Os eleitores dos Estados Unidos vão às urnas na próxima terça-feira (3/11) para escolher os novos integrantes do Congresso em uma disputa que pode alterar o equilíbrio de forças em Washington e impor novos obstáculos ao governo de Donald Trump.
As eleições de meio de mandato, conhecidas como midterms, renovam todas as 435 cadeiras da Câmara dos Representantes e 35 das 100 vagas do Senado .
O pleito ocorre em um momento de desgaste político do presidente republicano . A insatisfação com o custo de vida, a condução da economia, as tarifas comerciais e os efeitos da guerra contra o Irã pressionam a Casa Branca às vésperas da votação.
Com a maioria republicana nas duas Casas por uma margem estreita, os democratas enxergam uma oportunidade de recuperar espaço no Legislativo.
Embora Trump não esteja concorrendo à Presidência, o resultado terá consequências diretas para a segunda metade de seu mandato , que termina em janeiro de 2029. Uma mudança na composição do Congresso pode dificultar a aprovação de projetos do governo, ampliar a fiscalização sobre as decisões do Executivo e limitar a capacidade de articulação política do presidente.
O que são as midterms?
• As midterms são realizadas a cada quatro anos , sempre na metade do mandato presidencial norte-americano.
• O sistema prevê eleições legislativas a cada dois anos, com a renovação integral da Câmara dos Representantes e de aproximadamente um terço do Senado.
• Na Câmara, os 435 deputados têm mandatos de dois anos e representam distritos eleitorais distribuídos pelos 50 estados, de acordo com o tamanho da população .
• Para controlar a Casa, um partido precisa conquistar pelo menos 218 cadeiras .
• O Senado, por sua vez, tem 100 integrantes, dois representantes por estado , independentemente da quantidade de habitantes.
• Os mandatos são de seis anos, com renovação escalonada.
• Os parlamentares eleitos tomarão posse em janeiro de 2027, quando começa a legislatura do 120º Congresso.
• Diferentemente do Brasil, os Estados Unidos não contam com um órgão eleitoral nacional equivalente ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
• Cada estado organiza e contabiliza os próprios votos, seguindo regras locais.
• A votação antecipada e pelo correio também fazem parte do processo eleitoral.
Trump chega às eleições sob pressão
A popularidade de Trump é um dos principais fatores que influenciam o cenário eleitoral. Pesquisa Reuters/Ipsos divulgada em 19 de outubro apontou que 66% dos norte-americanos desaprovam a administração republicana, enquanto 31% aprovam o desempenho do presidente.
O levantamento também identificou que a insatisfação está concentrada principalmente na condução da economia e no aumento do custo de vida . O resultado representa um dos piores índices de aprovação registrados para Trump nos dois mandatos.
A política comercial do presidente também se tornou um ponto de desgaste. Desde o retorno à Casa Branca, em janeiro de 2025, o atual mandatário ampliou o uso de tarifas sobre produtos importados , sob o argumento de proteger a indústria norte-americana e fortalecer a economia doméstica.
As medidas, no entanto, provocaram questionamentos judiciais, reações de parceiros comerciais e críticas de setores empresariais. O aumento dos custos de importação também alimentou o debate sobre o impacto das tarifas nos preços pagos pelos consumidores.
A insatisfação econômica se soma à alta dos combustíveis e às consequências do conflito envolvendo o Irã. O encarecimento da energia pressiona os gastos com transporte, frete e produtos essenciais, ampliando o peso do custo de vida na decisão dos eleitores.
Diante do cenário nitidamente conturbado, Trump tem intensificado a participação em eventos de campanha para mobilizar a base republicana e evitar que o partido perca o controle do Congresso.
Democratas avançam na Câmara, mas Senado segue disputado
Os democratas têm vantagem na disputa pela Câmara dos Representantes, onde os republicanos mantêm uma maioria apertada , com 218 cadeiras contra 214 da oposição. Pesquisa Reuters/Ipsos indica preferência de 47% dos eleitores por candidatos democratas, ante 35% dos republicanos.
Projeções também apontam vantagem da oposição, que pode conquistar entre 220 e 236 cadeiras. O resultado, porém, dependerá de disputas acirradas em distritos eleitorais estratégicos.
A disputa pelo Senado é mais desafiadora para os democratas, que precisam conquistar quatro cadeiras para alcançar a maioria. Atualmente, os republicanos têm 53 assentos, contra 47 do bloco democrata.
A disputa pelo Congresso também envolve o redesenho dos distritos eleitorais para favorecer republicanos ou democratas. Texas e Califórnia lideraram movimentos opostos, seguidos por outros estados que alteraram seus mapas eleitorais . As mudanças podem influenciar diretamente a distribuição das cadeiras na Câmara.
O que muda para Trump se os republicanos perderem?
Uma eventual vitória democrata na Câmara pode comprometer a capacidade de Trump de aprovar novas medidas legislativas . Com o controle da Casa, a oposição passa a comandar a pauta de votações e as comissões, além de ampliar os mecanismos de fiscalização sobre o governo.
Isso também abre espaço para investigações parlamentares sobre decisões da administração, incluindo a política tarifária, a execução de medidas judiciais e a condução de operações militares no exterior.
No Senado, uma eventual mudança de maioria teria consequências adicionais . A Casa é responsável por confirmar indicações para cargos de alto escalão do governo, embaixadores e integrantes do Judiciário federal. Uma maioria democrata poderia dificultar essas aprovações e impor novas condições às escolhas presidenciais.
O resultado das midterms, portanto, não determina a permanência de Trump na Presidência, mas pode redefinir os limites políticos de sua administração.

