Moradores protestaram por reparação e denunciaram problemas estruturais no reassentamento de Bento Rodrigues
Minas Gerais | Cler Santos, do R7 e Juliana Pereira, da RECORD Minas
06/11/2026 - 02h00 (Atualizado em 06/11/2026 - 02h00 )
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O rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, na região Central de Minas Gerais , completou 11 anos nesta quinta-feira (5), marcado pela dor das famílias que perderam parentes e pela luta dos atingidos por reparação. A tragédia , ocorrida em 5 de novembro de 2015 , deixou 19 mortos, destruiu comunidades inteiras e afetou mais de 600 mil pessoas .
Entre os atingidos está a dona de casa Pâmela Fernandes, que perdeu a filha Emanuele, de apenas cinco anos. Moradora de Bento Rodrigues na época do rompimento, ela conta que a data traz lembranças dolorosas de tudo o que perdeu.
“O dia de hoje é bem difícil pra mim, porque além de ter perdido meu lugar, minha casa, minhas lembranças e toda minha vida que eu tinha lá, eu perdi o que tinha de mais valioso, que era minha filha Emanuele, que só tinha 5 aninhos. A empresa não teve misericórdia de ninguém!”, desabafou.
Pâmela não se mudou para o reassentamento de Novo Bento Rodrigues , onde vivem alguns familiares. Segundo ela, a decisão foi motivada pela sensação de que jamais conseguiria reconstruir a vida que tinha antes da tragédia.
“O reassentamento não foi uma opção pra mim, porque eu sempre imaginei que não seria a mesma coisa e que eu não seria feliz lá e talvez em lugar nenhum”, relatou.
Moradores protestam e cobram reparação
Na manhã desta quinta-feira (5), moradores e atingidos pelo rompimento realizaram um protesto na entrada do reassentamento de Novo Bento Rodrigues. O grupo ocupou a pista com faixas e bloqueou a passagem de veículos para cobrar o cumprimento dos compromissos assumidos pelas mineradoras.
A manifestação reuniu crianças, idosos e familiares das vítimas, enquanto viaturas policiais acompanhavam a mobilização.
Entre as principais reclamações estão problemas estruturais nas casas, obras inacabadas e a necessidade de reparos nas moradias, mesmo após a Samarco informar que os trabalhos haviam sido concluídos.
Os manifestantes também cobram o pagamento de multas pelo atraso na entrega das obras. Segundo os atingidos, dois anos após a assinatura do novo acordo de reparação, nenhuma família recebeu a indenização relacionada a esse compromisso.
O novo acordo, firmado entre as mineradoras Samarco, Vale e BHP Billiton e o poder público, prevê R$ 169 bilhões em ações de reparação e compensação pelos danos causados pelo rompimento . Desse total, R$ 100 bilhões serão repassados a estados e municípios atingidos.
De acordo com a Defensoria Pública de Minas Gerais, a atuação do órgão permitiu que mais de 29 mil famílias tivessem acesso a indenizações relacionadas aos danos no abastecimento de água. O acordo também estabeleceu o Programa de Indenização Definitiva (PID), voltado aos atingidos que ainda aguardam compensação, além de um programa de transferência de renda para moradores de Mariana.
Apesar dos avanços anunciados, famílias continuam cobrando o cumprimento integral das medidas previstas.
Movimento cobra compromissos do próximo governo de Minas
O Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB) também organiza mobilizações em memória das vítimas e em defesa dos direitos das comunidades afetadas.
Segundo Joceli Andrioli, integrante da Direção Nacional do movimento, um documento será entregue à equipe de transição do governador eleito de Minas Gerais, com reivindicações relacionadas às dívidas sociais e ambientais deixadas por desastres envolvendo barragens no estado.
“Nós sabemos que o governo Zema não fez nenhuma proposta robusta para os atingidos e nenhuma forma de participação social abrangente nesse período, então a pauta é extensa e nós queremos, a partir desse documento, abrir um processo de diálogo permanente com a equipe de transição e depois com o governador e sua equipe para avançarmos nos direitos dos atingidos em todas as regiões de Minas”, afirmou Joceli.
O representante também defendeu que a próxima gestão estadual priorize a participação das comunidades atingidas nas decisões sobre reparação.
“O governo eleito herda um passivo social e ambiental profundo. A nova gestão tem agora a oportunidade histórica de romper com esse ciclo de descaso e colocar as vidas humanas e o meio ambiente acima dos interesses do setor minerário”, destacou.
Em nota divulgada nesta quinta-feira, o Governo de Minas manifestou solidariedade aos familiares das vítimas e reafirmou o compromisso com a reparação dos danos provocados pelo rompimento da barragem de Fundão e com a execução do Acordo do Rio Doce.
Em nota, a Samarco informou que, desde o rompimento da barragem de Fundão, em 2015, mais de 648 mil pessoas foram indenizadas e R$ 82,6 bilhões foram destinados às ações de reparação. A empresa destacou que o Novo Acordo do Rio Doce, homologado pelo STF em 2024, prevê R$ 170 bilhões para reparação e compensação dos danos.
Segundo a mineradora, os reassentamentos de Novo Bento Rodrigues e Paracatu foram concluídos, com 395 obras entregues, incluindo moradias e estruturas públicas. A Samarco afirmou ainda que continuará oferecendo suporte técnico para eventuais problemas nas construções pelo prazo de cinco anos após a entrega das chaves.
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