O motociclista que morreu durante a forte chuva que atingiu Belo Horizonte na noite dessa segunda-feira (2), após ficar com uma das pernas agarrada em um bueir foi identificado como João Lucas da Cruz, de 23 anos. A identificação foi possível por meio do chassi da motocicleta, já que a placa do veículo não foi encontrada e pode ter sido levada pela enxurrada.
O corpo do jovem deve ser sepultado nesta terça-feira (3). João Lucas passava pela rua Joaquim Correia de Aquino, no bairro Camargos, na Região Noroeste da Capital, na divisa com Contagem, na Grande BH, quando teria sido derrubado da moto pela força da água. Na sequência, uma das pernas dele ficou presa em um bueiro, impedindo que conseguisse sair. Com o grande volume de água, o motociclista acabou se afogando.
Segundo o tenente Moisés Amorim, do 5.º Batalhão do Corpo de Bombeiros, um homem que passava pelo local encontrou a vítima ainda com vida e tentou prestar ajuda, mas não conseguiu. Os militares estavam nas proximidades, atendendo a outra ocorrência de alagamento, quando foram acionados.
“Na hora em que essa primeira pessoa passou, ela verificou que a pessoa ainda estava com vida, pedindo socorro, tentou auxiliá-la, mas não conseguiu”, relatou o tenente em entrevista à Itatiaia.
Quando os bombeiros chegaram, o jovem já estava sem sinais vitais. De acordo com Amorim, a força da enxurrada pode ter provocado a queda do motociclista e feito com que ele fosse arrastado até o bueiro.
“Pode ser por isso que a pressão da água derrubou o motociclista e ele foi tragado”, explicou.
Moradores relatam alagamentos frequentes
Moradores da região afirmam que a rua onde João Lucas morreu registra alagamentos frequentes, mesmo quando o volume de chuva não é tão intenso.
O autônomo Marco Vinício contou que chegou ao local depois do acidente e, inicialmente, ficou preocupado com a possibilidade de a vítima ser alguém da família.
“Foi tenso, foi complicado, cara, ficava muita água. Mas aqui pode chover até pouco, porque aqui alaga, sempre foi assim. Choveu, vocês podem vir qualquer dia de chuva aqui, que aqui alaga”, afirmou.
A esteticista Viviane Lopes, que também trabalha como motociclista, disse que costuma passar pela via e conhece os riscos provocados pelos alagamentos.
“É triste a gente ver que em 20 anos a mesma coisa aqui, a água subindo. Eu, além de ser esteticista, também sou motoqueira. A prefeitura não faz nada, a esperar perder uma vida”, declarou.
A Itatiaia entrou em contato com a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para solicitar um posicionamento sobre a situação da rua e aguarda retorno.

