O ex-presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte Gabriel Azevedo (MDB) quer explicações do atual chefe da Casa, Professor Juliano Lopes (Podemos), sobre as mensagens divulgadas entre o ex-banqueiro Daniel Vorcaro e o ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro (PP).
Azevedo protocolou pessoalmente nesta sexta-feira (6) um requerimento na Ouvidoria da Câmara.
O documento está sob os cuidados do vereador Bráulio Lara (Novo).
Com 32 páginas, o requerimento reúne 63 pedidos de esclarecimento e 81 solicitações de documentos ao atual presidente da CMBH.
O caso veio à tona nessa quinta-feira, após o Metrópoles publicar trechos de uma conversa entre Aro e Vorcaro, extraída do whatsapp do ex-dono do Banco Master pela Polícia Federal.
O TEMPO também teve acesso ao material e mostrou que Aro agradeceu Vorcaro e se colocou à disposição do empresário. "Sem você não teríamos conseguido o resultado que conseguimos", escreveu o ex-secretário, em 7 de outubro de 2024, ao destacar a votação expressiva recebida pela mãe, a vereadora Professora Marli (PP).
Já em 2 de janeiro de 2024, Aro agradeceu o apoio e citou a vitória de Juliano Lopes para a presidência da Câmara.
"Além de eleger minha mãe e o nosso grupo de vereadores, elegemos o presidente da Casa.
Essa última disputa era a mais importante e, claro, a mais difícil.
Eu te prometi que iríamos vencer e vencemos", digitou o ex-secretário a Daniel Vorcaro.
No diálogo, Aro ainda se colocou à disposição do ex-banqueiro.
“Conte comigo, com nosso grupo político e com a Câmara Municipal”.
No requerimento apresentado por Gabriel, Juliano é questionado se Aro tinha autorização para falar em nome da Câmara Municipal de Belo Horizonte, se a presidência da Câmara tinha conhecimento da declaração e se algum compromisso institucional foi assumido.
Caso tenha existido compromisso, Gabriel pediu a identificação de seu conteúdo, de responsáveis e dos atos relacionados a ele.
Gabriel ainda solicita que Juliano esclareça se conhece a composição do grupo de 15 vereadores referido por Aro e quais desses vereadores estão entre os 23 votantes que elegeram a chapa que venceu a disputa da Mesa Diretora em 1º de janeiro de 2025.
O grupo, em questão, diz respeito à Família Aro, conjunto de vereadores que integram o grupo político encabeçado por Marcelo Aro.
“Qual foi a participação concreta de Marcelo Aro na formação da candidatura de Juliano Lopes à Presidência, na composição da chapa e na obtenção de apoio para a eleição de 1º de janeiro de 2025?
Identificar as tratativas conhecidas, seus participantes e os compromissos discutidos.
Que ações de Marcelo Aro foram objeto do agradecimento público do Presidente Juliano Lopes na ocasião da eleição?
O Presidente Juliano Lopes tinha conhecimento da participação de Daniel Vorcaro nesse apoio?
Em caso positivo, desde quando e por intermédio de quem?”, indagou Azevedo.
No documento, Gabriel também pede que Juliano explique se na construção das candidaturas dos 15 vereadores e à presidência da Casa houve articulação envolvendo bens, doações e outros recursos por Daniel Vorcaro.
Neste ponto, Gabriel pede que seja esclarecido quem teria recebido os benefícios e pede provas documentais.
Na representação, Gabriel Azevedo também diz que é necessário esclarecer se Aro e Vorcaro apresentaram demandas sobre contratos, nomeações, pautas, projetos de lei ou votações em curso na Câmara Municipal.
Neste sentido, o ex-presidente da CMBH pede acesso aos registros existentes como agendas, atas, comunicações, contratos e pareceres, além de informações sobre reuniões e acessos institucionais.
Processo contra Gabriel
Gabriel também colocou, no requerimento, pedidos de informações sobre os processos de cassação enfrentados por ele, em 2023, enquanto presidente da Câmara Municipal de Belo Horizonte.
O documento chama atenção para a coincidência entre 4 de dezembro de 2023, data em que Juliano Lopes conduziu a reunião de recebimento de uma denúncia contra Gabriel, e o primeiro contato da sequência de mensagens entre Aro e Vorcaro relatada pela imprensa.
A denúncia em questão foi apresentada pelo vereador Miltinho CGE e recebida pelo plenário naquela data.
Gabriel solicitou que Juliano esclareça se manteve conversas com Aro, Vorcaro ou intermediários sobre a apresentação, o recebimento e a condução dos processos de cassação.
Também questionou se houve discussão sobre a possibilidade de Juliano assumir antecipadamente a Presidência da Câmara em caso de afastamento ou cassação definitiva de Gabriel.
A reportagem procurou Juliano Lopes, que não se manifestou até a publicação da reportagem.
Nessa quinta-feira, ao ser questionado pela equipe de O TEMPO na CMBH, não quis comentar sobre o assunto e afirmou que os fatos já tinham sido esclarecidos por Marcelo Aro.
Veja o posicionamento de Marcelo Aro
"Em 2024 organizei um jantar em Belo Horizonte e convidei empresários, formadores de opinião e lideranças.
Ele esteve presente.
Na ocasião, pedi apoio a todos — financeiro, político e eleitoral — para elegermos um grande número de vereadores em BH, minha base eleitoral.
Todos se comprometeram a ajudar de alguma forma: alguns com apoio político-eleitoral, outros com apoio estratégico, alguns mobilizando outros empresários ou lideranças e alguns, inclusive, financeiramente.
Após a eleição, enviei a mesma mensagem, com texto-padrão, a todos que participaram do jantar, sejam os empresários, lideranças ou formadores de opinião, agradecendo pelos esforços individuais, já que cada um contribuiu de alguma forma.
Isso pode ser comprovado pelas demais mensagens que enviei no mesmo dia a inúmeras pessoas.
Para quem está na vida pública, é sempre importante construir e manter uma relação cordial com figuras de relevância social.
Vale lembrar que, em 2024, ele era um empresário conhecido e respeitado em Belo Horizonte, e não havia absolutamente nada que desabonasse sua conduta.
Ele me ligou e relatou que havia se divorciado e que, meses antes, tinha dado entrada em um processo no Estado para fazer a partilha de bens com a ex-esposa.
Disse que aguardava havia meses a emissão, pela Secretaria de Fazenda, da guia para pagamento dos impostos e conclusão do divórcio, mas que o Estado de Minas Gerais não a emitia.
Pediu que eu verificasse o processo e o motivo da demora.
Disse ainda que, se fosse demorar, faria o procedimento em São Paulo e pagaria os impostos lá, e não em Minas Gerais.
Liguei imediatamente para o Secretário de Fazenda, perguntei se ele tinha conhecimento do processo e comentei que era a primeira vez que alguém me ligava pedindo para pagar imposto.
O secretário disse que não sabia do caso e que verificaria o motivo da demora, já que a conclusão do processo geraria receita para o Estado.
Ele não me deu retorno, e eu não voltei a ser procurado sobre o assunto.
Por isso, não sei informar em que situação o processo se encontra hoje."

