Chuva também provocou queda de árvore centenária, alagamentos e falta de energia
Minas Gerais | Cler Santos, do R7
04/11/2026 - 02h00 (Atualizado em 04/11/2026 - 02h00 )
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As mortes de dois motociclistas durante temporais em Belo Horizonte são investigadas pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG). As autoridades apuram as circunstâncias dos casos e se as ocorrências podem ser consideradas as primeiras mortes relacionadas ao período chuvoso na capital , iniciado em outubro. Além das vítimas, as fortes chuvas provocaram alagamentos, quedas de árvores, danos em imóveis e interrupções no fornecimento de energia elétrica.
O caso mais recente aconteceu na noite dessa segunda-feira (2), quando João Lucas Ricardo de Jesus Rodrigues da Cruz, um motociclista de 23 anos morreu após ser arrastado por uma enxurrada na Rua Joaquim Corrêa de Aquino, no bairro Camargos, na região Oeste de Belo Horizonte. O corpo da vítima ficou parcialmente preso dentro de um bueiro e precisou ser retirado pelo Corpo de Bombeiros .
Segundo a Polícia Militar, outros motociclistas que passavam pelo trecho tentaram socorrer o jovem, mas o nível da água subiu rapidamente. Testemunhas relataram que ele teria tentado atravessar a rua alagada.
O capacete da vítima foi encontrado a alguns metros do local onde o corpo foi retirado. A motocicleta também ficou danificada em meio aos entulhos arrastados pela enxurrada.
Em nota divulgada nesta terça-feira (3), a Polícia Civil informou que a perícia esteve no local e que as causas e circunstâncias da morte serão apuradas. O corpo foi submetido a exames de necropsia, reconhecido e será liberado aos familiares.
Na manhã desta terça-feira, equipes da Prefeitura de Belo Horizonte estiveram no bairro Camargos para realizar a limpeza das bocas de lobo, que ficaram obstruídas por folhas, galhos e outros materiais levados pela força da água.
Moradores relatam que os alagamentos são frequentes no trecho. Apesar da existência de sete bocas de lobo e uma galeria de grande porte para o escoamento da água, a estrutura não tem sido suficiente para evitar o acúmulo de água durante os temporais.
A Superintendência de Desenvolvimento da Capital (Sudecap) informou que possui um projeto para ampliar a capacidade de drenagem na região, incluindo intervenções na Rua Joaquim Corrêa de Aquino e em vias próximas. Segundo o órgão, o projeto está em fase de revisão técnica devido às mudanças na ocupação da região.
Outra morte durante temporal
A Polícia Civil também investiga a morte de Sandro Henrique Caetano de Jesus , um motociclista de aplicativo, de 32 anos, que sofreu uma descarga elétrica durante o temporal do dia 25 de outubro, no bairro Santo Antônio, na região Centro-Sul de Belo Horizonte.
A vítima passava pela Rua Professor Magalhães Drumond quando entrou em contato com a fiação elétrica após o rompimento de um cabo de energia. O homem foi socorrido pelo Corpo de Bombeiros e pelo Samu, chegou a ser encaminhado ao Hospital João XXIII, mas não resistiu.
Nesta terça-feira (3), familiares e amigos realizaram uma motociata para cobrar esclarecimentos e assistência da Cemig. O protesto saiu do bairro Alto Vera Cruz, passou pelo local do acidente e seguiu até a sede da companhia, no bairro Santo Agostinho.
Os familiares afirmam que não receberam a assistência necessária da empresa. O motociclista deixou três filhos, entre eles um bebê de cinco meses.
Em nota, a Cemig lamentou a morte e informou que entrou em contato com os parentes e continua apurando o ocorrido. A companhia destacou que o acidente aconteceu durante uma tempestade severa, que provocou quedas de árvores, rompimento de cabos e danos à rede elétrica.
A Defesa Civil de Belo Horizonte informou que acompanha a investigação e que ainda não é possível confirmar se a morte do motociclista foi a primeira relacionada ao período chuvoso na capital.
Árvore centenária atinge cinco casas
Além da morte registrada nessa segunda-feira, o temporal provocou estragos em diferentes regiões da cidade. No Quilombo dos Luízes, no bairro Grajaú, região Oeste, um jatobá centenário caiu sobre cinco casas, atingindo diferentes cômodos e deixando moradores sem energia elétrica.
O tronco da árvore ficou atravessado no caminho, dificultando a circulação. Moradores precisaram passar por baixo da estrutura para conseguir sair do local.
Segundo os moradores, o risco de queda da árvore já havia sido comunicado à Prefeitura de Belo Horizonte. Eles afirmam que o acidente poderia ter sido evitado.
Após a ocorrência, o Corpo de Bombeiros orientou os moradores a procurarem outro local para passar a noite. Nesta terça-feira, equipes da corporação iniciaram os trabalhos de poda e retirada da árvore.
O Quilombo dos Luízes foi criado em 1895 e reconhecido como comunidade remanescente de quilombo pela Fundação Cultural Palmares em 2005. Atualmente, 68 famílias vivem no território, reconhecido também como patrimônio cultural imaterial de Belo Horizonte.
Temporal provocou alagamentos e deixou moradores sem energia
A chuva que atingiu Belo Horizonte na noite de segunda-feira também foi acompanhada por granizo, raios e trovões. Moradores registraram a queda de pedras de gelo na região do Barreiro e em Ibirité, na Região Metropolitana. No bairro Sagrada Família, na região Leste da capital, vídeos mostraram os relâmpagos durante a tempestade.
De acordo com a Defesa Civil, entre 18h45 de segunda-feira e 1h desta terça-feira, a região Oeste registrou um acumulado de 44,2 milímetros de chuva, equivalente a 18,7% da média climatológica prevista para todo o mês de novembro.
Durante o temporal, a Defesa Civil emitiu nove alertas preventivos para celulares da população, com orientações sobre os riscos de enxurradas, alagamentos e granizo.
A chuva também provocou interrupções no fornecimento de energia elétrica . Segundo a Cemig, cerca de 400 clientes ainda estavam sem luz na manhã desta terça-feira. A empresa informou que não havia ocorrências críticas e que a previsão era normalizar o serviço ao longo do dia.
O Corpo de Bombeiros recebeu 14 chamados relacionados às chuvas em Belo Horizonte. Em todo o estado, foram registradas 102 ocorrências em 24 horas.
A Defesa Civil reforça a orientação para que a população evite atravessar ruas alagadas, não se abrigue debaixo de árvores durante tempestades e procure locais seguros diante de sinais de risco.
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