O presidente do PT em Belo Horizonte, Guima Jardim, comemorou a reeleição de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa de segundo turno, elogiou a militância do partido e revelou susto pela derrota do presidente para o rival Flávio Bolsonaro (PL) na etapa inicial de votação no plano nacional.
O dirigente concedeu entrevista ao Café com Política, disponível no canal de O TEMPO no YouTube.
Lula encerrou o primeiro turno com 45,16% dos votos válidos, contra 47,03% do adversário.
No segundo turno, porém, o presidente virou, alcançando 51,79% dos votos válidos, contra 48,21% do filho de Jair Bolsonaro (PL).
"Dizer que não teve susto é bobagem.
Mas, ao mesmo tempo, a gente tinha certeza do que contribuímos para este país, e sabáimos que o povo brasileiro não faltaria", disse Jardim.
Em Belo Horizonte Lula perdeu nos dois turnos, mas com a diferença de votos caindo de 98.923 para 24.183.
O presidente municipal do partido avalia que um "combo" possibilitou os resultados no Brasil e na capital.
"Teve o engajamento nas redes sociais, que foi evidente.
Teve o engajamento militante, que também é verdadeiro.
Teve aquele militante que não foi votar no primeiro turno, que tinha uma falsa sensação de que o Lula venceria no primeiro turno, e teve o componente real da ameaça à democracia".
Em relação ao engajamento nas redes sociais, o dirigente citou o grupo criado em rede social pelo deputado federal André Janones (Rede-MG), que mobilizou 10 milhões de seguidores.
Conforme Jardim, de forma geral, o eleitor do presidente "abraçou" a campanha de Lula no segundo turno. "A gente tem muitos motivos para agradecer ao povo brasileiro, sobretudo ao povo de Belo Horizonte, porque esse povo se apropriou e tomou direção das coisas", disse. "Para nós, que dirigimos o partido, ter a sensação de que a mensagem que a gente emite para a sociedade, ela se apropria, e começa a fazer campanha no seu bairro, na sua cidade, é muito gratificante", acrescentou.
Atraso
Minas Gerais foi o único estado em que o presidente Lula virou o resultado no segundo turno na comparação com a etapa inicial de votação.
O presidente teve 43,33% dos votos válidos em 4 de outubro, contra 48,24% do adversário.
No último domingo, porém, teve 50,43% dos votos válidos, ante 49,57% do rival.
O presidente municipal do PT atribuiu o resultado adverso no primeiro turno no estado à demora do partido em definir um nome para a disputa pelo Palácio Tiradentes. "A candidatura ao governo do estado é o que gera unidade territorial.
Unidade nacional a gente já tinha, com Lula", disse.
A intenção do presidente Lula era ter o ex-senador Rodrigo Pacheco, hoje ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), como candidato ao governo do estado.
O ex-parlamentar não aceitou e o escolhido foi o deputado federal Patrus Ananias (PT). "Em não vindo, a gente colocou no sacrifício o Patrus, que é dos quadros do PT o de maior visibilidade, seriedade e relações com povo.
Mas, mesmo assim, de forma tardia, e os aliados já tinham cada um buscado seu proóprio caminho", disse, se referindo à possibilidade de alianças com outros partidos.A eleição em Minas foi definida ainda no primeiro turno, com a vitória do senador Cleitinho Azevedo (Republicanos).
