O prefeito de Araxá, Robson Magela, publicou nas redes sociais um vídeo com fundo preto para se manifestar sobre a crise financeira enfrentada pela Santa Casa de Misericórdia e pela Casa do Caminho. Na gravação, o chefe do Executivo afirma que a instituição não vai fechar, cobra transparência na aplicação dos recursos públicos e anuncia uma auditoria mais aprofundada nas contas do hospital.

Robson Magela afirmou que a Prefeitura de Araxá investiu aproximadamente R$ 40 milhões na Santa Casa e na Casa do Caminho em 2025. Segundo ele, a previsão é de que o município alcance novamente esse valor em 2026. O prefeito comparou os repasses com os realizados pela administração anterior, que, conforme declarou, somaram R$ 4,5 milhões ao longo de quatro anos.

Diante dos valores apresentados, o prefeito questionou as reclamações sobre atrasos nos pagamentos de médicos e prestadores de serviços, além da falta de medicamentos.

"80 milhões de reais em dois anos, por que tantas reclamações? Salário de médico atrasado, falta de medicamento, atraso no salário do prestador de serviço da Santa Casa. Tem algo errado nisso aí", declarou.

O prefeito afirmou que solicitou à Procuradoria do Município uma auditoria mais aprofundada nas contas da instituição. Segundo ele, a intenção é verificar notas fiscais, cupons e procedimentos pagos com recursos públicos, além de conferir se os serviços foram efetivamente realizados.

Prefeito questiona execução de emendas parlamentares

Durante o pronunciamento, Robson Magela também questionou a utilização de recursos de emendas parlamentares destinadas à realização de procedimentos médicos.

O prefeito citou uma emenda de R$ 1 milhão, destinada pelo deputado federal Mário Heringer para zerar a fila de cateterismo. Segundo ele, nenhum procedimento teria sido realizado com esse recurso.

Outro questionamento envolve uma emenda de R$ 1,5 milhão, destinada pelo deputado Bosco para reduzir a fila de cirurgias de catarata. De acordo com Robson, pouco mais de 200 procedimentos foram realizados.

"Uma emenda de 1 milhão de reais para zerar a fila de cateterismo. Sabe quantas cirurgias foram feitas? Nenhuma. Cadê o dinheiro? Uma emenda do deputado Bosco de 1 milhão e meio para zerar a fila de cataratas. Foram feitos pouco mais de 200. Cadê o restante do dinheiro?", questionou.

O prefeito afirmou que eventuais irregularidades identificadas durante as auditorias serão encaminhadas à Polícia Civil, ao Ministério Público e aos demais órgãos competentes para investigação.

Conselho destituiu superintendente

Robson Magela também comentou a mudança na administração da Santa Casa e da Casa do Caminho. Segundo ele, o conselho da instituição destituiu o superintendente na semana anterior à publicação do vídeo.

O prefeito agradeceu aos integrantes do conselho pela parceria com o município e pela disponibilização de informações durante as tratativas envolvendo a situação do hospital.

Prefeito defende criação de hospital municipal

Ao final do pronunciamento, Robson Magela voltou a defender a construção de um hospital municipal em Araxá. Segundo ele, a estrutura permitiria à Prefeitura ter maior controle sobre a gestão dos serviços, reduzir custos e melhorar a qualidade do atendimento à população.

"Mais do que nunca, nós precisamos ter o nosso hospital municipal, pra gente ter o domínio próprio, ter mais economia e oferecer mais qualidade", afirmou.

Crise financeira da Santa Casa

O pronunciamento ocorre em meio ao agravamento da crise financeira da Santa Casa. Em entrevista à Rádio Imbiara na quinta-feira (5), a advogada da instituição, Natália Ávila, afirmou que o hospital estava próximo de um colapso financeiro, com dificuldades para adquirir medicamentos, materiais e insumos.

Na ocasião, ela informou que a instituição havia recebido aproximadamente R$ 1,093 milhão da Prefeitura, recurso que permitiria manter o abastecimento por cerca de uma semana. A Santa Casa também confirmou a retomada da entrada de novos pacientes após notificação da Secretaria Municipal de Saúde.

A advogada apontou ainda um déficit mensal estimado em R$ 700 mil e dificuldades para quitar a folha de pagamento dos funcionários.

A crise também envolve questionamentos sobre a gestão anterior, possíveis irregularidades em prestações de contas e a necessidade de reorganização administrativa e financeira do complexo hospitalar.

As declarações do prefeito sobre a aplicação dos recursos e a execução das emendas parlamentares ainda precisam ser esclarecidas. A auditoria anunciada deverá contribuir para verificar a destinação dos valores e a regularidade dos procedimentos mencionados.