O Cruzeiro vai reencontrar o Atlético-MG quase dois meses após a eliminação para o rival na Copa do Brasil. A derrota em setembro marcou o início de um período turbulento, com resultados ruins, protestos da torcida, faixas de cobrança e desabafos de jogadores e até do presidente. Mas, em meio à instabilidade dentro e fora de campo, a Raposa conseguiu reagir e subir posições na tabela do Campeonato Brasileiro.
No confronto com o Atlético, pela Copa do Brasil, o Cruzeiro já chegou marcado pela eliminação para o Flamengo na Libertadores. Um peso que ficou ainda maior com o empate no jogo de ida, no Mineirão, e uma derrota na Arena MRV.
Logo após o jogo, a primeira reação do Cruzeiro foi um pronunciamento de Pedro Junio, vice-presidente, assumindo o compromisso de garantir uma vaga na Libertadores pelo Brasileirão. Ele pediu desculpas ao torcedor e assumiu a responsabilidade pelo momento.
- Estamos aqui para assumir toda a responsabilidade, tanto da diretoria como da comissão técnica e os atletas. A gente precisa se doar mais, entregar mais, para a gente conquistar os nossos objetivos, e a gente precisa dar uma resposta para o nosso torcedor, que está chateado, que está indignado como a gente está aqui.
Protestos da torcida
A eliminação para o Atlético também mudou a relação com a torcida. Na mesma semana, faixas foram colocadas pela cidade. Elas cobravam a direção de futebol, os jogadores e Artur Jorge . No estádio, vaias foram ouvidas na partida contra o Athletico-PR e Remo (na segunda, para Gerson e William).
Pedro Lourenço, dono do clube, reagiu aos protestos no estádio com sinais de negativo, o que causou repercussão entre os torcedores.
Também teve cobrança no aeroporto. O time desembarcou em Confins após a partida contra o Bragantino e foi recebido sob forte cobrança de membros de uma organizada.
Oscilação no Brasileiro
Sem as copas, o Cruzeiro passou a se dedicar ao Brasileirão. O time subiu de posição desde setembro. Chegou a figurar em sexto, mas está em terceiro no atual momento. Soma 51 pontos e está próximo de garantir uma vaga na Libertadores.
Mas o caminho até a terceira colocação foi com resultados frustrantes. O time perdeu para o Santos por 3 a 0 e para o Bragantino por 4 a 2, com três gols em 30 minutos. A vitória por 1 a 0 sobre o Remo não satisfez 100% da torcida. Vaias foram direcionadas a alguns jogadores.
Desabafos
Esses resultados geraram desabafos dos jogadores. Fabrício Bruno foi o primeiro a dizer que a forma como o time estava se defendendo não estava ajudando a equipe. Dos sete jogos desde o confronto com o Atlético-MG, o Cruzeiro não sofreu gols apenas em dois.
- As vezes, se não dá para marcar lá em cima, abaixa todo mundo ou então sobe todo mundo. Eu não tenho como ficar do jeito que fica justamente pelo fato da exposição. Acho que, de um modo geral, o time todo está toda hora correndo a favor de seu gol para defender - declarou o zagueiro, após o jogo contra o Santos.
Kaio Jorge também desabafou. Após a derrota para o Bragantino, o atacante destacou a forma como a equipe estava jogando.
- A gente vem em altos e baixos. Joga dois jogos bons e depois um ruim. Meu medo era exatamente esse. A gente precisa de uma sequência de jogos boa para convencer o torcedor e nós jogadores, que estamos jogando em alto nível. Estamos jogando em alto nível, estamos no Cruzeiro, então temos que estar sempre jogando bem.
Pressão sobre o dono
Por fim, Pedro Lourenço falou sobre as cobranças que estão recebendo. O dono do Cruzeiro chegou a destacar como as eliminações nas copas mexeu no tom das críticas.
- O futebol, depois que saímos das copas, mostra toda a ingratidão que tem com quem dirige futebol. Saímos das copas, ninguém presta. As pessoas falam mal sem conhecer as pessoas. Criticar é dever de todos, faz parte. Tem esses seguidores, pessoal de… Eles atropelam tudo. Falam coisas inacreditáveis.
“Fico muito desapontado. Tem hora que penso que o futebol não é para mim. Eu não vivo de futebol, não preciso do futebol. O futebol é que precisa de mim. Fica meu desabafo. Só estou aqui pela torcida do Cruzeiro.”
Dirigente novo
Para conter as oscilações e iniciar o planejamento para a próxima temporada, o Cruzeiro contratou Paulinho como executivo de futebol. O dirigente chegou logo após a derrota para o Bragantino, com a missão inicial de ajudar a amenizar a turbulência nos bastidores e manter a equipe na disputa por uma vaga na Libertadores.
A chegada de Paulinho também provocou mudanças na estrutura do futebol. Bruno Spindel passou a ser responsável pelo setor administrativo, ficando no mesmo nível hierárquico do novo executivo. Ambos respondem diretamente a Pedro Lourenço e Pedro Junio.

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