O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) segue alcançando marcos históricos em sua carreira política de mais de 40 anos de história, ao ser reeleito para um inédito quarto mandato neste domingo (25), ao virar a eleição contra o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O petista foi reeleito com 51,76% dos votos válidos , ante 48,25% do senador bolsonarista, com 64 milhões de eleitores contra 59,7 milhões.

Pernambucano e sétimo filho de Dona Lindu, Lula nasceu em 27 de outubro de 1945 e migrou, ainda criança, para o estado de São Paulo em uma tentativa de escapar da seca e fome. Na capital paulista, foi alfabetizado e alcançou o diploma de torneiro mecânico, por meio do Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI).

A carreira profissional de Lula passou por diferentes indústrias da Região do ABC Paulista. Ali foi onde teve contato com o movimento sindical e, a partir de 1969, começou a se eleger em cargos sindicais, inicialmente como suplente, após como primeiro-secretário até se tornar presidente, reeleito em 1978. Na mesma época, os primeiros grevistas começaram a parar fábricas da região, por arrochos salariais e perdas de benefícios.

Mesmo sob as repressões policiais , cerca de 200 mil operários pararam o ABC paulista e criaram mecanismos inéditos de organização, como os fundos de greve. Mas a resposta do regime militar foi dura, com intervenção no sindicato e prisão de lideranças. Em 1980, durante intervenção federal no sindicato, Lula foi preso com base na Lei de Segurança Nacional, por policiais do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), ficando detido por aproximadamente um mês.

Com a prisão de líderes, as greves se fortaleceram, junto a um projeto que já vinha sendo pensado. Em 1980, o Partido dos Trabalhadores era criado por sindicalistas, intelectuais, artistas e lideranças comunitárias, incluindo Lula, vindo da necessidade de um partido político que representasse os trabalhadores.

Lula na política

Antes de chegar à Presidência , Lula passou por outras disputas eleitorais. Recém-fundado o PT, foi candidato ao governo do estado de São Paulo em 1982. Não se elegeu, mas a candidatura espalhou o partido pelo país.

No ano seguinte, participou da fundação da Central Única dos Trabalhadores (CUT), principal central sindical do Brasil, e em 1984 foi uma das principais lideranças da campanha das “Diretas Já”.

O primeiro cargo público de fato ocupado veio em 1986, com a ocupação da cadeira parlamentar de deputado federal para a Assembleia Nacional Constituinte com a maior votação do país naquele pleito, recebendo 651.763 votos.

No mandato (1987-1990), Lula defendeu principalmente direitos sociais dos trabalhadores e atuou como liderança de oposição aos governos José Sarney e Fernando Collor, chegando a apresentar seis projetos de lei voltados à correção salarial e a benefícios previdenciários.

Depois da redemocratização, Lula passou a concentrar suas energias na disputa presidencial e o caminho foi mais longo do que se costuma lembrar:

• Em 1989, primeira eleição direta para presidente em 29 anos, Lula chegou ao segundo turno e perdeu por margem pequena para Fernando Collor de Mello.

• Em 1994, uma nova candidatura, derrotada já no primeiro turno por Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

• Em 1998, houve a terceira tentativa, novamente derrotado por FHC no primeiro turno.

Somente na quarta candidatura, em 2002, Lula chegou à Presidência. Venceu José Serra (PSDB) no segundo turno, e em 2006 repetiu a vitória, dessa vez sobre Geraldo Alckmin, também em segundo turno.

Governou de 2003 a 2010, ao longo de dois mandatos consecutivos. Ao final do segundo mandato, sua avaliação com a população era positiva e recorde. Pesquisa do Ibope da época indicava 80% de aprovação.

Nas eleições de 2010, indicou Dilma Rousseff, também do PT, como sua sucessora. Eleita e reeleita em 2014, a ex-presidenta teve o mandato interrompido por um processo de impeachment em 2016.