado.
“Tem também mais idosos, têm a vizinha, a mãe do Antônio, a dona Maria também que tem problema de saúde, que tá em casa, dona Marta faz uso de cuidado paliativo, tem mais pessoas. A gente tá sofrendo sabe, já tem três dias e ninguém faz nada, em outros bairros já chegou a luz, a gente fez várias ligações e a CEMIG tá alegando que ninguém ligou”, disse.
A dona Dilma Pereira de Oliveira Santos disse que perdeu comidas que estavam na geladeira diante da falta de luz. “O único feijão que eu tinha e eu pus na geladeira azedou. Será possível que tem um pessoal que necessita mais que os outros? Não. Se o rico tem dinheiro para pagar a conta lá, eles pagam na hora. Agora o pobre na hora recebe a mixaria, vai lá, passa fome e paga a conta de luz. Mas na hora de arrumar não aparece ninguém da CEMIG para poder arrumar”, disse.
Evento climático extremo
De acordo com a companhia, a tempestade foi um "evento climático extremo". Na ocasião, as rajadas de vento chegaram a 90 km/h na capital mineira. Ao todo, 221 mil imóveis ficaram sem luz durante o pico das chuvas intensas. Em todo o estado, foram mais de 600 mil imóveis sem luz. O temporal provocou pelo menos 135 quedas de árvores sobre a via pública.
"A nossa prioridade nesse momento é segurança com a população, atendimento a órgãos com cuidados à vida e, na sequência, a gente tenta eliminar o risco. O nosso trabalho ontem à tarde, à noite, madrugada foi um trabalho que foi mais eficiente. Hoje durante o dia, nós temos um grande trabalho com a prefeitura, com a defesa civil, com o corpo de bombeiros, que é retirar as árvores que estão sobre a rede", disse Ernando Braga, vice-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).
A Cemig esclareceu que a chuva e os ventos foram mais fortes do que o esperado pelas previsões meteorológicas da companhia. "Aqui ontem nós tivemos um evento climático severo, algo histórico na companhia. Os impactos para o sistema elétrico foram grandes. Ontem, às 13:30, nós tivemos um pico aí de 640 mil clientes interrompidos. Imediatamente, colocamos todo o nosso contingente, atendendo os pedidos de falta de energia", disse.
Ainda segundo a empresa, o retorno da energia elétrica para todos os imóveis depende do trabalho da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) de retirar as árvores de cima da rede. A Cemig também comparou o evento climático deste domingo (26) com outros já registrados no estado.
"Esse evento severo veio trazendo o impacto do sul do estado, veio pro Triângulo, Oeste, Mantiqueira e, no final da tarde, ele trouxe o maior impacto pra região metropolitana. Ou seja, o estado como um todo foi afetado. Em tempos anteriores, a gente tinha os eventos climáticos muito pontuais, região metropolitana, alguma parte do estado. Esse não, ele trouxe um impacto em grande parte do nosso estado de Minas Gerais", afirmou.
Na segunda-feira (26), moradores de Belo Horizonte já haviam denunciado a demora no atendimento após queda de árvores sobre carros e fiação. Na Rua Emídio Beruto, no bairro Cinquentenário, na Zona Oeste de Belo Horizonte, por exemplo, uma árvore caiu em cima de um veículo, modelo Novo Nissan Kicks. Segundo a moradora Sandra Moreira Sales Maranhão, 24h depois do incidente, ninguém esteve no local para avaliar a situação. Ela também informou que o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas informaram que só iriam ao local acompanhados da Cemig.
Veja nota completa da Cemig
A Cemig informa que, no fim da tarde desta terça-feira (27/10), já restabeleceu o fornecimento de energia para 620.496 dos 640 mil clientes impactados pelas fortes tempestades que atingiram Minas Gerais desde domingo (25). O número representa a normalização do serviço para 97% dos consumidores afetados pelo evento climático de maior impacto na história da companhia. Neste momento, 19.504 clientes permanecem sem energia no estado. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o número de consumidores interrompidos caiu de 380 mil para 7.980, uma redução superior a 98%. Já na capital mineira, o total passou de 220 mil para 2.702, o que representa o restabelecimento do fornecimento para mais de 99% dos clientes afetados.
A dimensão histórica das tempestades pode ser observada pelos números registrados pelo Centro de Meteorologia da Cemig. Foram mais de 60 mil descargas atmosféricas, volume seis vezes superior ao esperado para uma tempestade habitual, além de rajadas de vento que chegaram a 150 km/h em Patos de Minas, 105 km/h em Lavras e quase 90 km/h em Belo Horizonte. A combinação de raios, ventos intensos e quedas de árvores provocou danos significativos à infraestrutura elétrica em diversas regiões de Minas Gerais, com rompimento de cabos, queda de postes e necessidade de reconstrução de trechos da rede.
Desde o início das ocorrências, a Cemig mantém uma das maiores mobilizações operacionais de sua história, com cerca de 4.600 profissionais, entre eletricistas, engenheiros e equipes técnicas, trabalhando de forma ininterrupta para restabelecer o fornecimento. Os serviços incluem substituição de equipamentos danificados, reconstrução de estruturas, retirada de árvores e galhos sobre a fiação e realização de manobras operativas para reduzir o número de consumidores sem energia.
A Cemig reforça que mantém todos os esforços para normalizar o fornecimento aos clientes ainda afetados. A companhia destaca que, após o restabelecimento dos grandes blocos de consumidores, as equipes seguem concentradas em ocorrências mais pontuais e em locais onde os danos à rede elétrica exigem intervenções de maior complexidade. Os trabalhos continuarão de forma ininterrupta, com prioridade para a segurança das equipes e da população e a recuperação do fornecimento com a maior agilidade possível.

