Família denuncia demora no atendimento de Davi Lucca, de 1 ano e 9 meses; Prefeitura de São José da Lapa e Polícia Civil investigam o caso
Minas Gerais | Cler Santos, do R7 e Alice Brito, da RECORD Minas
07/11/2026 - 02h00 (Atualizado em 07/11/2026 - 02h00 )
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“Ele estava morto no meu colo.” O relato emocionado é de Cassandra Lopes, mãe do pequeno Davi Lucca Gonçalves de Araújo , de 1 ano e 9 meses, que morreu após dar entrada no Centro de Saúde Municipal Dr. Luiz Issa, em São José da Lapa, na Região Metropolitana de Belo Horizonte . A criança morreu na quarta-feira (4) e foi sepultada nessa quinta-feira (5). A família denuncia demora no atendimento médico e questiona as circunstâncias da morte .
Segundo a mãe, Davi, que tinha um irmão gêmeo, não apresentava problemas de saúde anteriores e estava com o cartão de vacinação em dia. Na manhã de quarta-feira, o menino começou a apresentar vômitos e dificuldades para respirar e foi levado à unidade de saúde.
“Meu filho não estava doente, ele não saiu daqui doente. Nunca deixei de dar uma vacina. Desde quando eu estava grávida, eu tomei a vacina da bronquiolite”, contou Cassandra.
A mãe afirma que, mesmo com a piora do estado de saúde da criança, precisou esperar pelo atendimento. Segundo ela, Davi chorava, demonstrava sentir dores e pedia água enquanto aguardava a avaliação médica.
“Ele estava chorando, gritando: ‘Ai, ai, ai, mamãe’, e só pedindo água. Aí o porteiro falou que o médico não podia atender porque estava com paciente. Eu gritei: ‘Mas meu filho está passando mal aqui’. E fiquei uma hora lá”, relatou.
Cassandra conta que o menino perdeu a consciência enquanto era examinado pelo médico. Para ela, o filho já estava morto naquele momento.
“Na hora que ele foi colocar [o aparelho] no coração dele, o Davi desmaiou no meu colo. Mas ele não desmaiou, ele já estava morto. Ele morreu no meu colo. Ele olhou para o meu olho e falou: ‘Mamãe’, e desmaiou. A boca dele ficou toda roxa. Aí eu gritei: ‘Gente, meu filho está morrendo, pelo amor de Deus’”, relembrou.
A declaração de óbito emitida inicialmente pela unidade de saúde apontou parada cardiorrespiratória provocada por insuficiência respiratória e bronquiolite viral aguda. A família, no entanto, questiona o diagnóstico e a assistência prestada à criança.
Após a morte, o corpo de Davi foi encaminhado ao Instituto Médico Legal (IML) de Belo Horizonte , onde passou por perícia. Uma nova declaração de óbito foi emitida pelo médico legista, informando que ainda são necessários exames complementares para determinar a causa da morte.
Prefeitura investiga atendimento
A Prefeitura de São José da Lapa informou que instaurou um procedimento administrativo para apurar as circunstâncias da morte e a conduta dos profissionais envolvidos.
De acordo com a administração municipal, os registros das câmeras de segurança da unidade mostram que a família chegou ao centro de saúde às 9h39. A triagem foi realizada às 9h53 e o primeiro atendimento médico ocorreu às 10h18. Quatro minutos depois, às 10h22, Davi foi encaminhado à sala de urgência, onde foram iniciados procedimentos de emergência e reanimação.
Ainda segundo a prefeitura, uma equipe do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) chegou à unidade às 11h35. A morte foi declarada às 12h34.
A Secretaria Municipal de Saúde explicou que a unidade utiliza o Protocolo de Manchester, responsável pela classificação de risco e definição da prioridade dos atendimentos. A prefeitura informou que será realizada uma auditoria clínica do prontuário para verificar se os sintomas apresentados pela criança foram avaliados corretamente e se os procedimentos adotados foram adequados.
As oitivas dos profissionais envolvidos já começaram. A administração municipal afirmou que acompanha as investigações e que adotará as providências cabíveis após a conclusão das apurações.
Polícia Civil também investiga o caso
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou que instaurou um procedimento investigativo para esclarecer as circunstâncias da morte de Davi Lucca.
Enquanto aguarda respostas, Cassandra cobra esclarecimentos sobre o atendimento prestado ao filho. A mãe afirma que chegou a questionar o médico após ser informada da morte da criança.
“Ele falou: ‘Seu filho morreu, mamãe, me desculpa. Eu fiz de tudo, mas ele morreu’. Aí eu falei: ‘Se você tivesse feito de tudo, você tinha salvado meu filho, porque meu filho chegou vivo aqui’”, contou.
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