Belo Horizonte — A ponte ferroviária histórica que desapareceu de Prados, no Campo das Vertentes, em junho deste ano , deverá ser devolvida ao município de origem. A Justiça homologou um acordo firmado pelo Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) que determina a reinstalação da estrutura do século XIX e prevê o pagamento de R$ 400 mil em compensações por danos culturais e ambientais.
A ponte metálica, de aproximadamente 20 metros de extensão e 5 metros de largura, foi construída na Inglaterra e enviada ao Brasil na década de 1880. A estrutura integrava o antigo trecho da Estrada de Ferro Oeste de Minas, entre Prados e Barroso, e foi encontrada em um empreendimento turístico em Lima Duarte, na Zona da Mata mineira.
Na época, o Ibiti Projeto, responsável pelo empreendimento, afirmou que havia adquirido a ponte de forma regular, por meio de um comerciante de antiguidades, com emissão de nota fiscal. A estrutura teria sido comprada por R$ 700 mil.
Segundo as investigações do MPMG, a ponte foi vendida inicialmente por um produtor rural a um intermediário, que a revendeu à empresa Ibitipoca Reserva Ambiental S/A. Durante a retirada e o transporte, também foram identificadas intervenções ambientais em uma área de preservação permanente.
Devolução e compensações
O Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), homologado em 22 de outubro pela Vara Única da Comarca de Prados, estabelece que a ponte deverá ser reinstalada no local original, com acompanhamento técnico especializado e as autorizações necessárias.
A empresa Ibitipoca Reserva Ambiental também se comprometeu a destinar R$ 300 mil a projetos de proteção e valorização do patrimônio cultural e turístico de Prados, além de R$ 100 mil para iniciativas ambientais no município.
O acordo prevê ainda a recuperação da área degradada e o monitoramento da regeneração da vegetação por 36 meses.
A Prefeitura de Prados terá 90 dias para elaborar um projeto de proteção e implantação de uma trilha turística no antigo trecho ferroviário entre Prados e Barroso, com participação da comunidade.
Para o promotor de Justiça Antônio Pedro da Silva Melo, o acordo representa um avanço na preservação do patrimônio ferroviário mineiro e garante medidas de reparação pelos danos identificados durante as investigações.

