A televisão brasileira está de luto. Nilton Travesso, um dos diretores mais importantes da história do entretenimento nacional, morreu nesta sexta-feira (6), aos 92 anos, em São Paulo. Com uma carreira de mais de sete décadas, o profissional esteve por trás de programas e novelas que conquistaram diferentes gerações de telespectadores.

Segundo informações divulgadas pelo SBT, a causa da morte foi uma infecção generalizada. O diretor estava internado no Hospital Sírio-Libanês, na capital paulista.

Ao longo de sua trajetória, Travesso acumulou passagens por emissoras como Record, Globo, Manchete, Band e SBT, deixando sua marca em atrações como Fantástico , TV Mulher , Balão Mágico e Éramos Seis .

Início da carreira e trajetória na Record

Nilton Travesso começou sua história na televisão na década de 1950, período em que o veículo ainda dava seus primeiros passos no Brasil. Inicialmente interessado em cinema, ele acabou encontrando na TV uma oportunidade para desenvolver sua criatividade.

"Eu inaugurei a TV Record", declarou o diretor em uma entrevista ao Notícias da TV, ao recordar sua participação nos primeiros anos da emissora.

Contratado pela Record em 1953, ele participou da produção de teleteatros, novelas e atrações de variedades. Também trabalhou com personalidades como Jô Soares, Silveira Sampaio e Cidinha Campos.

Travesso integrou a chamada Equipe A, liderada por Antônio Augusto Amaral de Carvalho, o Seu Tuta. O grupo, que também reunia Manoel Carlos e Raul Duarte, esteve envolvido em produções importantes, como o Show do Dia 7 e os festivais de música popular brasileira da década de 1960.

O diretor ainda teve participação fundamental na consolidação da carreira televisiva de Hebe Camargo.

Sucessos na Globo e revolução na televisão

Em 1974, Nilton Travesso chegou à Globo e passou a integrar a equipe responsável pelo desenvolvimento do Fantástico , programa que se tornaria uma das atrações mais tradicionais da emissora.

Durante esse período, contribuiu para a modernização da linguagem audiovisual da televisão brasileira, participando da criação de formatos inovadores, incluindo a produção do primeiro videoclipe exibido pelo programa.

O profissional também esteve envolvido em atrações como TV Mulher e Balão Mágico , que fizeram sucesso e se tornaram referências em seus respectivos segmentos.

Passagem pela Manchete e novelas do SBT

Em 1987, Travesso assumiu o desafio de ajudar a estruturar o departamento de teledramaturgia da extinta TV Manchete. Sua atuação contribuiu para o desenvolvimento de produções que marcaram época, entre elas Pantanal , escrita por Benedito Ruy Barbosa e exibida originalmente em 1990.

Anos depois, o diretor levou sua experiência para o SBT, onde participou do fortalecimento do núcleo de novelas da emissora de Silvio Santos .

Entre os trabalhos de destaque estão Éramos Seis , de 1994, As Pupilas do Senhor Reitor e Sangue do Meu Sangue .

Travesso também teve participação na programação infantil do canal, contribuindo para a criação e estruturação do Bom Dia & Cia , inicialmente apresentado por Eliana, e da Sessão Desenho no Sítio da Vovó , comandada pela personagem Vovó Mafalda.

Mudança para os Estados Unidos e últimos trabalhos

Após sofrer um assalto em sua residência, Nilton Travesso decidiu passar uma temporada nos Estados Unidos, onde viviam sua filha e seus netos.

Durante sua permanência em Los Angeles, chegou a desenvolver um projeto cinematográfico inspirado na novela Éramos Seis , ao lado do genro. A produção, entretanto, não saiu do papel.

Posteriormente, retornou ao Brasil e continuou atuando no mercado audiovisual. Entre seus trabalhos mais recentes estão atividades de direção e supervisão de programação na Jovem Pan.

O profissional também se dedicou à formação de novos talentos por meio de uma oficina de atores que levava seu nome.

Velório e despedida

O velório de Nilton Travesso está previsto para este sábado (7), das 10h às 17h, no bairro da Bela Vista, região central de São Paulo.

Com sua morte, a televisão brasileira perde um de seus principais pioneiros, responsável por contribuir para a criação de formatos, programas e novelas que ajudaram a construir a história do entretenimento no país.