O temporal que atingiu Minas Gerais nesse domingo (25) provocou impactos históricos no sistema elétrico da Cemig e deixou 231 mil clientes sem energia nesta segunda-feira (26).
No pico da ocorrência, às 13h30 de domingo, 640 mil unidades consumidoras tiveram o fornecimento interrompido em todo o Estado.
Belo Horizonte foi a região mais afetada, com 221 mil clientes sem luz no momento mais crítico.
Nesta segunda-feira, o número caiu para 45 mil na capital. “Ontem, nós tivemos um evento climático severo, algo histórico na companhia.
Os impactos para o sistema elétrico foram grandes”, afirmou o vice-presidente de Distribuição da Cemig, Ernando Braga.
Na Região Metropolitana de Belo Horizonte, o número de clientes sem energia passou de 380 mil, no pico, para 98 mil nesta segunda-feira.
Em Minas Gerais, a redução foi de 640 mil para 231 mil unidades consumidoras afetadas.
Segundo Braga, as equipes da companhia atuam para restabelecer o fornecimento, mas parte dos trabalhos depende da retirada de árvores que caíram sobre a rede elétrica.
A operação é realizada em conjunto com as prefeituras, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros. “Hoje, durante o dia, temos um grande trabalho com a prefeitura, a Defesa Civil e o Corpo de Bombeiros para retirar as árvores que estão sobre a rede”, explicou.
A rua Flor dos Angelis, no bairro Nova Gameleira, na região Oeste de Belo Horizonte, é um dos pontos atingidos.
O local teve a queda de uma árvore de grande porte sobre a rede elétrica, que provocou a quebra de três postes e danificou a estrutura.
De acordo com o vice-presidente, a remoção da árvore é necessária para que os reparos sejam concluídos e o fornecimento, restabelecido.
Moradora da rua, Izamara Rodrigues, de 31 anos, lamenta o ocorrido. “Desde o início da chuva de ontem estamos sem luz.
Tenho dois filhos, de seis e dois anos.
O mais velho é especial, então é difícil ficar sem energia”, explica.
Segundo ela, a falta de eletricidade impede que as crianças assistam à televisão e tomem banho quente, além de comprometer a conservação de medicamentos que precisam ser mantidos sob refrigeração.
Ventos atingiram 150 km/h
A intensidade dos ventos contribuiu para os danos registrados em diferentes regiões do Estado.
Conforme Braga, houve registros de ventos de 150 km/h em Patos de Minas, no Alto Paranaíba, e de 90 km/h em Belo Horizonte e na Região Metropolitana. “Árvores são arremessadas sobre a rede, assim como telhados de zinco e outros objetos.
Isso traz, naturalmente, grandes danos ao nosso sistema elétrico”, disse.
O vice-presidente destacou ainda que a manutenção preventiva realizada pela companhia antes do período chuvoso contribui para reduzir os impactos.
Entre maio e setembro, a Cemig realiza serviços como poda de árvores, limpeza de faixas e manutenção de estruturas. “O evento poderia ter sido mais danoso se não houvesse o investimento de mais de R$ 1 bilhão em manutenção preventiva.
Só para vocês terem uma ideia, nesse período, podamos mais de 900 mil árvores no Estado como um todo. É um recorde na história da companhia”, afirmou.
Apesar das ações preventivas, Braga ressaltou que o temporal atingiu diferentes regiões mineiras, com impactos que avançaram do Sul de Minas para o Triângulo, o Oeste e a região da Mantiqueira, antes de atingir com maior intensidade a Região Metropolitana no fim da tarde. “Em tempos anteriores, a gente tinha eventos climáticos muito pontuais, que atingiam a Região Metropolitana ou alguma parte do Estado.
Dessa vez, o evento trouxe impacto para grande parte de Minas Gerais”, explicou

