A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima deixar de arrecadar R$ 420 milhões em 2027 caso seja mantida a proibição das casas de apostas esportivas no Brasil. O cálculo foi apresentado nesta terça-feira (03), durante uma audiência pública no Supremo Tribunal Federal (STF), que debate os efeitos da medida provisória que determina o fim da operação das bets no país.
A Confederação Brasileira de Futebol (CBF) estima perder R$ 420 milhões em receitas em 2027 caso as casas de apostas sejam proibidas de operar no Brasil. Foto: CBF.
Segundo levantamento detalhado pela entidade, a perda representa uma redução de aproximadamente 16% em relação ao orçamento previsto para o próximo ano. A projeção considera receitas de diferentes áreas comerciais do futebol brasileiro.
Copa do Brasil concentra parte do impacto
O maior impacto estimado pela CBF está relacionado aos naming rights e às receitas comerciais da Copa do Brasil, com uma perda projetada em cerca de R$ 120 milhões.
A entidade também prevê redução de receitas com patrocínios, direitos de transmissão e propriedades comerciais de outras competições. No cenário apresentado, a arrecadação total prevista para 2027 cairia de R$ 2,7 bilhões para aproximadamente R$ 2,28 bilhões.
A projeção também aponta perdas crescentes nos anos seguintes. Até 2030, o impacto acumulado poderia chegar a cerca de R$ 2 bilhões. A CBF ainda calcula que deixaria de receber R$ 215 milhões em receitas previstas para 2026.
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CBF defende transição gradual
Durante a audiência pública, a entidade argumentou que parte das receitas obtidas com a Seleção Brasileira e com a Copa do Brasil ajuda a financiar outras 26 competições organizadas pela confederação.
A CBF também defendeu que a retirada das empresas de apostas do mercado esportivo ocorra de maneira gradual. Como referência, citou o modelo adotado pela Premier League, campeonato inglês que estabeleceu um período de três anos para encerrar os patrocínios de empresas de apostas nos espaços principais das camisas dos clubes.
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A entidade não afirmou estar em crise financeira, mas destacou os possíveis efeitos da proibição sobre o planejamento orçamentário e o financiamento das competições.
STF discute proibição das casas de apostas
A audiência pública foi convocada pelo ministro Luiz Fux, relator da ação que questiona a medida provisória responsável por proibir as apostas de cota fixa no Brasil. O encontro reuniu representantes de clubes, entidades esportivas, órgãos públicos e empresas ligadas ao setor.
A medida provisória é alvo de ações no Supremo Tribunal Federal. Entre os questionamentos está a validade da decisão que determinou o encerramento das atividades das empresas de apostas no país.
O debate envolve os impactos econômicos da proibição e os argumentos relacionados à saúde pública e à proteção dos consumidores. A audiência busca reunir informações de diferentes setores para subsidiar a análise do caso pela Corte.

