Vorcaro tenta rebater PF e diz que está preso injustamente

Banqueiro negou a existência de fraudes em operação do Master com BRB. Crédito: Aguirre Bonfim

Depois das eleições e de duas tentativas fracassadas de delação premiada, a expectativa é que Daniel Vorcaro , do Banco Master , refaça sua estratégia e se disponha a contar, não o que lhe interessa, como tentou fazer, mas o que interessa à Polícia Federal e à verdade: fatos, nomes, locais, valores e o máximo de provas possíveis.

Uma coisa era Vorcaro abrir a boca sem saber quem seria presidente, outra é falar agora, depois da derrota do “irmão” Flávio Bolsonaro e da vitória de Lula para um quarto mandato. Ele pode, por exemplo, se sentir livre para contar toda a história do “Dark Horse”. A começar de uma pergunta básica: a grana era mesmo para o filme?

Nesta semana que, de fato, começa na terça-feira, está no radar policial, jurídico e político um possível depoimento do pastor Fabiano Zettel, o faz-tudo (e o sabe-tudo) do cunhado Vorcaro. Todas as atenções estão voltadas para saber se será o início da nova estratégia do próprio Vorcaro.

Se o resultado da eleição abre caminho para Vorcaro entregar Flávio, pode não ser suficiente para que ele dê os detalhes mais sórdidos de suas relações financeiras, de amizade e de orgias com ministros do Supremo Tribunal Federal. Flávio perde poder, mas os ministros continuam lá, pelo menos por ora.

Vorcaro é um fator central na tensa e intrigante relação entre o Congresso e os ministros do STF, sobretudo os mais enrolados com Vorcaro, Alexandre de Moraes , Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli , que abriu a fila. Um é considerado “lulista”, o outro, bolsonarista, e o terceiro oscilou de um lado para o outro e não tem apoio de nenhum dos dois.

Há uma percepção clara em Brasília de que é muito difícil que todos os três escapem totalmente ilesos depois dos áudios, contas, fotos, mensagens e outras provas já reunidas pela PF. Mas eles vão lutar com todas as suas armas e, entre elas, estão suas conexões com o próprio Congresso.

Principal alvo do Senado, Moraes é não só aliado e amigo de Davi Alcolumbre, que está em campanha para se reeleger presidente da casa legislativa, como tem uma boa moeda de troca com o PL e seus aliados: o futuro de Jair, Flávio e Eduardo Bolsonaro passa pelo STF.

Logo, tudo é muito intrincado. Interessa à atual e à futura bancada do PL aplicar o impeachment em Moraes sem considerar os Bolsonaros? E interessa ao teimoso Moraes negociar com os arqui-inimigos bolsonaristas para salvar a própria pele?

Sem contar exemplos como o senador Ciro Nogueira, ex-chefe da Casa Civil de Jair Bolsonaro, que é enrolado com Vorcaro, e o também senador Weverton Rocha, ex-vice-líder do governo Lula e amigo pessoal de Flávio, que é suspeito de lavagem de dinheiro do escândalo do INSS.

É nesse ambiente, de “ou salvem-se todos, ou não se salva ninguém”, que 2027 vai batendo à porta, com muito silêncio em público, mas intensas conversas nos bastidores e todos os lados sabendo que Vorcaro tem nas mãos tanto os amigos do Supremo quanto da política. É uma bomba que pode explodir qualquer tipo de acordo, até porque a realidade e a opinião pública não podem ser simplesmente ignoradas.