Um grupo de cristãos evangélicos está organizando diversas manifestações pacíficas em frente a grandes igrejas de Belo Horizonte às vésperas do segundo turno das eleições presidenciais. A mobilização defende a liberdade de consciência, o respeito à diversidade de opiniões e o direito de escolha dos fiéis sem constrangimentos religiosos.

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A iniciativa acontece em meio aos dados de uma pesquisa do Datafolha sobre a disputa eleitoral. O levantamento indica Flávio Bolsonaro com 73% dos votos válidos entre o eleitorado evangélico, enquanto Lula soma 27%. No total geral de eleitores, ambos registram 50% dos votos válidos cada um.

Porta-voz do movimento, o pastor, teólogo e advogado Fillipe Gibran, da Igreja Comuna do Reino, afirma que a presença evangélica na política não representa uma orientação eleitoral única. Para ele, muitos fiéis temem discordar das posições pastorais por receio de sofrer julgamentos espirituais em suas comunidades.

O ato defende que votar em Lula ou ter pensamentos divergentes não configura pecado. A proposta incentiva a reflexão crítica e permite que os membros avaliem o histórico dos candidatos, seus projetos sociais, suas propostas para a saúde pública e sua defesa da democracia , sem acatar posições apenas pela autoridade de líderes.

Memória da pandemia e transparência

A memória das vítimas da COVID-19 também orienta os manifestantes. Um dos cartazes menciona as 200 mil mortes de evangélicos durante a emergência sanitária, período no qual o país registrou mais de 700 mil óbitos. O grupo questiona a conduta de lideranças que relativizaram medidas preventivas ou incentivaram comportamentos de risco.

Outra mensagem levada aos templos declara que “Igreja não é banco”. O lema aborda os limites entre fé e interesses comerciais e remete a investigações sobre o Banco Master e Daniel Vorcaro, relacionadas a movimentações atípicas em uma unidade da Igreja Batista da Lagoinha, no bairro Belvedere, anteriormente gerida por Fabiano Zettel.

Manifestação pacífica

Os organizadores informam que as ações ocorrem em espaços públicos, sem interromper cultos ou bloquear acessos. O objetivo é promover o diálogo sobre a convivência pacífica e o respeito às diferenças de pensamento dentro das congregações.

Gibran destaca a autonomia pessoal diante da urna de votação: “Na hora de votar, ninguém entra na cabine com você. Não vai estar lá seu pastor, seu bispo ou o dirigente da sua igreja. O voto é secreto e a decisão pertence a cada pessoa. Nenhuma liderança pode ocupar o lugar da sua consciência. Você tem o direito de pensar livremente, discordar e fazer sua escolha sem medo.”