Belo Horizonte — O governador eleito de Minas Gerais , Cleitinho Azevedo (Republicanos) , quebrou nesta quarta-feira (28/10) o silêncio que vinha mantendo desde o resultado da eleição presidencial e criticou o movimento de boicote a empresas e pessoas que manifestaram apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Cleitinho, que apoiou Flávio Bolsonaro (PL) no pleito, não falou diretamente sobre o resultado nem cumprimentou o petista.
Em vídeo publicado nas redes sociais, ele defendeu que as cobranças sejam direcionada à classe política e não a outros cidadãos e criticou privilégios concedidos a parlamentares .
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“Quem tem que ser boicotado, gente, é a classe política. Agora, cobre do seu político que foi eleito. Eu não fui eleito governador? Tem uma escolta me esperando ali agora. É [de] mim que tem que ser cobrado. O político em quem você votou tem que ser cobrado”, afirmou Cleitinho.
Na sequência, Cleitinho mostrou o apartamento funcional que ocupa em Brasília (DF) e criticou a troca de móveis e eletrodomésticos:
“E que tal se vocês boicotarem [isso]? Está vendo isso aqui? Isso aqui é um privilégio que a classe política tem: um apartamento funcional. Eu vou sair daqui agora, em dezembro. Olha o que eles já fizeram aqui. Já estão trocando os móveis. Já trocaram a geladeira, uma geladeira maravilhosa. Isso aqui quem vai pagar é você. Então, está na hora de boicotar a classe política”, disse.
O governador eleito também citou o chamado “auxílio-paletó”, pago a parlamentares no início e no fim do mandato. “Eu recebi esse auxílio quando virei senador e, agora, como estou saindo, também vou receber novamente um valor de R$ 40 mil, que quem vai pagar são vocês. Vocês não acham que têm que ser boicotados esses privilégios? Então, gente, vamos parar de brigar. Se unam “, concluiu.
Recepção negativa
Os comentários no perfil de Cleitinho estão sendo tomados principalmente por críticas a um suposto corpo mole dele na campanha de Flávio Bolsonaro (PL), que foi derrotado por Lula (PT) em Minas no segundo turno após ficar na frente no primeiro turno.
“Poderia ter sido valente assim durante a campanha do Flávio aqui em MG, mas preferiu ser omisso, postura lamentável”, escreveu um comentarista. “Lavar as mãos às vésperas da eleição é complicado, né?”, cobrou outro.
Irmão de Cleitinho também critica boicote
Mais cedo, Gleidson Azevedo (Republicanos-MG), deputado federal eleito e irmão de Cleitinho, também criticou as campanhas de boicote. Em vídeo publicado nas redes sociais, ele pediu que eleitores da direita respeitem o resultado das eleições e não deixem de fazer doações a famílias por divergências políticas.
“ Não pague o mal com o mal, não confunda fazer justiça com vingança. Eu tô falando isso pra você que é de direita e bate no peito e fala que é cristão”, afirmou.
O parlamentar eleito disse ter visto publicações de apoiadores da direita anunciando que deixariam de doar cestas básicas a pessoas que votaram no PT. Ele também mencionou a circulação de listas de empresários que teriam apoiado Lula, acompanhadas de pedidos de boicote aos estabelecimentos.
“Eu sei que vocês estão com raiva, assim como eu. Eu queria ter ganhado, mas a gente precisa ter humildade e o respeito de entender que eles venceram. A gente precisa ter o respeito de entender que tem pessoas que pensam diferente da gente”, declarou.
Boicotes em Minas Gerais
Após o segundo turno das eleições presidenciais, no domingo (25/10), listas de boicote contra empresas e profissionais acusados de apoiar Lula passaram a circular em cidades mineiras, como Divinópolis, município de Gleidson.
Em Divinópolis, uma publicação intitulada “Boicote às empresas de Divinópolis” reuniu nomes de 23 estabelecimentos e profissionais que seriam alvos da campanha.

