Eleito senador com apoio de Tarcísio de Freitas (Republicanos), o presidente da Assembleia Legislativa de São Paulo , André do Prado ( PL ), provocou um racha em seu próprio partido ao articular os nomes de dois aliados recém-eleitos como opções para sua sucessão, em uma tentativa de manter influência na Alesp .
O PL já era o partido com mais assentos na Casa, com 21 deputados. Na eleição do mês passado, elegeu 27. A eleição da nova Mesa Diretora ocorrerá em fevereiro, após a posse dos deputados eleitos.
Nos últimos dias, Prado passou a defender o nome de Rogério Franco (PL), ex-prefeito de Cotia, como uma das possibilidades para substituí-lo no cargo de presidente. A outra opção articulada por ele é Rodrigo Ashiuchi (PL), ex-prefeito de Suzano. Ambos estarão no primeiro mandato em 2027.
A reportagem procurou o presidente da Alesp para que ele comentasse o movimento, mas o deputado não respondeu.
A ação de Prado foi mal recebida na bancada, segundo a Folha apurou. Depois do primeiro turno, deputados do PL se reuniram em um grupo para articular alternativas às suas indicações e, inicialmente, alguns pensaram em apresentar exigências para aceitar esses nomes.
Mas, no fim, a maior parte decidiu não apoiar um deputado de primeiro mandato. Assim se manifestaram a maioria dos 15 deputados que participaram de uma reunião da bancada que ocorreu na terça-feira (3).
O encontro costuma acontecer toda semana, mas, desta vez, parlamentares do grupo agiram para que o tema fosse discutido logo no início. Também foi sugerida a criação de uma lista com assinaturas para pressionar pela escolha de um parlamentar reeleito.
Os principais cotados, até o momento, são os deputados Marcos Damasio, Ricardo Madalena, Tenente Coimbra, Alex de Madureira e Thiago Auricchio. O nome da deputada Dani Alonso, que contaria com a simpatia da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), também foi aventado.
Na reunião, deputados também manifestaram o desejo de garantir que o sucessor de Prado tenha um compromisso com o fim da reeleição para a presidência da Casa. Ao longo do mandato, o senador eleito conseguiu aprovar uma mudança na Constituição Estadual que permitiu sua reeleição.
Um dos parlamentares da bancada disse à reportagem que Prado se empenhou na eleição de Franco e Ashiuchi, movimentando cabos eleitorais e vereadores para apoiá-los. Portanto, o encaminhamento de qualquer um dos dois à presidência seria uma estratégia de Prado para manter a influência sobre a Casa e a indicação de cargos.
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Outros deputados com quem a Folha conversou, porém, ponderaram que é preciso escutá-lo e dialogar com ele. Líder do PL na Assembleia, Alex de Madureira afirmou que seguirá a definição do partido. "O que Valdemar [Costa Neto, presidente nacional do PL], Tadeu Candelária [presidente estadual] e André do Prado me falarem para fazer, eu vou fazer. Vou remar na mesma direção", disse.
Deputados do partido têm a expectativa de que um nome seja escolhido até o fim de novembro, o mais tardar até o meio de dezembro.
Prado é próximo de Valdemar e foi eleito presidente da Casa em 2023 com apoio de Tarcísio. O governador também atuou para viabilizá-lo ao Senado. Prado obteve o aval de Eduardo Bolsonaro (PL) para concorrer com apoio de bolsonaristas e, na reta final, conseguiu que Tarcísio negociasse a retirada da candidatura de Ricardo Salles (Novo), com quem disputava votos.
Segundo integrantes da base, Tarcísio sinalizou a aliados que não se intrometerá na sucessão da Assembleia, salvo se despontar um nome que pudesse se opor a interesses do governo.
Interlocutores do governador afirmam que ele ficou incomodado com a ação ostensiva de Prado para emplacar um nome e que teria como preferência a indicação do líder do governo na Alesp, Gilmaci Santos (Republicanos), ou de Madureira.
A indefinição entre os deputados do PL vem sendo acompanhada de perto pelo Republicanos, partido de Tarcísio. Além de Gilmaci, a legenda também poderia propor a candidatura de Danilo Campetti, amigo do governador, que também é próximo da família Bolsonaro, mas que tem trânsito entre os demais partidos.
O receio do governo, de acordo com um membro do Republicanos, é que o novo presidente tenha dificuldades em conduzir a Casa no próximo mandato, diante do elevado número de parlamentares influenciadores, que poderiam radicalizar discussões para criar "cortes" para as redes sociais e travar a pauta do governo.
No próprio PL há nomes com esse perfil, como a deputada eleita Eduarda Campopiano, que se declara "maior inimiga das feministas", Thomaz Henrique, que já associou o PT a facções criminosas, e Lisboa, que já foi alvo de operação durante investigação dos atos antidemocráticos.
Na eleição para a presidência da Alesp, cada parlamentar tem um voto e vence quem obtém mais votos. Há, porém, um acordo informal de proporcionalidade que rege a Casa há anos. Como o PL é o partido com mais deputados, ele fica com a presidência. Já o PT, segunda maior legenda na Assembleia, ocupa a primeira secretaria, que é o segundo cargo mais importante na Mesa Diretora.
O deputado Paulo Fiorilo (PT) afirmou à reportagem que o partido deve se reunir na terça-feira (10) para discutir a sucessão da presidência, enquanto aguarda a decisão do PL.
"O presidente precisa ser uma pessoa com experiência e com capacidade de implementar o regimento para evitar balbúrdia. Não pode transformar o plenário num grande palco para fazer lives ou cortes para as redes sociais", disse.
Para a primeira secretaria, Fiorilo é um dos cotados, assim como os deputados petistas Teonilio Barba, Professora Bebel, Emídio de Souza, Rômulo Fernandes e Thainara Faria.

