Belo Horizonte — Protagonistas da campanha de segundo turno, os canais de WhatsApp comandados pelos deputados mineiros André Janones (Rede) e Nikolas Ferreira (PL) tomaram rumos diferentes depois da vitória de Lula (PT) sobre Flávio Bolsonaro (PL).
Enquanto Janones tenta manter e ampliar o “Exército do Lula” e chegar a 11 milhões de inscritos, a “Tropa do Flávio” não recebe novas publicações desde domingo (25/10) e não repercutiu a derrota de Flávio nem foi palco de convocações para manter a mobilização.
O canal administrado por Janones tem até a tarde desta quarta-feira (28/10) cerca de 10,5 milhões de seguidores. Em mensagem enviada nesta quarta-feira (28/10), o deputado contestou afirmações de adversários de que o grupo estaria “derretendo” depois da eleição e convocou os integrantes a trazer novos participantes.
“Só para calar a boca deles, vamos tentar trazer mais uma pessoa e voltar para 10,8 ou, quem sabe, até 11 milhões”, afirmou Janones. Segundo o parlamentar, ele previa que o canal perderia 1 milhão de inscritos nas primeiras 48 horas depois da votação, mas a queda teria sido de cerca de 200 mil.
O deputado lulista atribuiu as saídas a “infiltrados” que teriam entrado no grupo apenas para acompanhar a estratégia lulista.
A movimentação mostra que Janones pretende manter a estrutura criada durante a campanha. O canal superou 10 milhões de seguidores na sexta-feira (23/10), dois dias antes do segundo turno, depois de crescer rapidamente com as chamadas “missões” — orientações para compartilhar conteúdos, ampliar buscas e impulsionar publicações favoráveis a Lula.
Integrantes do governo avaliam que é positivo manter a mobilização ativa durante o novo mandato, inclusive como instrumento de apoio diante de um Congresso mais de direita.
Tropa parada
No campo da oposição, a “Tropa do Flávio” parou perto de 2 milhões de seguidores e não foi atualizada desde antes da divulgação do resultado. A última publicação é um vídeo de Nikolas reclamando da decisão que prorrogou a votação em seções que ainda estavam abertas.
Até agora, o deputado do PL não informou se o canal será mantido, reformulado ou encerrado.
A Tropa foi criada depois do primeiro turno e teve Nikolas como um de seus principais administradores. Além de distribuir materiais da campanha de Flávio Bolsonaro (PL), o canal convocava seguidores para ações coordenadas nas redes. Às vésperas da votação, reunia cerca de 2,1 milhões de pessoas — aproximadamente um quinto do público alcançado pelo Exército do Lula. Desde então, perdeu cerca de 100 mil inscritos.
Os dois grupos também protagonizaram disputas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O Exército do Lula chegou a ser suspenso e voltou ao ar depois de ser registrado pela campanha petista. Já a Tropa do Flávio foi obrigada a remover um áudio falso que acusava mesários de votar no lugar de eleitores ausentes.

