Belo Horizonte — A tradicional esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis , que abriga o memorial do Clube da Esquina , no bairro Santa Tereza, na Região Leste de Belo Horizonte , amanheceu com manchas de tinta vermelha nesta sexta-feira (23/10) . A Polícia Militar (PMMG) foi acionada.
O local é um dos pontos simbólicos da história musical da capital mineira. O Clube da Esquina foi um movimento musical que surgiu em Belo Horizonte, entre as décadas de 1960 e 1970, reunindo artistas como Milton Nascimento, Lô Borges, Beto Guedes e Márcio Borges.
A esquina se tornou um marco da cidade por sua ligação com os encontros e a trajetória dos músicos.
O Bar e Museu Clube da Esquina repudiou o episódio em uma nota. “Hoje, nossa esquina amanheceu marcada por um ato de vandalismo. Um gesto de desrespeito não apenas a um espaço físico, mas a um lugar que representa um dos capítulos mais importantes da música e da cultura brasileira”, diz o texto.
“Para nós, do Bar e Museu Clube da Esquina, esse lugar é parte da nossa identidade, da nossa essência e da missão que carregamos todos os dias: manter viva essa história. Às vésperas do aniversário do nosso eterno Bituca, ver esse espaço desrespeitado torna tudo ainda mais doloroso”, diz ainda a nota.
O episódio ocorreu a três dias do aniversário de Milton, que completa 84 anos na próxima segunda-feira (26/10) .
O Bar do Museu Clube da Esquina funciona como espaço cultural e gastronômico dedicado à memória do movimento. O estabelecimento reúne fotografias, discos e objetos históricos, além de promover apresentações musicais e exposições.
O local também foi palco de uma homenagem ao cantor e compositor Lô Borges , que morreu em 2 de novembro de 2025, aos 73 anos, em decorrência de falência múltipla de órgãos.
No dia seguinte à morte do artista, amigos, familiares e fãs se reuniram na esquina para prestar uma última homenagem. O público levou flores e velas, enquanto músicos realizaram apresentações de canções que marcaram a trajetória do artista.
A Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) informou, por meio de nota, apura a autoria e circunstâncias da ocorrência de pichação. A perícia oficial foi requisitada a comparecer no local para identificar e coletar vestígios que irão subsidiar as investigação.
“Uma equipe de policiais já está em campo com o objetivo de realizar os levantamentos necessários para a identificação e responsabilização dos envolvidos. Outras informações serão repassadas após o avanço dos trabalhos investigativos”, disse.
A nota oficial
Veja a íntegra da nota do Bar e Museu Clube da Esquina:
Hoje, nossa esquina amanheceu marcada por um ato de vandalismo. Um gesto de desrespeito não apenas a um espaço físico, mas a um lugar que representa um dos capítulos mais importantes da música e da cultura brasileira.
A esquina das ruas Divinópolis e Paraisópolis é muito mais do que um endereço. É um símbolo de encontros, amizades, sonhos e de um movimento musical que nasceu em Minas Gerais e ganhou o mundo.
Para nós, do Bar e Museu Clube da Esquina, esse lugar é parte da nossa identidade, da nossa essência e da missão que carregamos todos os dias: manter viva essa história.
Às vésperas do aniversário do nosso eterno Bituca, ver esse espaço desrespeitado torna tudo ainda mais doloroso.
Repudiamos profundamente esse ato e reforçamos que preservar a memória do Clube da Esquina é preservar um patrimônio cultural e afetivo que pertence a todos nós.
Seguiremos cuidando, valorizando e celebrando esse legado, com o respeito e o amor que ele merece.
Porque podem manchar nossas paredes, mas jamais apagar nossa história.
Bar e Museu Clube da Esquina

