Se estivesse vivo, Antônio Carlos Belchior completaria 80 anos neste 26 de outubro. Nascido em Sobral, no Ceará, em 1946, o poeta, cantor e compositor deixou um legado definitivo no cancioneiro popular brasileiro. Sua obra, marcada por letras densas, existenciais e afiadas contra as injustiças sociais, permanece tão atual quanto no período de sua estreia.

Belchior trocou a faculdade de Medicina pela música no final dos anos 1960 e integrou o movimento cultural conhecido como Pessoal do Ceará, ao lado de nomes como Fagner e Ednardo. A projeção nacional veio em 1976, com o lançamento do álbum 'Alucinação'. O disco reúne clássicos imortais como:

• 'Apenas um Rapaz Latino-Americano'

• 'Como Nossos Pais' (consagrada na voz de Elis Regina)

• 'Velha Roupa Colorida'

Sua estética combinava folk rock, blues e ritmos nordestinos a uma poesia de viés filosófico e urbano, traduzindo as inquietações da juventude sufocada pela ditadura militar.

Nos anos 2000, após décadas de intensa produção musical e shows, o artista tomou uma atitude que intrigou o país: retirou-se da vida pública. Belchior abriu mão da fama e viveu anos em um "autoexílio" voluntário pelo interior do Brasil e do Uruguai, longe dos refletores e da imprensa.

O mistério sobre seu paradeiro só alimentou o fascínio em torno de sua figura, transformando-o em um ícone pop e atemporal para novas gerações. Belchior faleceu em 30 de abril de 2017, aos 70 anos, em Santa Cruz do Sul (RS).