Com o desafio de buscar uma virada inédita na história do 2º turno das eleições presidenciais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrentará uma equação difícil no próximo domingo, no 2º turno das eleições, em Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país.

Enquanto o petista observou uma queda no número de municípios em que venceu há quatro anos, o senador, que herdou o capital político do pai, conseguiu ampliar as bases eleitorais e melhorou o desempenho da família neste ano em Minas.

Houve avanço, especialmente, entre o eleitorado do Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Zona da Mata, respectivamente.

Em 2022, Lula venceu em 564 municípios, enquanto Jair Bolsonaro triunfou em 289 municípios.

Neste ano, porém, Lula saiu vitorioso em 452 cidades, enquanto Flávio contabilizou vitória em 401 municípios, de acordo com registros do TSE compilados por Wallace Graciano e Gabriel Ziviani, que integram o Núcleo de Dados e Audiência de O TEMPO.

No consolidado geral, o senador largou na frente em Minas, com uma diferença de mais de 587 mil votos. O petista perdeu 21 cidades no Sul, 18 no Triângulo Mineiro e 16 na Zona da Mata - as três regiões mais representativas na derrocada lulista na comparação com 2022.

Também houve uma mudança de cenário, com predomínio de Flávio, em municípios do Campo das Vertentes, regiões Central mineira, Centro-Oeste, Noroeste, Norte, Leste, Metropolitana de Belo Horizonte e Vale do Jequitinhonha.

No Triângulo Mineiro, a título de exemplo, em 2022 Lula venceu em Monte Carmelo com 51,14% dos votos no 2º turno, mas viu Flávio reverter o resultado do pai e chegar aos 50,12% dos votos neste ano.

Já no Sul de Minas, em Três Pontas, o petista saiu dos 50,04% há quatro anos e viu Flávio vencer no dia 4 de outubro com 46,22%.

Cenário semelhante ao observado em Ubá, na Zona da Mata, onde Lula foi derrotado pelo senador que somou 47,54% dos votos.

Há quatro anos, o presidente marcou 49,90%.

Os números dão a dimensão do desafio que o petista terá no próximo domingo.

Na campanha de Lula, há uma grande aposta na recuperação do eleitorado mineiro no 2º turno para viabilizar a reeleição do atual presidente.

O petista, inclusive, verbalizou isso durante agenda em Belo Horizonte nessa quarta-feira.

“Mais uma vez eu saio daqui com a certeza de que Minas Gerais me dará a vitória outra vez”, apostou o presidente.

Desde o início da segunda etapa da campanha, o petista visitou três cidades mineiras: Juiz de Fora, Ipatinga e a própria capital.

Dos três endereços, venceu Flávio Bolsonaro apenas em Juiz de Fora, o único dos dez maiores colégios eleitorais do estado em que Lula saiu vencedor.

Em BH, cidade mineira que recebeu o maior esforço da campanha petista, com quatro agendas, o senador abriu uma distância do petista de quase 100 mil votos ao final do primeiro turno.

Flávio, por sua vez, esteve em Capelinha, no Vale do Jequitinhonha, cidade que Lula venceu em 2022, e cumprirá agenda neste sábado em BH.

Na empreitada em Minas, Flávio tem como um dos principais articuladores o deputado federal Nikolas Ferreira (PL).

O parlamentar, a propósito, tem reiterado que no 2º turno a campanha busca ampliar a votação do senador em Minas, além de ganhar mais espaço no Nordeste.

Além da atuação de Nikolas, o palanque de Flávio Bolsonaro também foi reforçado com a entrada do governador eleito do estado, Cleitinho Azevedo (Republicanos), na estratégia de busca de votos.

Retrato nacional

O ganho de fôlego de Flávio Bolsonaro no Sul de Minas, Triângulo Mineiro e Zona da Mata reflete uma movimentação observada a nível nacional.

Flávio superou Lula nas cidades que têm a atividade agropecuária como um dos motores da economia, conforme um estudo do cientista político e pesquisador Marco Antonio Faganello, da Fundação Getúlio Vargas (FGV).

Em Minas, a região Sul é pólo da cafeicultura, principal produto da pauta agrícola de exportações do estado.

“Onde o agro pesa mais, Lula perdeu mais.

Nos municípios em que a agropecuária responde por mais da metade da economia local, a queda típica foi de 8,8 pontos percentuais, onde ela pesa menos de 5%, de 3,9 pontos percentuais A relação se mantém comparando cidades do mesmo estado, porte e perfil de renda”, comentou ele em análise publicada no X sobre os resultados das urnas em todo o país.

O Triângulo Mineiro, por sua vez, concentra atividades de pecuária e cultivo de grãos como soja e milho, enquanto Juiz de Fora tem pujança na cafeicultura, mas também na pecuária de leite.

No estado, o Produto Interno Bruto (PIB) do agronegócio mineiro alcançou o recorde histórico de R$ 279 bilhões em 2025, e passou a representar 24,1% da economia do estado, segundo dados da Federação da Agricultura e Pecuária (Faemg).