O papa Leão XIV pediu, neste domingo (1º/11), que a cooperação entre Rússia e Ucrânia para viabilizar um cessar-fogo na cidade de Oleshky, no sul ucraniano, seja como um impulso para novas iniciativas de paz . O local, ocupado por forças russas, foi palco de uma operação humanitária para retirada de civis e entrega de suprimentos .

Durante a oração do Angelus, no Vaticano, o pontífice destacou que a colaboração entre os dois países tornou possível a ação e manifestou esperança de que o gesto contribua para a retomada do diálogo.

“Espero que a colaboração entre as partes, que tornou possível esse gesto humanitário tão necessário, faça crescer a vontade de diálogo e leve a novas iniciativas concretas de paz”, afirmou.

O cessar-fogo foi anunciado em 23 de outubro e contou com a mediação dos Estados Unidos , com participação da primeira-dama norte-americana, Melania Trump; e o envolvimento do Vaticano. A trégua permitiu a retirada de moradores e o acesso à ajuda humanitária em uma cidade atingida pela escassez de alimentos, medicamentos, água e energia elétrica.

A operação de evacuação foi concluída nos últimos dias. Antes da guerra, Oleshky tinha cerca de 24 mil habitantes. Atualmente, aproximadamente 2 mil pessoas permaneciam na cidade, entre elas cerca de 50 crianças.

A pausa nas hostilidades, considerada a mais longa desde o início da invasão russa em larga escala, tem previsão de término nesta segunda-feira (2/11).

Contatos com Vaticano

Leão XIV conversou por telefone com Putin em 16 de outubro e, posteriormente, também falou com Zelensky . Na ocasião, pediu uma trégua que permitisse a entrada de ajuda alimentar e médica em Oleshky, além da retirada voluntária e segura dos moradores.

Segundo o Kremlin, Putin manifestou apoio à iniciativa humanitária do Vaticano e disposição para cooperar com o fornecimento de assistência à população civil. Na terça-feira (27/10), o ministro das Relações Exteriores do Vaticano, o arcebispo Paul Gallagher, afirmou que, apesar dos contatos recentes do papa com os dois presidentes, não acreditava que a Santa Sé tivesse participado diretamente das negociações que resultaram no cessar-fogo de seis dias.

“Putin aceitaria conversar com Zelensky”

Também neste domingo, o assessor do Kremlin, Yury Ushakov, afirmou que o presidente russo, Vladimir Putin, nunca se recusou a conversar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky . Questionado sobre a possibilidade de Putin atender a uma ligação do líder ucraniano, ele respondeu que o presidente russo aceitaria o contato.

O assessor, porém, reiterou que Zelensky poderia viajar a Moscou caso desejasse uma reunião presencial. Ele acrescentou que Zelensky tem enviado sinais por diferentes canais e afirmou que o presidente ucraniano estaria livre para ir à capital russa se realmente quisesse negociar.