Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) voltaram a fazer um confronto direto onde expuseram visões opostas para economia, gestão pública e ética governamental. No centro das atenções, o embate promovido pela TV Globo afunilou-se nas críticas ao custo de vida da população e na troca de acusações sobre transparência, patrimônio e sigilos oficiais.

Enquanto Flávio Bolsonaro concentrou seus ataques na perda do poder de compra das famílias, acusando o atual governo de entregar um cenário de inflação, Lula rebateu ao defender os ganhos reais do salário mínimo e cobrar explicações sobre passeios de barco do oponente durante a pandemia e sua suposta associação com milícias .

'Prometeu picanha e entregou abóbora'

No pilar econômico, Flávio Bolsonaro mirou a inflação dos alimentos e o endividamento do orçamento doméstico para criticar a gestão petista. Afirmando que o presidente vive "isolado em um palácio de luxo" e desconhece a realidade das prateleiras, o candidato do PL acusou Lula de ter frustrado as expectativas do trabalhador, resumindo a crítica ao declarar que o adversário "prometeu picanha e entregou abóbora" .

Flávio sustentou que a elevação do custo de vida obrigou as indústrias a reduzirem o tamanho das embalagens de itens básicos —como caixas de sabão em pó, barras de chocolate, cartelas de ovos e rolos de papel higiênico— e defendeu a criação do Banco da Prosperidade, via Caixa Econômica Federal, para a renegociação e suspensão temporária de dívidas das famílias e pequenas empresas.

Esclarecimentos sobre bens e gestão pública

A discussão sobre integridade pública gerou acusações cruzadas. Flávio Bolsonaro atacou os custos da atual gestão , criticando despesas com cartões corporativos, viagens e o estilo de vida de Lula no Palácio da Alvorada, apontando desperdício do dinheiro público.

Lula reagiu cobrando explicações sobre a falta de transparência do grupo político adversário , trazendo à tona a decretação de sigilos de 100 anos no governo anterior.

O presidente também citou a polêmica em torno de uma ilha em Angra dos Reis, disputada pelo jogador de futebol Richarlison e pelo advogado e amigo de Flávio Willer Tomaz, e criticou um passeio de barco em Brasília com empresários no auge da pandemia de Covid-19, quando o país enfrentava colapso no abastecimento de oxigênio.

Lula também voltou a propor a quebra dos sigilos bancários dos dois para o povo ver "quem é ladrão". A proposta, que já havia sido feita no debate promovido pela Band, foi aceito pelos dois candidatos, mas ainda não aconteceu. Com isso, Lula propôs que os dois façam isso juntos, neste sábado (24).

Salário mínimo, dívida e obras de infraestrutura

No debate sobre o desenvolvimento do país, Lula destacou a política de reajuste do salário mínimo acima da inflação, afirmando que o piso salarial atingiu R$ 1.600 graças à incorporação do crescimento do PIB no cálculo. Além disso, citou os R$ 800 bilhões em investimentos previstos no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para obras como a transposição do Rio São Francisco, o túnel Santos-Guarujá e a duplicação de rodovias federais.

Flávio contra-atacou apontando relatórios do Tribunal de Contas da União (TCU) sobre mais de 11,5 mil obras paralisadas no país e defendeu a ampliação de concessões privadas para ferrovias —como a conclusão da Transnordestina—, além de propor o uso de inteligência artificial e a isenção de pedágio para motociclistas.

Saúde, educação e segurança pública

Na área social e de serviços públicos, Flávio comprometeu-se a reajustar a tabela de repasses do SUS para consultas e partos, criar auxílio-creche na rede privada e aprovar medidas de segurança como o fim das saídas temporárias de presos e a redução da maioridade penal para 16 anos --sendo 14 anos em casos hediondos.

Lula defendeu a expansão das escolas de tempo integral, o fortalecimento do programa Pé de Meia e destacou a decisão de bloquear as plataformas digitais de apostas [as bets] , apontando os prejuízos financeiros e sociais causados às famílias de baixa renda.