O Ministério Público de Minas Gerais (MPMG) ofereceu denúncia contra Walter Tonani Júnior — preso e investigado por agredir a esposa com uma barra de ferro no mês de outubro, em Belo Horizonte — pelo crime de tentativa de feminicídio qualificado nesta sexta-feira (6).

De acordo com a denúncia assinada pelo promotor de Justiça Nilo Pinheiro de Oliveira, a qual a reportagem da Itaitiaia teve acesso, o crime foi qualificado pelos seguintes agravantes: meio cruel e recurso que dificultou a defesa da vítima; motivo fútil; crime praticado contra cônjuge.

Walter Tonani Júnior, de 63 anos, está preso desde o dia 18 de outubro, após agredir violentamente a esposa, de 62, com uma barra de metal no bairro Bom Jesus, na Região Noroeste de BH. O crime aconteceu na residência onde o casal morava, após uma discussão motivada pelo volume do som.

A denúncia destaca que o feminicídio só não foi consumado por causa "da reação da própria vítima, que, incentivada por transeuntes que acorreram ao local, conseguiu retirar a barra de ferro das mãos do agressor e arremessá-la para fora do imóvel, através das grades do portão".

De acordo com o Ministério Público, Walter e a vítima são casados há aproximadamente 41 anos, sendo a relação marcada por episódios anteriores de violência domésticas praticados pelo denunciado contra a mulher.

Detalhes sobre o dia do crime

A denúncia ainda explicita detalhes sobre o dia do crime, em 18 de outubro de 2026, indicando que Walter ingeria bebida alcoólica na residência e deixou próximo a si uma barra de ferro e uma marreta:

"Após uma discussão, passou a ofender a vítima e a ameaçá-la de morte, arremessou a barra de ferro contra a parede e disse que era aquilo que faria com ela naquele dia. Em seguida, empunhando a barra, foi em direção à ofendida e passou a golpeá-la na cabeça e nas pernas, enquanto afirmava: 'Hoje chegou a sua hora, vou estragar a minha vida, mas vou te matar'".

Em seguida, a vítima tentou fugir, gritando por socorro, e, ao descer as escadas da residência, foi atingida pelo denunciado com um violento golpe na região posterior da cabeça, que lhe provocou intenso sangramento.

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Na garagem do imóvel, o denunciado segurou-a pelos cabelos e prosseguiu desferindo golpes com a barra de ferro, mesmo após a chegada de transeuntes que do lado de fora do portão clamavam para que ele cessasse as agressões. Em seguida, a vítima foi socorrida e levada ao pronto atendimento hospitalar.

Em entrevista à Itaitiaia, a mulher contou que foi agredida após solicitar para Walter abaixar o som. "Ele me bateu com toda força. Minhas vistas escureceram. Pensei na hora: 'Eu vou morrer. Pedi a Deus pelos meus filhos. Eu não cheguei a cair. Ali eu percebi que eu tive uma nova chance de viver", relatou.

Denúncia

O promotor de Justiça responsável pelo caso, Nilo Pinheiro de Oliveira, esclareceu, ainda, cada qualificador da denúncia:

• Motivo fútil: "o denunciado tentou matar a vítima em razão de banal desentendimento doméstico, porque ela desligava o aparelho de som que ele mantinha em volume elevado, revelando manifesta desproporção entre a causa e a reação".

• Emprego de meio cruel: "o denunciado, munido de uma barra de ferro, desferiu sucessivos golpes contra a cabeça e as pernas da vítima e, mesmo depois de feri-la gravemente na cabeça e de vê-la ensanguentada, em fuga e pedindo socorro, segurou-a pelos cabelos e continuou a golpeá-la, impondo-lhe sofrimento intenso e desnecessário".

• R ecurso que dificultou a defesa da vítima: "o denunciado, munido de uma barra de ferro, atingiu-a na região occipital enquanto ela, em fuga, descia as escadas da residência e, em seguida, imobilizou-a pelos cabelos para continuar a agredi-la, estando a ofendida desmuniciada de instrumental reativo".

• O cime ainda foi praticado contra cônjuge, uma vez que a vítima é esposa do denunciado, vínculo do qual ele tinha pleno conhecimento.

Oliveira ainda requereu a fixação de valor mínimo de R$ 10 mil de indenização para a vítima, pelos danos causados pelo cirme.