Belo Horizonte – A derrota de Flávio Bolsonaro (PL) para Lula (PT) na eleição de domingo está provocando uma busca por responsáveis ou mesmo “culpados” dentro da direita e Minas Gerais é um dos focos desse movimento .
Depois de o candidato a presidente do PL perder no estado uma vantagem de quase 600 mil votos construída no primeiro turno, as críticas se voltam principalmente para o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e para o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG), vistos como grandes ativos eleitorais da direita.
A expectativa sobre Cleitinho e Nikolas vinha do tamanho de vitória de ambos no primeiro turno e por ambos serem fenômenos das redes sociais.
Cleitinho foi eleito governador no primeiro turno com 55,4% dos votos válidos — mais de 6,2 milhões de votos — e construiu uma votação espalhada por diferentes regiões de Minas. Aliados de Flávio esperavam esse capital político a serviço da campanha presidencial, sobretudo depois de o próprio Cleitinho declarar apoio ao candidato do PL. Sua participação, porém, permaneceu discreta até o último ato da campanha, em Belo Horizonte.
Nikolas foi reeleito deputado federal com mais de 3 milhões de votos e tornou-se o parlamentar mais votado da história do país. O resultado, somado à sua audiência nas redes, alimentou a expectativa de que ele ajudasse a ampliar a vantagem de Flávio em Minas .
“Corpo mole”
Cleitinho é acusado por parte do PL de ter entrado tarde e de forma tímida na campanha de Flávio, apesar de ter declarado apoio a Flávio. Há quem aponte que o governador eleito atendeu a pedido de Lula para “ficar quietinho” em troca de uma boa relação futura.
Em uma crítica mais aberta, o vereador de Divinópolis Flávio Marra (PRD) afirmou que Cleitinho “se acovardou” quando a família Bolsonaro precisou dele . O governador eleito passou boa parte do segundo turno distante da campanha e dizia que procuraria o vencedor da eleição independente de quem fosse.
Nikolas atrapalhou?
Nikolas, que se tornou um dos principais cabos eleitorais de Flávio no país ao longo da campanha, também passou a ser questionado .
Nos bastidores, aliados avaliam que um vídeo produzido pelo deputado sobre o Nordeste teve repercussão negativa na região e que os “bloquinhos 22” mobilizaram apoiadores, mas deixaram pouco espaço para apresentar propostas e conquistar indecisos .
Eduardo Cunha (Republicanos), que não se elegeu deputado por Minas, em artigo no Poder 360 classificou o protagonismo entregue a Nikolas como o “maior erro” do segundo turno e criticou a transformação dos atos em eventos semelhantes a blocos de carnaval.
Voltam a ganhar força ainda as críticas na linha de que Nikolas teria uma agenda própria e planos para se descolar do bolsonarismo no futuro.
As críticas ainda fazem parte da disputa de versões que se abriu depois da eleição. Flávio saiu do primeiro turno com 48,24% dos votos em Minas, contra 43,33% de Lula, mas terminou o segundo atrás do petista por 50,43% a 49,57%.

