O vereador Helinho da Farmácia (PSD) confirmou nesta terça-feira (03/11) a intenção de ser pré-candidato a presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte, eleição que acontece em 12 de dezembro.

O parlamentar integra a base do prefeito Álvaro Damião (União).

O chefe do Poder Executivo municipal ainda não decidiu quem irá apoiar na disputa, conforme informou o líder de Governo, Bruno Miranda (PDT).

Porém, a votação de um veto de Damião na Casa na tarde de hoje deixou claro, no mínimo, a busca de um entendimento para que Helinho seja o candidato do prefeito no pleito.

O veto foi a um projeto de lei do próprio possível candidato a presidente da Casa.

O texto previa a alienação de um terreno de 802,5 metros quadrados no Barreiro, uma área ocupada há 30 anos.

Na justificativa da proposição, Helinho apontou que, mesmo após tanto tempo, a prefeitura não deu uma destinação social ao terreno.

Por isso, dentro do projeto de lei que apresentou, buscou a alienação do imóvel para regularização da ocupação.

Ao vetar o projeto, o prefeito disse que isso não poderia ocorrer porque a área tinha potencial para abrigar equipamentos urbanos, como posto de saúde ou unidades habitacionais.

O encaminhamento de um possível acordo sobre a presidência da Casa ficou evidente porque o veto do prefeito foi mantido contando, inclusive, com o voto de Helinho, que justificou a decisão: "houve um entendimento com a prefeitura, que se comprometeu a construir um conjunto habitacional na área", disse o parlamentar.

O vereador afirmou também que os moradores da ocupação deixarão o terreno, mas receberão uma indenização da prefeitura.

Dos 41 vereadores da Câmara, 37 votaram pela manutenção do veto.

Não houve votos "não" nem abstenções.

Antes da votação, ao confirmar à reportagem a possibilidade de sua pré-candidatura, Helinho disse ser necessária discussão com os colegas, e que isso irá demandar tempo. "Tem que conversar muito.

Normalmente a definição das candidaturas acontece na última semana antes da eleição", disse.

No início da sessão, o vereador, que costuma ter atuação discreta na Casa, foi cumprimentado por quatro parlamentares em menos de cinco minutos.

Por um, Pedro Patrus (PT), foi chamado de "presidente".

Questionado se já havia uma decisão de pelo menos parte da Casa sobre apoio ao pré-candidato, Patrus desconversou.

Gato escaldado

O prefeito Álvaro Damião tende a conduzir com cuidado as articulações para tentar emplacar um aliado no comando da Câmara dos Vereadores.

Na última disputa pelo comando da Casa, em fevereiro de 2025, Damião foi derrotado em momento delicado vivido pelo governo municipal, pela internação do prefeito eleito, Fuad Noman.

Vice na chapa vitoriosa em 2024, o atual prefeito assumiu as articulações na eleição para a presidência da Casa.

Colocou na disputa o vereador Bruno Miranda (PDT), que foi derrotado pelo atual chefe do Poder Legislativo municipal, Juliano Lopes (Podemos).

A disputa acabou gerando atrito entre o grupo de Lopes na Casa, chamado Família Aro, por ter como líder o ex-secretário de estado de Governo, Marcelo Aro, e a prefeitura.

Em meados de 2025, no entanto, o embate foi dissipado e Damião passou a contar com integrantes da Família Aro na sua base na Câmara, situação que perdura ao menos até o momento.

O grupo ligado a Aro, pelo menos por enquanto, não decidiu se irá voltar a apresentar um nome para a disputa pela chefia do Legislativo municipal.

Além de Helinho da Farmácia, até agora, o outro vereador que demonstrou interesse em disputar o comando da Câmara foi Diego Sanches (Solidariedade) também da base do prefeito.