A casa onde Marcos Túlio morava foi uma das atingidas pelo desabamento de parte de um conjunto de moradias no Bairro Nazaré, na Região Nordeste de Belo Horizonte. Além de perder o lugar onde vivia, ele ficou sem documentos e pertences pessoais. Desempregado, agora precisa encontrar um lugar para ficar e uma forma de recomeçar.

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Parte da construção, que fica na esquina das ruas Benjamin Fraga e Angelina de Mattos, desabou na madrugada dessa quinta-feira (5/11), por volta das 23h, depois das fortes chuvas que atingiram a capital mineira e Região Metropolitana.

Antes do desabamento, Marcos ouviu estalos na estrutura e percebeu que algo estava errado. Ele gritou para alertar os vizinhos, que conseguiram sair a tempo. Ninguém ficou ferido. “Na minha moradia comecei a ouvir uns estalos. Eu peguei e alertei o pessoal. Graças a Deus, gritei para avisar todo mundo”, contou.

A parte que desabou era justamente onde ele morava. Marcos estava no imóvel havia quatro meses e não pagava aluguel, por meio de um acordo com o proprietário. Ele conta que ficou desempregado depois de sofrer um acidente e quebrar a clavícula. Sem receber benefício, começou a fazer alguns trabalhos temporários quando conseguiu voltar a movimentar o braço.

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Com a queda, perdeu tudo o que tinha dentro de casa. Segundo ele, não foi possível retirar os documentos nem outros objetos pessoais, já que os pertences ficaram embaixo dos escombros. “Ali, para mim, é zerado de novo. Não tem como fazer mais nada”, lamentou.

Sem saber como recomeçar

Sem emprego e sem os documentos, Marcos diz que não sabe como buscar ajuda. Ele espera conseguir algum apoio para reconstruir a vida e pretende procurar trabalhos temporários enquanto tenta encontrar uma oportunidade fixa.

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“Vou tentar arrumar uns bicos, um serviço fechado, sei lá. Se o Estado puder me ajudar, porque eu sou um cara que nunca ganhou um auxílio”, afirmou.

Após deixar o imóvel, ele recebeu a oferta de ir para um abrigo municipal, mas preferiu ficar na casa de uma amiga, que cedeu espaço para ele. “Eu prefiro deixar para quem mais precisa. Agora vou ficar de favor na casa dos outros”, disse.

Mais famílias retiradas

Marcos está entre as 37 pessoas que precisaram deixar o conjunto de moradias. Inicialmente, 32 moradores de 11 famílias foram encaminhados ao Abrigo Tia Branca, na Rua Além Paraíba, no Bairro Bonfim.

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Durante uma nova vistoria, realizada na manhã de sexta (6/11), a Defesa Civil identificou risco de queda em outras duas moradias. Como as construções são ligadas, a queda de uma laje poderia atingir também a casa vizinha. Com isso, mais duas famílias foram orientadas a sair de suas casas.

A parte da estrutura que permaneceu de pé também corre risco de cair e atingir as ruas Benjamin Fraga e Angelina de Mattos. Por isso, a Defesa Civil vai solicitar à BHTrans a interdição de trechos das duas vias.

* Estagiária sob supervisão do editor João Renato Faria.