Velejador também contou ao Omelete sobre o atribulado processo de produção do filme
Créditos da imagem: Amyr Klink em 1984, e Filipe Bragança no filme 100 Dias (Reprodução)
Amyr Klink fez de tudo para não dar palpites durante a produção de 100 Dias , filme de Carlos Saldanha ( A Era do Gelo ) adaptado do seu livro de não-ficção, onde o velejador conta sobre sua história travessia do Atlântico Sul a remo, em 1984.
Em entrevista ao Omelete durante a passagem da equipe do filme pelo Festival do Rio 2026 , Klink ainda contou sobre a luta de quase três décadas para transformar 100 Dias em filme, passando pelas mãos de vários produtores, roteiristas e diretores.
Omelete Recomenda
Confira o trecho do papo a seguir!
• 100 Dias | Filipe Bragança teve sonho “premonitório” antes de conseguir o papel
OMELETE: O que eu acho mais bacana do 100 Dias é que todo mundo conhece seu feito, sua travessia, mas ninguém estava lá com você – e agora a gente pode ir junto. Como foi para você assistir, rever esses momentos que eram só seus, e agora estão na tela?
KLINK: Foi divertido de um lado e emocionante do outro. Não porque a história foi muito bonita e terminou de modo poético, mas porque virou quase uma odisseia para mim e para a minha mulher. Quando eu namorava a Marina [ Bandeira Klink ], ela leu 100 Dias , o livro, e ficou apaixonada pelo texto – depois a gente casou, e ela sempre falou: " Amyr, esse livro tem que virar um filme ". Tudo que podia dar errado na minha viagem deu, tive milhares de problemas burocráticos, e com o filme foi a mesma coisa. Era para ter saído com a Conspiração [ Filmes ], a Marina conhecia o pessoal todo de lá. O Breno [ Silveira ], que fez 2 Filhos de Francisco , se apaixonou pela história, contratou uma roteirista que trabalhou cinco anos nela, mas no final os produtores não gostaram. Aí contrataram dois caras de São Paulo para fazer outro roteiro, e os dois caras brigaram. Depois contrataram a filha do Ricardo Kotscho [ Carolina Kotscho ], o jornalista, mas também não gostaram do texto dela. Depois morreu a mulher do Breno, e ele entrou em depressão. Depois ele arrumou uma namorada nova, e um dia me ligou e falou: " Amyr, agora vai sair o filme, porque a minha namorada vai fazer o roteiro ". Minha resposta foi: " Breno, eu adoro seus filmes, mas isso não está mais profissional, não pode começar a entrar cunhada, marido, namorada, fica um negócio meio nepotista. Espera eu morrer para fazer esse filme ”. De repente entrou uma produtora nova, chamada Bossa Nova , achei que ia decolar a história, mas a empresa fechou, faliu. Quem sobrou depois de tudo isso foi a Paula Cosenza [ produtora ], que ficou amiga da minha mulher, e foi aí que a Paula foi atrás do Saldanha.
• Odisseia brasileira: Carlos Saldanha e Amyr Klink contam bastidores de 100 Dias
OMELETE: Eu sei o quão particular você é sobre os seus barcos, como eles são construídos, já vi você falar dos temperamentos de cada um deles. Você chegou a ver, interagir com o barco que eles construíram para o filme? Como ele se compara com o real?
KLINK: Os noruegueses dizem que tem os barcos tristes, em que tudo dá errado, e tem os barcos felizes. Eu tive o privilégio, na vida, de só ter barcos felizes. De passar por inúmeras dificuldades que indicavam que nada ia funcionar, mas mesmo assim dar tudo certo. Mesmo se você fizer dois barcos iguais em material, em projeto, eles nunca serão iguais, porque cada um tem uma alma diferente. Outro dia a gente fez um pequeno vídeo falando sobre um barco icônico do Brasil, que é o saveiro baiano, e a alma do saveiro baiano é uma tabuinha de madeira que parece uma tábua de cortar queijo, com um monte de linhas e curvas. Os próprios construtores de saveiros e barcos do Maranhão, do Ceará, de Pitimbu, falam isso - que cada barco tem a sua alma própria. A história toda dessa adaptação de 100 Dias demorou mais de trinta anos, mas eu acho que no final foi feliz. E a gente tinha a sorte de ter um barco de verdade no set. Então, quando eu olho agora o making of , eu acho que o Filipe Bragança sofreu muito mais no Atlântico do que eu.
OMELETE: Se 100 Dias fosse um barco, então, como você o descreveria?
KLINK: Ah, um barco muito feliz. Feliz ainda porque eu fiz uma espécie de concessão poética para o Carlos, falei: " É meu livro, é seu filme. Não vou dar palpite, não vou falar: 'Olha, não foi assim que eu falei, não era dessa cor a bandeira' " [ Risos ]. Ele foi de um rigor impressionante, que me deixou feliz em todos os sentidos. O cuidado dele, a pesquisa das produtoras parceiras, o cuidado da produção são impressionantes. Tem detalhes que eu já tinha esquecido e estão no filme.
*100 Dias estreia nos cinemas brasileiros em 29 de outubro .
Webstories
Comentários ( 0 )
Os comentários são moderados e caso viole nossos Termos e Condições de uso, o comentário será excluído. A persistência na violação acarretará em um banimento da sua conta.
Faça login para comentar e avaliar
Escrever comentário
Editar comentário
Excluir comentário
Confirmar a exclusão do comentário?

/extras/conteudos/100_dias_lmHn8M3.jpg)