Belo Horizonte — A onda de boicotes contra empresas e pessoas acusadas de apoiar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) provoca divergências entre políticos de direita em Minas Gerais. Enquanto o deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) defendeu a liberdade de consumidores deixarem de frequentar estabelecimentos por divergências políticas, o governador eleito Cleitinho Azevedo (Republicanos) e o irmão dele, Gleidson Azevedo (Republicanos), criticaram as retaliações.
Nesta quinta-feira (29/10), Nikolas compartilhou nas redes sociais o vídeo de uma empresária que relatou a perda de clientes após a eleição. Segundo a mulher, o estabelecimento emprega cerca de 30 funcionários, cujas famílias dependem dos salários pagos pela empresa.
Ao compartilhar a gravação, o deputado escreveu: “Tá chateada porque direita não vai mais no seu comércio? Democracia? Concordo, as pessoas são livres pra não irem mais” .
A manifestação ocorre após Nikolas também ironizar a perda de doações do projeto social Cozinheiros do Bem, que distribui refeições a pessoas em situação de rua e vulnerabilidade social em Porto Alegre (RS). O responsável pela iniciativa relatou que doadores e empresários deixaram de contribuir após a vitória de Lula.
“Afinal, por que receber o dinheiro de quem é miliciano, extremista, fascista e genocida? Coerência, né? Simples”, afirmou.
Cleitinho e irmão criticam boicotes
Na contramão das manifestações de Nikolas, Cleitinho pediu o fim das disputas políticas e afirmou que os boicotes deveriam ser direcionados aos privilégios concedidos a parlamentares, e não aos cidadãos.
“Quem tem que ser boicotado, gente, é a classe política. Agora, cobre do seu político que foi eleito” , afirmou o governador eleito em vídeo publicado na quarta-feira (28/10).
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Cleitinho também criticou gastos com apartamentos funcionais e o chamado auxílio-paletó, pago a parlamentares no início e no fim do mandato. “Então, gente, vamos parar de brigar. Se unam”, declarou.
O irmão dele, Gleidson Azevedo, deputado federal eleito, também se manifestou contra os boicotes. Em vídeo direcionado a apoiadores da direita, ele pediu que divergências eleitorais não sejam usadas como justificativa para interromper doações a famílias necessitadas.
“Não pague o mal com o mal, não confunda fazer justiça com vingança”, afirmou.
Onda de boicotes em Minas
Após o segundo turno das eleições, no domingo (25/10), listas com nomes de empresas e profissionais acusados de apoiar Lula passaram a circular em cidades mineiras . Em Divinópolis, no Centro-Oeste do estado, uma das publicações reuniu 23 estabelecimentos e profissionais apontados como alvos de boicote.
As campanhas também passaram a incluir manifestações de empresários favoráveis à demissão de trabalhadores de esquerda e à recusa de contratação de profissionais por posicionamento político. Essas práticas podem configurar discriminação e gerar consequências judiciais.

