A Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG) liberou a Rua Treze de Setembro, na Vila Leonina, na Região Oeste de Belo Horizonte, na noite desta segunda-feira (26) depois que moradores bloquearam a via em protesto contra a falta de energia. De acordo com a Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), a falta de luz ocorre em razão das fortes chuvas e da ventania que atingiram a capital mineira no domingo (25).

Em entrevista à Itatiaia , o morador André Nicácio contou que a 19 de dezembro, que corta a 13 de setembro, está sem energia elétrica desde o início da tarde de domingo, mas nenhum morador recebeu suporte ou retorno da Cemig. "Outras partes estão com luz normal. A gente está desde ontem. A minha geladeira, o pouco de carne que eu tinha lá, as coisas que tem que ficar refrigerado, já derramou tudo para o chão. Minha noiva está lá limpando, por quê? São coisas que de repente eu vou perder", lamentou.

Já Isaque Nazaré da Silva afirmou que os moradores da rua 13 de setembro já tiveram a energia restabelecida. "Tem uma senhora idosa ali. Ela tem 93 anos, está há 16 anos na cama entrevada. Ela não levanta. Depende do banho, oxigênio e medicação. Nem assim amoleceu o coração da Cemig. E não é a primeira vez não. Esse poste aqui, ele foi quebrado semana passada. Trocaram o poste e fizeram um monte de gambiarra.Nós nunca ficamos sem luz aqui. Nunca ficamos sem luz", disse.

Falta de luz atinge 32 mil imóveis

A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) informou que 32 mil imóveis ainda estão sem luz após as chuvas intensas que atingiram Belo Horizonte na tarde deste domingo (25). De acordo com a companhia, a tempestade foi um "evento climático extremo". Na ocasião, as rajadas de vento chegaram a 90 km/h na capital mineira. Ao todo, 221 mil imóveis ficaram sem luz durante o pico das chuvas intensas. Em todo o estado, foram mais de 600 mil imóveis sem luz. O temporal provocou pelo menos 135 quedas de árvores sobre a via pública.

"A nossa prioridade nesse momento é segurança com a população, atendimento a órgãos com cuidados à vida e, na sequência, a gente tenta eliminar o risco. O nosso trabalho ontem à tarde, à noite, madrugada foi um trabalho que foi mais eficiente. Hoje durante o dia, nós temos um grande trabalho com a prefeitura, com a defesa civil, com o corpo de bombeiros, que é retirar as árvores que estão sobre a rede", disse Ernando Braga, vice-presidente da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig).

A Cemig esclareceu que a chuva e os ventos foram mais fortes do que o esperado pelas previsões meteorológicas da companhia. "Aqui ontem nós tivemos um evento climático severo, algo histórico na companhia. Os impactos para o sistema elétrico foram grandes. Ontem, às 13:30, nós tivemos um pico aí de 640 mil clientes interrompidos. Imediatamente, colocamos todo o nosso contingente, atendendo os pedidos de falta de energia", disse.

Ainda segundo a empresa, o retorno da energia elétrica para todos os imóveis depende do trabalho da Defesa Civil e do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais (CBMMG) de retirar as árvores de cima da rede. A Cemig também comparou o evento climático deste domingo (26) com outros já registrados no estado.

"Esse evento severo veio trazendo o impacto do sul do estado, veio pro Triângulo, Oeste, Mantiqueira e, no final da tarde, ele trouxe o maior impacto pra região metropolitana. Ou seja, o estado como um todo foi afetado. Em tempos anteriores, a gente tinha os eventos climáticos muito pontuais, região metropolitana, alguma parte do estado. Esse não, ele trouxe um impacto em grande parte do nosso estado de Minas Gerais", afirmou.

Mais cedo, moradores de Belo Horizonte denunciaram demora no atendimento após queda de árvores sobre carros e fiação. Na Rua Emídio Beruto, no bairro Cinquentenário, na Zona Oeste de Belo Horizonte, por exemplo, uma árvore caiu em cima de um veículo, modelo Novo Nissan Kicks. Segundo a moradora Sandra Moreira Sales Maranhão, 24h depois do incidente, ninguém esteve no local para avaliar a situação. Ela também informou que o Corpo de Bombeiros foi acionado, mas informaram que só iriam ao local acompanhados da Cemig.

Veja nota completa da Cemig

A Cemig informa que, no fim da tarde desta segunda-feira (26/10), o número de clientes sem energia em Minas Gerais caiu para aproximadamente 150 mil, uma redução de 80% em relação aos 640 mil consumidores afetados pelo temporal de ontem (25/10). Desde o início das ocorrências, cerca de 490 mil clientes já tiveram o fornecimento restabelecido. Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o número de unidades consumidoras sem energia caiu de 389 mil para 65 mil, redução de 85% Na capital, a queda foi ainda maior, de 282 mil para 32 mil clientes, o equivalente a uma redução de 90%.

Considerado pela companhia o evento climático de maior impacto sobre seu sistema de distribuição em 74 anos de história, o temporal foi marcado por condições meteorológicas extremas. Foram contabilizadas cerca de 60 mil descargas atmosféricas, volume aproximadamente seis vezes superior ao esperado para uma tempestade dessa magnitude. Além da intensa atividade elétrica, foram registradas rajadas de vento de até 150 km/h em Patos de Minas, 105 km/h em Lavras e 90 km/h em Belo Horizonte, provocando danos à rede de distribuição em diversas regiões do estado.

Para enfrentar os impactos da tempestade, a Cemig ampliou sua força de trabalho e mantém cerca de 4.600 profissionais mobilizados nas ruas, atuando na recuperação da rede elétrica, na substituição de equipamentos danificados e em manobras operativas para restabelecer o fornecimento de energia. A companhia manterá os trabalhos de forma ininterrupta durante toda a noite e a madrugada desta terça-feira (27/10), com equipes distribuídas pelas regiões afetadas, priorizando as ocorrências de maior impacto e buscando restabelecer o serviço o mais rapidamente possível, respeitando as condições de segurança dos trabalhadores e da população.