O advogado e assistente de acusação Felipe Henrique afirmou que tem boas expectativas para o julgamento de Welbert de Souza Fagundes , acusado de matar o sargento Roger Dias da Cunha no dia 5 de janeiro de 2024, no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte, marcado para esta segunda-feira (9) . De acordo com Felipe Henrique, Welbert cometeu um crime contra a sociedade e deverá ser responsabilizado por isso.
"O disparo feito contra o Roger Dias não foi contra o Roger Dias, foi contra a sociedade. Ele estava ali representando a Polícia Militar do Estado de Minas Gerais. Ele estava ali defendendo a sociedade, inclusive honrando um juramento, que era defender a sociedade, nem que para isso custasse sua própria vida, e que infelizmente aquele dia custou", afirmou.
Ainda segundo o advogado, o sargento havia recebido um chamado para dar apoio a uma ocorrência de assalto. A princípio, houve uma perseguição, e Welbert chegou a disparar contra a guarnição.
"Uma primeira viatura começou a perseguição. A guarnição do sargento Roger Dias foi dar apoio e, infelizmente, ele se deparou com o Welbert. Ou seja, ele já havia disparado contra a guarnição do sargento Roger Dias. O sargento Roger Dias já estava com a excludente de ilicitude da legítima defesa debaixo do braço. Ele já estava amparado juridicamente, mas ele ainda assim preferiu poupar a vida do Welbert. O Welbert não pensou um segundo em poupar a vida dele. O Welbert então, finge que vai se entregar, levanta a mão direita e com a mão esquerda dispara duas vezes contra o rosto do sargento Roger Dias", disse.
Segundo o Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), foram consideradas qualificadoras recurso que dificultou a defesa da vítima, ação para assegurar a impunidade de outro delito e crime contra agente de segurança no exercício da função. Welbert irá a júri popular e será julgado pelo homicídio do sargento e tentativa de homicídio contra outro policial no mesmo dia.
Relembre o crime
O crime, que ganhou grande repercussão, ocorreu em 5 de janeiro, no bairro Novo Aarão Reis, na Região Norte de BH. Segundo o Ministério Público (MPMG), tudo começou quando a polícia recebeu a informação de que dois homens armados, em um Fiat Uno prata roubado, circulavam pela cidade. O carro era dirigido por Geovanni Faria de Carvalho, com Welbert no banco do passageiro.
Os policiais tentaram parar o veículo, mas Geovanni não obedeceu e fugiu em alta velocidade. Durante a perseguição, ele bateu em uma motocicleta e atropelou um homem, que foi arremessado para cima do carro. Mesmo assim, continuou dirigindo até bater em um poste. A vítima foi socorrida e sobreviveu.
Após a batida, Welbert e Geovanni fugiram a pé. Na sequência, o sargento Roger Dias encontrou Welbert e ordenou que ele se rendesse. Nesse momento, Welbert tirou uma arma do bolso e atirou na cabeça do policial. Mesmo com o sargento caído, fez outro disparo.
Outro militar tentou intervir, mas também foi alvo de tiros, que não o atingiram. Ele revidou e baleou Welbert, que foi preso no local com a arma usada. O sargento Roger Dias chegou a ser socorrido, mas não resistiu.
Enquanto isso, a polícia continuou as buscas por Geovanni. Ele foi encontrado escondido na laje de um comércio e atirou contra quatro policiais, mas errou todos os disparos. Mesmo ferido após o revide, conseguiu correr para uma mata próxima, onde acabou preso. De acordo com a denúncia, os ataques tiveram o objetivo de evitar a prisão pelo roubo do carro.
Geovanni Faria de Carvalho, acusado de participar da morte do sargento Roger Dias e de tentar matar outros policiais em 2024, foi condenado a 13 anos e sete meses de prisão em regime fechado.

