A disputa por uma propriedade de luxo na Ilha Comprida, em Angra dos Reis (RJ), que seria do jogador de futebol Richarlison , veio a tona em debate entre os candidatos à Presidência Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) , promovido pela TV Globo, na noite desta sexta-feira (23).
Cobrado sobre a atuação da Secretaria do Patrimônio da União (SPU) no caso, o candidato do PL desqualificou as alegações do jogador, sustentando que a propriedade "nunca foi do Richarlison" e que a Justiça já definiu a questão em decisão transitada em julgado.
Lula abriu a discussão relembrando a denúncia feita pelo jogador, apontando que o atleta havia investido R$ 10 milhões no imóvel e protocolado um pedido de regularização na SPU há mais de um ano sem obter resposta.
O presidente questionou como um advogado amigo de Flávio teria obtido a autorização de transferência em apenas uma semana junto a um diretor da SPU indicado pelo próprio senador. Lula afirmou que sua equipe reavaliará o processo administrativo para devolver a posse caso fiquem comprovadas irregularidades na tramitação.
Flávio então negou veementemente ter indicado qualquer servidor para a SPU ou ter sociedade com o advogado Willer Tomaz na operação. O senador afirmou que o atleta teria sido enganado ao comprar o imóvel de um "invasor de terra" e declarou que o Judiciário já encerrou a disputa.
Flávio reiterou não ter qualquer envolvimento com o processo administrativo do imóvel, destacando que figurou no caso apenas como testemunha em desdobramentos judiciais.
Bastidores e o impasse na SPU e no STF
A controvérsia gira em torno de uma propriedade situada em Área de Proteção Ambiental na Ilha Comprida, equipada com uma mansão de 11 suítes, heliponto e praia privativa . Richarlison afirma ter comprovado o pagamento de R$ 4,66 milhões a antigos posseiros e investido na infraestrutura do local, mas seu requerimento de regularização na SPU permaneceu sem análise técnica a partir de 2021.
Em maio de 2022, a empresa WT Administração de Imóveis (vinculada a Willer Tomaz) protocolou um novo requerimento, obtendo a Certidão de Autorização para Transferência (CAT) em apenas 1 hora e 40 minutos, em uma transação declarada por R$ 600 mil —valor significativamente inferior à avaliação municipal de R$ 2,6 milhões.
O caso tomou dimensão no Supremo Tribunal Federal (STF) após parlamentares protocolarem uma petição direcionada ao ministro Alexandre de Moraes, solicitando a suspensão da transferência do imóvel, o embargo de obras no local e a abertura de investigações para apurar suspeitas de tráfico de influência e falsidade ideológica.

