A história da Igreja Católica no Acre atravessa mais de um século e passa pela atuação de cinco bispos que conduziram a instituição em diferentes momentos da formação religiosa e social do estado.

O capítulo mais recente começa neste domingo (1º), quando Dom Antônio Fontinele de Melo toma posse como novo o sexto bispo da Diocese de Rio Branco , em uma solenidade religiosa na Catedral Nossa Senhora de Nazaré, no Centro da capital, a partir das 8h.

Dom Antônio foi nomeado pelo Papa Leão XIV em 18 de setembro e será o sexto religioso a assumir a condução da Igreja Católica na região desde a criação da Prelazia Acre-Purus, em 1920.

Antes dele, passaram pela instituição Dom Próspero M. Bernardi, Dom Júlio Mattioli, Dom Giocondo M. Grotti, Dom Moacyr Grechi e Dom Joaquín Pertíñez, que renunciou em 1º de julho deste ano . Cada um teve participação em momentos importantes, desde as primeiras missões religiosas nos seringais até a organização da diocese e a ampliação de trabalhos sociais e pastorais.

As primeiras missões nos seringais

A presença da Igreja Católica na região começou antes mesmo da criação da prelazia, que possui status semelhante ao de uma diocese. Com a chegada de nordestinos em busca da borracha, a partir de 1877, a religiosidade era mantida principalmente por meio de orações e devoções populares .

Naquele período, o território ainda pertencia à Bolívia e estava ligado à estrutura religiosa da Diocese de Manaus, por meio da paróquia de Lábrea, no Amazonas.

Em 1920, o papa Bento XV criou a Prelazia Acre-Purus e nomeou Dom Próspero M. Bernardi como primeiro bispo prelado. Integrante da Ordem dos Servos de Maria, ele iniciou os trabalhos missionários na região ao lado de outros religiosos.

As atividades incluíam visitas aos seringais, atendimento às comunidades mais distantes e a realização das primeiras Santas Missões Populares. Dom Próspero permaneceu à frente da prelazia até 1944.

Depois de um intervalo de quatro anos, Dom Júlio Mattioli assumiu a condução da instituição, em 1948.

Durante os 14 anos em que esteve à frente da prelazia, Dom Júlio deu continuidade à criação de obras sociais, incentivou a abertura de novas paróquias e capelas e criou uma escola apostólica para acolher interessados na vida religiosa.

Um dos marcos de sua gestão foi o início da construção da Catedral Nossa Senhora de Nazaré, em Rio Branco, inaugurada em 1958.

Concílio Vaticano II e mudanças na Igreja

Entre 1965 e 1971, a prelazia foi conduzida por Dom Giocondo M. Grotti . Ele foi o primeiro e único bispo da Prelazia Acre-Purus a participar do Concílio Vaticano II, realizado entre 1962 e 1965, em Roma.

O encontro estabeleceu mudanças importantes nas diretrizes e práticas da Igreja Católica em todo o mundo. No Acre, Dom Giocondo iniciou a adaptação da prelazia às novas orientações, convocou a primeira Assembleia Geral e deu início aos trabalhos das primeiras pastorais e à construção de novas paróquias.

A Catedral Nossa Senhora de Nazaré , inaugurada durante a gestão anterior, também passou a fazer parte dos momentos históricos da instituição. O templo testemunhou a posse de Dom Giocondo e, posteriormente, de Dom Moacyr Grechi.

Transição de prelazia para diocese

Dom Moacyr Grechi esteve à frente da instituição entre 1973 e 1998 . Foi durante sua gestão que ocorreu a transição da Prelazia Acre-Purus para a Diocese de Rio Branco , consolidando uma nova etapa da organização da Igreja Católica no estado.

Entre as principais iniciativas do religioso estiveram a criação da Pastoral da Juventude e da Pastoral Indigenista , a formação de agentes pastorais e a reorganização de paróquias e comunidades em cinco regiões pastorais.

O período também foi marcado pela atuação da Igreja em questões sociais. Dom Moacyr promoveu movimentos em defesa dos direitos dos indígenas, estudantes, professores e outras categorias profissionais, em um contexto de conflitos de terra e violência no Acre. Em 1998, ele deixou a Diocese de Rio Branco após ser nomeado arcebispo de Porto Velho, em Rondônia.

Dom Joaquín ficou 27 anos à frente da diocese

Em 1999, Dom Joaquín Pertíñez assumiu a Diocese de Rio Branco. O religioso permaneceu no cargo até 2026, completando 27 anos à frente da instituição. Durante sua gestão, foram criadas a Escola Diaconal e novas pastorais, além da reorganização de paróquias e comunidades.

Joaquín também promoveu Santas Missões Populares, criou e ampliou obras sociais e incentivou cursos de formação bíblica e missionária. Outro trabalho desenvolvido ao longo do período foi a formação de novos padres diocesanos.

A saída de Dom Joaquín ocorreu após um pedido de renúncia motivado por problemas de saúde , aceito pelo Papa Leão XIV em 1º de julho deste ano. Ele passou a ser bispo emérito.

Dom Antônio inicia novo capítulo

Após a renúncia de Dom Joaquín, Dom Antônio Fontinele de Melo assumiu a administração apostólica da Diocese de Rio Branco em 12 de julho . Na época, ele ainda era bispo titular da Diocese de Humaitá, no Amazonas, e ficou responsável pela condução da instituição acreana durante o período de transição.

Mais de dois meses depois, em 18 de setembro, o Papa Leão XIV o nomeou oficialmente como novo bispo de Rio Branco . Com a decisão, Dom Antônio deixa a diocese amazonense para assumir definitivamente a Igreja Católica na capital acreana.

Nascido em 9 de maio de 1968, em Camocim, no Ceará, ele foi ordenado diácono em novembro de 1998 e padre em setembro de 1999. Antes de ser nomeado bispo de Humaitá, em 2020, atuou em diferentes funções na Arquidiocese de Porto Velho, incluindo como pároco, coordenador de pastoral e professor de Teologia.

A nomeação foi saudada pela Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), que destacou a nova missão do religioso no Acre e agradeceu os seis anos de trabalho à frente da Diocese de Humaitá.

Catedral é palco da posse

A escolha da Catedral Nossa Senhora de Nazaré para a solenidade deste domingo tem um significado que vai além da estrutura física da igreja. O templo é considerado a igreja-mãe da diocese e representa simbolicamente a unidade das comunidades católicas que integram a instituição.

Segundo o padre Manoel, reitor da catedral, é justamente por esse simbolismo que a posse de um novo bispo ocorre nesse espaço.

“A catedral tem um simbolismo muito importante no conjunto da diocese. Para a gente fazer uma comparação, um corpo sem uma cabeça é uma coisa anormal. Uma diocese sem uma catedral é uma coisa acéfala. Então não tem cabeça. O bispo representa a cabeça da diocese. É simbólico e natural que a posse, o dia que ele toma possessão dessa igreja particular, seja na igreja catedral”, explicou.

A organização também prepara uma estrutura na área externa, com tendas e um telão para os fiéis que não conseguirem acompanhar a solenidade dentro da igreja.

“Todos os padres, freiras, seminaristas, diáconos, paróquias, comunidades [estarão presentes]. Então será um dia festivo. Será montado um grande telão lá fora, junto às tendas, com uma estrutura para acolher os fiéis”, afirmou o padre.

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