Situação de momento de Flávio, pela lei: nem fugitivo, nem exilado

Crédito: Eldorado

É preciso fazer força para não engatar numa piada ou enxergar um meme no mais novo gesto de Flávio Bolsonaro. Pode até ser motivo para riso, mas não é. Derrotado na disputa presidencial, o senador do PL saiu com 60 milhões de votos e condições para assumir a liderança da oposição ao presidente Lula reeleito.

Mas o primogênito de Jair Bolsonaro preferiu abdicar do posto. Fugiu para Miami . De lá, nos manda uma carta-delírio. Seu manifesto parece mesmo fruto de um surto de quem não conseguiu superar trauma recente. Perder para Lula fez com que Flávio Bolsonaro declarasse que vivemos em ditadura e que não há espaço nem mesmo para os opositores do Congresso falarem o que querem.

Em qual dimensão o senador foi parar? Alguém deixou de ouvir as postagens de parlamentares da oposição? Nikolas Ferreira foi calado e trancado num quartel? Pablo Marçal mandado para Sibéria? No mundo real nada disso ocorreu. Já na dimensão paralela em que o senador agora vive o Brasil é outro.

A carta, divulgada em várias versões, tem Flávio se declarando presidente eleito, de fato. Depois apagou a frase que abria seu texto e substituiu por ‘líder do Brasil’.

Não é preciso nem mais desenhar para entender o quadro completo. Imaginem esse senhor presidente eleito. O que para uns pode ser explicado como surto, para muita gente tem uma explicação mais óbvia: Flávio Bolsonaro rasgou de vez a fantasia de moderado que tentou vender na eleição.

Pode até ser que parte do eleitorado veja lógica no manifesto de Flávio. Veja ele de falto como um perseguido que precisou evadir-se. Mas e a parcela da população que quer outra coisa?

Lula foi eleito com uma margem de votos razoável, mas não confortável. Ou seja, a oposição ainda tem peso e precisaria de uma voz. Só que agora vai precisar encontrar alguém que possa ser levado a sério. Ou seguirá refém dos Bolsonaros?