Ministro de Lula diz que novo governo Lula exigirá maior compromisso de partidos do Centrão

Crédito: Levy Teles

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BRASÍLIA - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) deve se aproximar dos diretórios do MDB que o apoiaram no segundo turno da disputa presidencial, vencida por ele no domingo, 25. Com isso, os integrantes do Norte e Nordeste devem ser privilegiados no início deste quarto mandato.

Segundo apurou o Estadão/Broadcast , o ex-ministro dos Transportes e senador Renan Filho (MDB-AL) e o ex-governador do Pará e senador eleito Helder Barbalho devem ser os principais interlocutores do partido com Lula.

Durante a campanha eleitoral, apoiaram Lula na campanha à reeleição os diretórios do Amazonas, Alagoas, Bahia, Ceará, Maranhão, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraíba e Rondônia.

Por outro lado, Lula deve ficar distante do MDB do Sul e Sudeste após os gestos dados pelo prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes , e do presidente nacional do partido, Baleia Rossi , na campanha. Encabeçados pelos dois, 17 diretórios do partido decidiram endossar a candidatura do senador e candidato derrotado Flávio Bolsonaro (PL).

Além do apoio a Flávio, fontes ouvidas pelo Estadão/Broadcast , dizem que a aproximação com essa parte do MDB fica difícil com a declaração dada por Nunes durante a eleição, criticando a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin , que prorrogou em duas horas as votações em urnas que não estavam fechadas .

A decisão de Zanin foi feita restando poucos minutos para o encerramento do sufrágio em todo o País, atendendo a pedido da campanha de Lula. Campanha de Flávio também pediu prorrogação.

Nunes disse que a virada histórica de Lula era “difícil de entender” tendo em vista as pesquisas que davam vantagem numérica, mesmo com empate na margem de erro para Flávio. O prefeito de São Paulo fez um discurso mais radical do que outros integrantes do Centrão e disse que Zanin “mudou a regra do jogo”.

O MDB foi um dos principais partidos aliados de Lula neste terceiro mandato, contribuindo para votações importantes do governo, sobretudo na área econômica.

O partido começou o governo Lula com três ministérios: Planejamento e Orçamento, Cidades e Transportes. A primeira parte foi perdida quando a ex-ministra, Simone Tebet , migrou para o PSB. Cidades eram comandadas pelo agora deputado federal Jader Filho e Transportes era chefiada por Renan Filho.

Na pré-campanha, chegou a ser ventilada uma união entre PT e MDB para a disputa presidencial, com um emedebista compondo a chapa de Lula, repetindo a união com Dilma Rousseff , que terminou com o impeachment da presidente e o governo de Michel Temer . Um nome ventilado era o de Helder Barbalho.

Como apurou o Estadão/Broadcast , a discussão para a vaga do MDB na chapa de Lula não chegou a ser discutida concretamente com o presidente, que, antecipadamente, confirmou Geraldo Alckmin (PSB) novamente como vice.

Com isso, os emedebistas optaram pela neutralidade no primeiro turno e, posteriormente, o partido se rachou com a confirmação de Flávio e Lula no segundo turno.

Governo Lula procura PSD

Lula também busca atrair o PSD neste quarto mandato presidencial e privilegiar as indicações feitas pelas cúpulas partidárias, e não por grupos de cada legenda no Congresso.

O PSD é considerado essencial para a governabilidade pela forma em que foi deixado de lado pelo bolsonarismo, em especial em São Paulo. O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), articulou para que seu vice, Felício Ramuth , saísse do PSD e se filiasse ao MDB para continuar na vaga. O presidente do PSD, Gilberto Kassab , queria a posição de vice para herdar o cargo ao fim do mandato de Tarcísio, em 2030, e tentar a reeleição.

Com isso, Kassab acabou como candidato a vice na chapa de Ronaldo Caiado (PSD) à Presidência da República. Diferente de Caiado, não fez nenhum endosso público a Flávio Bolsonaro (PL) e manteve-se distante do segundo turno. É nesse contexto que lideranças petistas têm defendido uma interlocução maior com o presidente do PSD para garantir uma governabilidade maior.