Uma investigação de grandes proporções na Flórida terminou com 281 pessoas presas e colocou dois dos maiores complexos de entretenimento do mundo no centro de um caso envolvendo crimes sexuais contra crianças. Entre os detidos estão 13 funcionários do Walt Disney World Resort e outros quatro ligados à Universal Studios. A operação policial durou sete dias e teve como foco suspeitos que procuravam menores de idade para encontros com finalidade sexual, além de possíveis envolvidos em tráfico humano.

Segundo o xerife Grady Judd, do condado de Polk, 31 dos investigados viajaram até a região com a intenção de manter relações sexuais com crianças. Durante uma entrevista coletiva no sábado, 31 de outubro, o representante das autoridades apresentou detalhes da investigação e destacou a preocupação com a presença de funcionários de parques temáticos entre os suspeitos.

Funcionários da Disney e da Universal estão entre os detidos

De acordo com as autoridades, os 17 trabalhadores dos complexos de entretenimento estavam entre as pessoas alcançadas pela operação. Sete deles foram identificados pela polícia como suspeitos de crimes sexuais contra crianças.

A investigação também apontou situações envolvendo pessoas que exerciam atividades com contato direto com menores, incluindo profissionais ligados a equipes esportivas assim como grupos de torcida infantil.

Em declaração sobre a ação, o xerife Grady Judd demonstrou indignação com o perfil dos investigados e destacou a importância de operações desse tipo.

“É extremamente perturbador quando encontramos predatores infantis nojentos como estes que estão muito dispostos a fazer sexo com crianças. É por isso que conduzimos estes tipos de operações secretas. Durante a investigação, nós prendemos predadores que trabalhavam em parques temáticos locais e técnicos de futebol e de torcidas infantis. É por isso que é criticamente importante que os pais continuem a monitorar não apenas as atividades online de seus filhos, mas também a conhecer os adultos que estão na vida de seus filhos”.

‘Ex-Mickey Mouse’ também foi preso

Os investigadores organizaram encontros controlados para atrair os suspeitos. Nas conversas pela internet, os homens acreditavam estar negociando encontros com crianças ou adolescentes. Entretanto, encontravam policiais disfarçados.

Um dos detidos afirmou que já havia trabalhado no Walt Disney World interpretando o personagem Mickey Mouse. No momento da abordagem, carregava duas mochilas com fraldas. Durante as conversas com os investigadores, teria enviado uma mensagem com conteúdo sexual explícito:

“Gosto de ser fetichista e safadinho e podemos ser fetichistas e safadinhos juntos”, teria dito o homem aos detetives.

Outro funcionário da Disney também acabou preso. Ele ainda transportava o uniforme de trabalho dentro do carro quando tentou encontrar um policial que se apresentava como um garoto de 13 anos.

Técnico de futebol infantil e policial na investigação

A operação não ficou restrita aos parques temáticos. Um treinador do Davenport Titans, equipe infantil de futebol americano que também mantém um grupo de torcida, foi detido ao tentar marcar um encontro com uma suposta adolescente de 14 anos. O profissional trabalhava com meninos e meninas entre 11 e 14 anos.

Além dele, um oficial da Marinha em serviço também entrou na lista de detidos. Outro caso chamou a atenção das autoridades: Eric Raymond, policial que atuava em um distrito escolar do condado de Orange, acabou preso sob acusação de pagar por sexo.

O trabalho policial ainda alcançou suspeitos envolvidos em prostituição, exploração sexual, posse de drogas, porte ilegal de armas e outros delitos identificados no decorrer das apurações. Também apareceram registros relacionados a crueldade contra menores e roubo a banco.

Em outro pronunciamento, as autoridades ressaltaram que o conteúdo das conversas mantidas pelos investigados com as supostas vítimas era especialmente perturbador.

“As coisas que estes predadores dizem para crianças são vis, nojentas e não são adequadas para ninguém exceto detetives treinados lerem. E mesmo detetives treinados e experientes ficam enojados. Estes predadores precisam ser trancados e continuar trancados e distantes de crianças. Eu peço aos pais que, por favor, estejam envolvidos [na vida] de seus filhos e monitorem suas atividades online. Nós não podemos evitar que predadores alcancem nossos filhos, mas podemos educá-los e ser proativos para pegar o predador antes que eles possam aliciar ou violar nossas crianças.

Disney e Universal colaboraram com as autoridades

Segundo a polícia local, os dois complexos de entretenimento colaboraram com as investigações e desligaram os funcionários envolvidos. Os investigadores também apontaram que os suspeitos utilizavam plataformas digitais para procurar possíveis vítimas e organizar encontros.

Ao comentar o resultado da operação, o procurador-geral da Flórida, James Uthmeier, destacou que os investigados acreditavam que encontrariam crianças ou pessoas em situação de exploração sexual, mas acabaram diante de agentes policiais.

“Estes mais de 280 pervertidos achavam que iriam encontrar uma vítima, achavam que iam encontrar uma prostituta ou uma vítima de tráfico humano. Eles pensavam que iam se encontrar com menininhos e menininhas e, graças a Deus, neste caso, encontraram algemas, encontraram um detetive do outro lado, encontraram o fundo gelado e escuro de uma cela”, comemorou à Fox News.

A operação também teve desdobramentos migratórios. Entre os 281 detidos, 32 eram imigrantes em situação irregular nos Estados Unidos. Pelo menos metade deles inclusive seguiu para unidades de detenção do ICE, órgão responsável pela fiscalização migratória no país. De acordo com as autoridades, os investigados tinham origem em nove países, entre eles Cuba, Venezuela, México e Haiti.