Aliados de Flávio Bolsonaro consideram a eleição presidencial encerrada e afirmam que ele não contestará mais o resultado. Após reunião com advogados e aliados, Flávio se posicionou como líder da oposição a Lula, prometendo organizar resistência e apresentar pedido de cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder. Apesar de críticas à prorrogação do horário de votação, aliados admitem que isso não causou a derrota, atribuída à comunicação eficaz do PT. Nikolas Ferreira e Ricardo Nunes já reconheceram o resultado.
Aliados do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) tratam a eleição presidencial como página virada e afirmam que o senador não voltará a contestar explicitamente o resultado.
Mesmo após o candidato do PL não ter reconhecido explicitamente a derrota para o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um vídeo divulgado na tarde desta segunda-feira, 26, eles dizem que o foco de Flávio agora será organizar a oposição ao petista.
Antes de gravar o vídeo, o senador passou as últimas horas reunido com advogados e aliados, como o coordenador da campanha, Rogério Marinho (PL-RN), e o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP). Ele também se encontrou com o pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
No vídeo, o senador já se colocou como líder da oposição ao governo Lula. “Eu sou o último obstáculo para o PT implementar seu projeto de destruição do País. Para resistir ao caos, eu vou organizar a oposição”, disse, prometendo se reunir com deputados e senadores.
Ele também afirmou que vai apresentar pedido de cassação da chapa de Lula por suposto abuso de poder político e econômico e que a prorrogação do horário de votação em duas horas determinada pelo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Cristiano Zanin , “não foi normal”.
“O que aconteceu nesse intervalo de tempo ninguém consegue entender. Isso precisa ser esclarecido. Ninguém sabe exatamente o impacto disso”, afirmou Flávio.
Fontes próximas ao candidato do PL ouvidas pelo Estadão consideram que a ação na Justiça Eleitoral é algo corriqueiro e não representa uma contestação – a própria campanha de Lula pediu a cassação da chapa de Flávio na semana passada, por suposto abuso de poder econômico.
Embora também critiquem a decisão de Zanin, aliados do bolsonarista admitem que a prorrogação da votação não foi o motivo da derrota. Lula teve 4,4 milhões de votos de vantagem, enquanto apenas 34,7 mil foram depositados nas urnas após às 17h.
Eles atribuem o revés à uma derrota da “comunicação”: a campanha do PT teria conseguido mobilizar os eleitores e instilar o medo de um eventual governo Flávio, além de prometer um “pacote de bondades” na reta final da campanha.
Mais cedo, outros aliados já sinalizavam que a contestação eleitoral não deveria durar muito. Nikolas Ferreira (PL) afirmou que considerava difícil que o pleito fosse anulado, enquanto o prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB), divulgou uma nota em que reconhece o resultado. Já Tarcísio, que ainda não se manifestou, deve divulgar um posicionamento entre esta segunda-feira e terça-feira.

