O senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Lula (PT), que tenta a reeleição, participam na noite desta sexta-feira (23) do debate da TV Globo. Os políticos disputam o segundo turno das eleições presidenciais, e este é o último debate entre Flávio e Lula antes do dia da votação, no domingo (25).

O encontro é exibido ao vivo direto dos Estúdios Globo, no Rio, com transmissão simultânea pela GloboNews e pelo g1 . A mediação é do jornalista César Tralli.

Ao final do debate, o conteúdo ficará disponível na íntegra no Globoplay e no g1.

Veja o que de mais importante foi dito no debate da Globo:

PRIMEIRO BLOCO

Infraestrutura e exportações

O debate entre Flávio Bolsonaro (PL) e Lula (PT) teve início com o tema infraestrutura e exportação. Sorteado como primeiro a tratar do assunto, o candidato do PL questionou ao atual presidente sobre obras não concluídas.

"Neste ano, o TCU, Tribunal de Contas da União, acaba de soltar um relatório [que diz] que existem mais de 11.500 obras paralisadas do atual governo. Ou seja, o país voltou a ser um grande cemitério de obras", afirmou Flávio.

Lula respondeu: "Penso que se o candidato conhecesse um pouco o Brasil, ele saberia que em nenhum momento na história do país se investiu tanto em obras de infraestrutura como nós investimos nos últimos anos", disse. “E mais importante saber ainda é que nós herdamos 6 mil obras paradas.”

Em resposta, Flávio afirmou que vai "rasgar o Brasil de ferrovias" e prometeu concluir a Transnordestina para escoar a produção agrícola. "Eu vou fazer o eixo Sul da ferrovia que está faltando, ligando o Centro-Oeste até o oeste de Paraná, Santa Catarina."

Lula disse que Flávio parecia um aluno que se prepara para o vestibular, que consegue decorar, mas não consegue aprender e listou obras de seu governo. "Nós estamos fazendo uma rodovia muito importante, que ninguém teve coragem de fazer, que liga Porto Velho a Manaus, que é a BR-319. Nós estamos fazendo a Transnordestina, a Fiol e a Fico. Não é que vão fazer: estamos fazendo", disse, ao listar obras no RJ, SC e SP.

Sudeste e salário mínimo

Sorteada a região Sudeste, Lula questionou Flávio Bolsonaro sobre a correção do salário mínimo em São Paulo e na região.

Na resposta, o candidato do PL afirmou que o atual governo seria responsável pela redução do poder de compra. "Ele joga a taxa de juro lá em cima e puxa a sua dívida junto. Lula, por que que você endividou o povo brasileiro desse jeito? Essa grande bola de neve continua enrolando o povo brasileiro", disse Flávio Bolsonaro.

Em réplica, Lula reforçou que os governos do PT promoveram correção do salário mínimo acima da inflação. "Se não fosse o governo do PT, Lula e Dilma [Rousseff], se a gente não tivesse reajustado o salário acima da inflação, sabe o quanto seria o salário mínimo por conta do seu pai [Jair Bolsonaro] e do [Michel] Temer, que não aumentaram? Seria R$ 900", disse o petista.

Lula questionou então o adversário sobre a proposta de tarifa zero nos ônibus aos finais de semana.

Flávio Bolsonaro se disse a favor da proposta, mas criticou a política tributária do atual governo, que, segundo o candidato, seria aumentada com a implantação da tarifa zero. "Agora, não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos."

"Você implementou a carga tributária mais alta desse país na história. Até agora, com a reforma tributária, ninguém sabe quanto vai ser o valor do imposto de valor agregado, o IVA, que é o novo imposto que ele vai começar a cobrar a partir do ano que vem", disse o candidato do PL.

Ao final, Flávio disse que reajustará o salário mínimo acima da inflação.

Centro-Oeste e exportações

Ao responder à pergunta de Flávio Bolsonaro sobre o que o governo Lula fez pelo Centro-Oeste e pelo agronegócio, Lula afirmou que sua gestão investiu mais no setor do que o governo de Jair Bolsonaro (PL).

Lula disse que o Brasil ampliou as exportações e a abertura de mercados internacionais. "Abrimos 700 novos mercados nesse país e aumentamos em 57 países uma média de 10 e meio, e é por isso que o nosso superávit comercial foi de quase 85 bilhões de reais. É só procurar, para vocês perceberem a bobagem que esse jovem fala quando vai debater."

O presidente criticou a relação de Flávio Bolsonaro com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ao mencionar a imposição de tarifas sobre produtos brasileiros. “Nunca se exportou tanto nesse país. É por isso que, quando o meu adversário ficou lambendo o Trump para taxar o Brasil, eu não fiquei preocupado. Se o Trump não quiser comprar do Brasil, eu vou vender para outros lugares.”

Flávio afirmou que os produtores rurais do Centro-Oeste enfrentam dificuldades para obter financiamentos. “Todos os agricultores reclamam porque, na hora de tomar um financiamento para comprar sementes, para plantar, para comprar maquinário, para poder investir no seu negócio ou para comprar animais, fica simplesmente impossível. É tanta burocracia, e o dinheiro que você coloca não é suficiente. Tanto é que eles não conseguem tomar o financiamento. O juro real chega próximo de 20%.”

O candidato do PL prometeu, se eleito, garantir recursos para o seguro rural e o Plano Safra, além de impedir o contingenciamento dessas verbas. “Eu vou garantir um reajuste acima da inflação. O meu governo vai ser um governo tecnológico."

Lula criticou o discurso de Flávio sobre a cobrança de impostos e afirmou que o adversário repete argumentos utilizados pela elite econômica. "Ele tem um discurso: imposto, imposto, imposto, que é o que a elite faz todo santo dia."

Sul e aposentadorias

O presidente Lula (PT) foi responsável pela pergunta dedicada à região Sul. Ao destacar a presença de aposentados na população da região, o petista perguntou se Flávio Bolsonaro (PL) garantiria reajustes acima da inflação para o salário mínimo e as aposentadorias.

Flávio disse que concederia o aumento: “Eu vou reajustar as aposentadorias acima da inflação." Em seguida, acusou Lula de abandonar os gaúchos após as enchentes de 2024 e afirmou que o governo entregou menos de 30% do que havia prometido para a recuperação do Rio Grande do Sul.

O senador prometeu investir em bombas e comportas para prevenir alagamentos em Porto Alegre (RS) e ajudar o estado a enfrentar o endividamento. Disse que, se eleito, vai empregar a Marinha no combate ao tráfico no Porto de Paranaguá (PR) e fará investimentos nas rodovias federais de Santa Catarina.

Norte e saneamento básico

Ao tratar da região Norte, Flávio Bolsonaro fez uma pergunta a Lula sobre saneamento básico. O candidato do PL citou que cerca de 90 milhões de brasileiros não têm esgoto tratado nas casas e lembrou do Marco Legal do saneamento básico firmado no governo de Jair Bolsonaro.

"Fizemos este Marco Legal exatamente para que houvesse investimento e, até 2033, nós pudéssemos garantir que mais de 90% dos brasileiros tivessem acesso a esses dois bens básicos [esgoto e água tratados]. Sabe quem votou contra? A bancada do PT. Lula, por que vocês são contra levar água e esgoto tratado aos mais pobres?

Em sua resposta, Lula disse que Flávio "não conhece o Brasil". "Não conhece. Acho que ele só ouviu falar de Manaus e da região Norte quando o pai dele apareceu na televisão rindo e imitando uma pessoa morrendo asfixiada porque não tinha oxigênio", falou o petista, ao relembrar a crise na saúde no Amazonas durante a pandemia de Covid-19.

Flávio respondeu dizendo que estava com dificuldade de entender o que Lula estava falando e questionou se quem governa o Brasil é Lula ou o Google, pelo fato de o petista pedir para os espectadores checarem os fatos na plataforma. "Tudo pergunta para o Google, você não sabe me responder nada", disse e, na sequência, prometeu investimento do Marco Legal do Saneamento para a região Norte.

O petista então criticou o governo Jair Bolsonaro. "Vocês estão lembrados que eles tinham um ministro do Meio Ambiente que dizia que era preciso abrir a porteira, passar por cima de tudo e não atender os indígenas, os quilombolas, fazer um mundo na Amazônia totalmente desprotegido?", questionou Lula.

Nordeste e investimentos

Na última pergunta do bloco, voltada à região Nordeste, Lula destacou as medidas feitas por seus governos, como a Transnordestina, a transposição do Rio São Francisco, universidades, institutos federais, entre outros. Lula questionou as propostas do adversário para a região.

Flávio Bolsonaro respondeu que será "o carioca mais nordestino já visto na face da Terra", e que o "Nordeste é solução". O candidato do PL afirmou que o governo atual, junto a governos estaduais de esquerda, seria responsável pela entrada do Comando Vermelho na região, e questionou por que o petista teria permitido a situação.

Lula comentou, em réplica, sobre outros avanços do governo na região: indústria automobilística, 14 hospitais, uma unidade do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA) no Ceará, institutos federais e universidades.

Em resposta a Lula, Flávio afirmou que, caso seja eleito presidente, pretende governar para todo o país. “Eu vou ser presidente do Brasil, vou governar inclusive para você. Eu vou governar para o Nordeste. Vou governar, inclusive, em parceria com os governadores que não são aliados políticos meus."

SEGUNDO BLOCO

Políticas sociais

No começo do segundo bloco do debate, Lula escolheu tratar de políticas sociais como o primeiro dos dez temas definidos para o debate. Ele questionou por qual motivo Flávio Bolsonaro, quando deputado estadual no Rio de Janeiro, votou contra o aumento da licença-maternidade de 180 dias.

Flávio disse que a votação foi há muito tempo e que votou "acreditando que isso poderia dificultar que as mulheres conseguissem arrumar emprego".

"E eu estava errado. Hoje, depois que eu casei, depois que tenho duas filhas, mais do que nunca eu sei da importância da mãe estar perto do filho por até mais de 180 dias, se possível", disse o candidato do PL.

Na réplica, Lula disse que Flávio, quando teve a chance de votar a favor da lei, não votou. "É importante que cada brasileiro olhe: ele teve a chance de votar para aumentar o auxílio-maternidade e ele não votou. Agora que ele é candidato e sabe que as mulheres estão mais ativas, estão mais na vida política e estão brigando mais, ele vem aqui dizer 'ah, agora eu vou votar [a favor]."

O petista perguntou por qual motivo Flávio Bolsonaro havia se referido ao Bolsa Família como "bolsa farelo" em declarações. "Sabe o que que é isso? É a falta de respeito com o povo pobre deste país", disse Lula.

Ataques e ofensas

Flávio Bolsonaro chamou Lula de "nove dedos" ao comentar a proposta de tarifa zero nos ônibus aos fins de semana, durante uma discussão sobre o salário mínimo ainda no primeiro bloco do debate. "Agora, não adianta nada, Lula, o salário mínimo estar em 1.621 reais se você dá com uma mão e tira com os nove dedos", afirmou o senador.

No segundo bloco, o presidente rebateu a provocação, chamou Flávio de "miliciano" e afirmou que perdeu um dedo em um acidente de trabalho aos 17 anos. "Se tem alguém que perdeu o dedo com 17 anos, fui eu, trabalhando à noite, quando eu não podia trabalhar. Não vou permitir que um miliciano me chame de nove dedos", disse o petista.

Flávio teve direito de resposta por ter sido chamado de "miliciano", mas não usou o tempo para rebater a acusação. Em vez disso, falou sobre a causa animal e defendeu a ampliação da Lei Sansão, que endureceu as penas para maus-tratos a cães e gatos, para incluir animais silvestres.

Lula também teve um direito de resposta concedido, mas aproveitou o tempo para abordar outro assunto. O presidente afirmou que ainda há muito a ser feito no Brasil e lembrou que o país levou mais de 400 anos após o descobrimento para ter sua primeira universidade. Disse ainda que "quem tem que pedir desculpas ao Brasil é a elite brasileira" e defendeu que seu governo foi o que mais promoveu políticas de inclusão social na história.

Dívida pública

Flávio Bolsonaro escolheu dívida pública como tema para questionar Lula. O candidato perguntou por que os brasileiros mais pobres são, segundo ele, os mais prejudicados pelos gastos do governo, em razão da inflação e dos juros elevados. Lula, por sua vez, questionou o adversário sobre a independência do Banco Central. Flávio defendeu a autonomia da instituição, afirmando que ela serve para "evitar que presidentes sejam gastadores como você".

Na réplica, Flávio Bolsonaro prometeu ajudar os endividados a pagar a dívida. “Eu vou comprar a sua dívida dos bancos e vou refinanciar pelo Banco da Prosperidade, que é a Caixa Econômica Federal. Quando eu compro essa dívida, ela já fica menor."

Flávio também prometeu suspender temporariamente os pagamentos das dívidas refinanciadas, por seis meses para pessoas físicas e por um ano para pessoas jurídicas. "Você não vai pagar nada", disse.

Na tréplica, Lula afirmou que Flávio Bolsonaro estava reproduzindo uma proposta de seu governo. O presidente disse que pretende comprar dívidas de consumidores por meio de leilões com bancos, com descontos de até 95%, e citou o perdão de quase R$ 15 bilhões em dívidas de 4,5 milhões de devedores.

"Ele fala que vai comprar a dívida dos devedores. Ele está copiando uma coisa que eu já mandei para o Senado", afirmou Lula.

O presidente relacionou o endividamento público às taxas de juros e disse que o crescimento econômico é fundamental para reduzir a relação entre dívida e Produto Interno Bruto (PIB). "Ninguém nesse país, ninguém, em nenhum momento da história, fez mais crédito do que nós fizemos. E o mérito não é meu, não. O mérito é do povo que reivindicou", afirmou Lula.

Regras do debate

O debate será dividido em quatro blocos de perguntas e respostas, além das considerações finais. A proposta é aprofundar os planos de governo dos candidatos, com discussões sobre temas de interesse da população.

No primeiro bloco serão realizadas seis rodadas com assuntos relacionados às diferentes regiões do país e a um tema prioritário de âmbito nacional , de forma a aprofundar a exposição de propostas e programas de governo de cada um dos candidatos. Cada candidato terá três minutos por rodada, divididos entre pergunta e réplica ou resposta e tréplica. No segundo e no terceiro blocos , os candidatos escolherão entre os temas apresentados no telão para fazer as suas perguntas, mantendo a mesma dinâmica de tempo. Nestes três primeiros blocos, o candidato que tiver a palavra poderá se movimentar pelo cenário livremente. Enquanto isso, o oponente deve se manter em seu púlpito até chegar a sua vez de falar. No quarto bloco , de tema livre, cada candidato terá oito minutos de fala, sem limite de intervenções . E poderá se movimentar livremente pelo seu lado do cenário.

Checagem de declarações pelo Fato ou Fake

Além de transmitir o debate, o g1 começa, ainda durante o encontro, a checagem das declarações dos candidatos, com a publicação das verificações na página do Fato ou Fake.

Uma equipe de mais de 30 jornalistas do Grupo Globo vai trabalhar em conjunto para dar agilidade ao processo, sem abrir mão do rigor na apuração.

Como nas eleições municipais de 2024, as primeiras checagens serão publicadas durante o debate no g1 e nos sites dos jornais "O Globo", "Valor Econômico" e "Extra" e da rádio CBN. O trabalho vai continuar pela madrugada, até que toda a apuração seja concluída.

A GloboNews terá um programa especial que vai ao ar logo após o debate e vai mostrar as checagens realizadas pela equipe.

Onde assistir ao debate da Globo?

O público pode acompanhar o debate presidencial ao vivo pelos seguintes canais e plataformas:

TV Globo: ao vivo; g1: transmissão simultânea GloboNews: transmissão simultânea; Globoplay: conteúdo completo disponível após a exibição; g1: conteúdo na íntegra após a transmissão.

Quem vai participar do debate da Globo?

Foram convidados os dois candidatos que disputam o segundo turno da eleição presidencial:

Luiz Inácio Lula da Silva (PT): presidente da República e candidato à reeleição; Flávio Bolsonaro (PL): senador e candidato à Presidência.

Sabatina com Lula e Flávio

A TV Globo entrevistou ao vivo na semana passada os dois candidatos, com condução da jornalista Renata Lo Prete.

Lula foi entrevistado na quinta-feira (15), enquanto Flávio Bolsonaro participou na sexta-feira (16). Relembre o que cada um falou à Globo:

Após o término do debate desta sexta (23), os candidatos poderão participar de uma entrevista coletiva na sala de imprensa, no Rio, com duração de 10 minutos para cada um. A ordem também foi definida por sorteio na presença de representantes dos partidos:

1º- Luiz Inácio Lula da Silva (PT) 2º- Flávio Bolsonaro (PL)