Policial afirma que reagiu a um disparo feito pelo jovem, mas testemunhas relatam que vítima estava sentada na entrada de um beco
Minas Gerais | Janaína Machado, da RECORD Minas
25/10/2026 - 10h08 (Atualizado em 25/10/2026 - 10h42 )
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Um adolescente de 17 anos, morreu após ser baleado por um policial militar de folga, na tarde desse sábado (24), no bairro Alto Vera Cruz, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte . O caso aconteceu no Beco Janete Monteiro, na comunidade conhecida como ‘Buraco do Sapo’. A dinâmica da ocorrência é alvo de versões divergentes entre o militar e familiares da vítima.
De acordo com o boletim de ocorrência , o soldado, lotado no 22º Batalhão da Polícia Militar, caminhava pelo beco para visitar o avô quando encontrou o adolescente com uma garrucha calibre .22. O policial relatou que ordenou que o jovem largasse a arma, mas ele teria se virado em direção a ele e efetuado um disparo. Diante da suposta ameaça, o militar afirmou que reagiu e atirou contra o adolescente.
Após os disparos, o policial recolheu a arma que estaria com o jovem, procurou abrigo e acionou reforço pelo telefone 190. Segundo o registro, moradores teriam hostilizado o militar, que precisou ser retirado do local por equipes do Grupo Especializado em Policiamento em Áreas de Risco (Gepar).
Ele foi socorrido por moradores e encaminhado ao Hospital João 23, mas não resistiu aos ferimentos e morreu durante o atendimento médico.
Família contesta versão do policial
Familiares e testemunhas, no entanto, contestam o relato apresentado pelo militar. Segundo eles, o jovem estava sentado na entrada do beco, acompanhado de outras crianças, entre elas o irmão de 6 anos e um primo de 11, quando o policial se aproximou.
Ainda conforme os relatos, o militar seria vizinho da vítima e teria ordenado que as crianças se afastassem antes de atirar contra o adolescente. Parentes e vizinhos afirmam ter ouvido cerca de 14 disparos. Imagens registradas após a ocorrência mostram cápsulas de munição espalhadas pelo chão.
A família também contou que ele cumpria medida socioeducativa por envolvimento com o tráfico de drogas e costumava passar os fins de semana na casa dos pais.
Policial relata ameaças anteriores
Conforme o boletim de ocorrência, o soldado afirmou que já havia registrado uma ocorrência contra o adolescente em agosto deste ano. Na ocasião, segundo o militar, o adolescente teria feito ameaças contra ele, afirmado integrar a facção criminosa Comando Vermelho (CV) e declarado envolvimento com o tráfico de drogas na região.
Após a ocorrência desse sábado, o policial prestou depoimento na sede da 128ª Companhia da PM e passou pelo teste do bafômetro, que apresentou resultado negativo para consumo de álcool.
A arma utilizada pelo militar e a garrucha que, segundo a PM, estava com o adolescente foram apreendidas. Conforme o registro policial, a garrucha continha uma munição picotada e outra intacta.
A Polícia Civil de Minas Gerais foi demandada sobre a investigação do caso, e informou que os peritos realizaram a coleta de vestígios e informações no local. O corpo da vítima, um adolescente de 17 anos, foi encaminhado para o Instituto Médico Legal André Roquette, e, após exames, foi liberado aos familiares. Um inquérito policial foi instaurado para apuração do caso. Outras informações poderão ser repassadas à imprensa com o avanço dos trabalhos investigativos.
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