O Instituto Fênix distribui, quatro vezes por semana, cerca de 200 refeições gratuitas para pessoas em situação de vulnerabilidade social na praça Agassis, em Juiz de Fora . Se por um lado, 54 voluntários garantem alimentação a quem precisa, por outro, enfrentam dificuldades para ampliar a ajuda.

A cozinha solidária funciona em uma casa alugada. O valor do imóvel é pago, mensalmente, por 14 pessoas que se disponibilizam voluntariamente. Outros doam gás e mantimentos. A estrutura restrita impõe desafios: os voluntários distribuem os marmitex em uma caminhonete, e as pessoas almoçam ali mesmo, na praça .

“O nosso grande desafio é ter esse local, onde a gente possa acolher essas pessoas, onde não dê esse tumulto de fila, onde eles possam sentar com dignidade. E a gente precisa: ou é muito sol, ou é a chuva”, relata a fundadora do instituto, Vanessa Farnezi.

Uma via de mão-dupla

Fabiane Evaristo está desempregada e conta que as refeições distribuídas pelo Instituto Fênix fazem a diferença .

“Muitas das vezes, a gente não tem onde se alimentar, e aqui é um refúgio para nós. A comida é muito boa, eles fazem com muito amor. A gente vive de bolsa-família e eu pago aluguel, então fica difícil, porque ainda tenho que pagar água e luz”, desabafa.

Para a voluntária Leila Vieira , o projeto não ajuda apenas quem recebe as refeições. Naquela cozinha, ela encontrou companhia, leveza e alegria para enfrentar a depressão:

“Eu cheguei através do meu irmão, que era voluntário. Tive alguns problemas, estava com depressão. Ele me indicou para cá já tem sete, oito meses. Estou aqui muito feliz, graças a Deus. Aqui tanto a gente ajuda, como somos ajudados. Eu era uma pessoa muito séria, muito fechada. Depois que eu cheguei aqui, as pessoas olham e falam ‘nossa, seu semblante melhorou, seus olhos brilham, você é outra pessoa’ ."

*Estagiária sob supervisão da editora Gracielle Nocelli

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