Belo Horizonte – A Polícia Civil indiciou por feminicídio, ocultação de cadáver, fraude processual e corrupção de menores o casal suspeito de matar Beatriz Vitória Aparecida Neves Mota, de 27 anos, em Jaboticatubas, na Grande BH. Os investigados são Samuel Castro Melo, de 18 anos, e a atual namorada dele, Carla Luíza da Silva, de 23. A informação foi confirmada nesta sexta-feira (6/11) pelo advogado da família da vítima, Marcus Torres.
O corpo foi encontrado enterrado em uma cova rasa na zona rural da cidade em 21 de outubro , quase duas semanas após o desaparecimento ao entrar em um carro.
De acordo com a defesa, Carla Luíza também deve responder por furto qualificado. “O inquérito foi distribuído à Justiça, mas ainda não fomos habilitados nos autos e não temos acesso integral ao seu conteúdo. Assim, as informações que temos neste momento são as repassadas pela imprensa e polícia; a análise dos detalhes depende do acesso completo aos autos que estão em segredo de justiça”, informou o advogado.
Por sua vez, a Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) , apenas confirmou que o inquérito policial foi concluído nessa quinta-feira (5/11) e encaminhado à Justiça, sem dar mais detalhes.
A reportagem tenta contato com os advogados de Samuel e Carla. O espaço está aberto caso queiram se manifestar.
O que se sabe
Em coletiva de imprensa em 22 de outubro, a polícia apresentou detalhes da investigação, que também envolve uma adolescente de 15 anos, quem levou a polícia até o local.
A principal linha de investigação aponta para uma desavença entre Beatriz e Carla, atual namorada de Samuel. Para a polícia, ciúmes ou inconformidade com o relacionamento anterior podem ter motivado o crime .
Mensagens encontradas nos celulares dos dois adultos indicam que eles planejavam fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte de Beatriz.
De acordo com a polícia, a existência de uma cova preparada antes da execução indica que o crime foi premeditado .
Carla reservou-se o direito de permanecer em silêncio durante o depoimento. Samuel, por sua vez, admitiu que estava no carro que buscou Beatriz, mas atribuiu à adolescente , de 15 anos, que levou a polícia até ocorpo, a responsabilidade pelo planejamento e pela execução do crime.
A PC contesta essa versão e afirma que os elementos reunidos até agora indicam possível participação dos três.
A possibilidade de que Beatriz estava grávida foi levantada por familiares da vítima. O irmão dela, Maxwell Mota, contou que a suspeita surgiu a partir de informações compartilhadas pela irmã mais nova e que a mãe e a irmã mais velha também desconfiavam:
“Não dá para afirmar se ela estava grávida. A mãe também suspeitava, e a irmã mais velha também suspeitava, mas a gente não tem como confirmar”, disse Maxwell, nessa quinta (22/10), à imprensa.
O delegado Alexandre Fonseca afirmou que os exames do Instituto Médico Legal (IML) poderão esclarecer a questão. “Com relação à gravidez, o IML tem condições de também dar essa resposta. Nós estamos aguardando”, declarou.
Relembre o caso
9 de outubro: Beatriz desaparece após sair de bar
Beatriz estava em um bar com amigos, em Jaboticatubas, quando um veículo parou nas proximidades. Segundo o boletim de ocorrência, ela se aproximou para conversar com os ocupantes e avisou aos amigos que retornaria em cinco a dez minutos.
A jovem, porém, não voltou. A mãe tentou entrar em contato por ligações e mensagens, sem sucesso, e registrou o desaparecimento.
12 de outubro: Polícia começa a investigar o sumiço
A Polícia Civil passou a investigar o desaparecimento e divulgou informações sobre o caso. Na ocasião, a principal referência para a apuração era o fato de Beatriz ter sido vista pela última vez ao se aproximar de um carro enquanto estava com amigos.
21 de outubro: Corpo é encontrado em área rural
Após quase duas semanas de buscas, investigadores localizaram um corpo enterrado em uma área rural de Jaboticatubas . Inicialmente, havia suspeita de que fosse Beatriz.
Uma perita identificou uma tatuagem na perna da vítima. A fotografia da marca foi enviada ao irmão da jovem, que confirmou a identidade. A Polícia Civil anunciou oficialmente que o corpo era de Beatriz.
No mesmo dia, Samuel e Carla foram presos suspeitos de envolvimento no crime. Os celulares dos dois foram apreendidos para análise.
22 de outubro: Polícia aponta ciúmes e detalha investigação
Em entrevista coletiva, o delegado Alexandre Fonseca afirmou que a principal linha de investigação é a de feminicídio motivado por ciúmes ou desavença entre Beatriz e a atual namorada do ex-companheiro.
A polícia informou que a vítima estava com as mãos amarradas para trás e que o corpo foi ocultado após o assassinato. A existência de uma cova preparada previamente também levou os investigadores a apontar indícios de premeditação.
A participação da adolescente de 15 anos passou a ser detalhada publicamente. Embora ela seja tratada como testemunha neste momento, a apreensão do celular indica que sua versão ainda será investigada.
Também foram divulgadas mensagens que apontam que o casal planejava fazer uma tatuagem conjunta em referência à morte da jovem.

