O Casarão de Dona Beja, em Araxá, foi reconhecido como patrimônio cultural de Minas Gerais nesta quinta-feira (22). A decisão foi aprovada pelo Conselho Estadual do Patrimônio Cultural (Conep), durante reunião realizada no Palácio da Liberdade, em Belo Horizonte.

O reconhecimento representa um marco para a valorização da história e da arquitetura do município. Ao mesmo tempo, levanta questionamentos sobre as próximas medidas para garantir a conservação do imóvel e definir sua destinação.

Conhecido como Casa de Dona Beja, o casarão abrigou a antiga Pensão Tormin e está entre os imóveis históricos ligados à formação da memória de Araxá. Construído entre as décadas de 1820 e 1830, o edifício está associado à trajetória de Anna Jacintha de São José, a Dona Beja, personagem histórica do século XIX que ficou conhecida por desafiar os padrões sociais de sua época.

A construção atravessou diferentes períodos da história local e permanece como uma referência arquitetônica e cultural do município. O reconhecimento estadual reforça a importância do imóvel para a preservação da memória de Araxá e de sua identidade histórica.

Casarão de Dona Beja, em Araxá, foi reconhecido como patrimônio cultural de Minas Gerais. A reportagem do Portal Imbiara aguarda posicionamento do Iepha-MG sobre os próximos passos para a preservação e a destinação do imóvel, que abrigou a antiga Pensão Tormin. Foto: Agência Minas

Reportagem aguarda posicionamento do Iepha-MG

Diante do reconhecimento, a reportagem do Portal Imbiara entrou em contato com o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG) para buscar informações sobre os próximos passos relacionados ao casarão.

O contato foi realizado há cerca de 14 horas, e a reportagem aguarda o retorno do órgão. O objetivo é esclarecer quais medidas estão previstas após a decisão do Conep e quais procedimentos poderão ser adotados para a conservação do imóvel.

Entre as questões que despertam o interesse da população estão a possibilidade de restauração da estrutura, a realização de intervenções para preservar suas características históricas e a definição de uma destinação para o espaço.

A expectativa é saber se o casarão poderá ser restaurado e aberto à visitação pública, além de receber atividades culturais e integrar iniciativas voltadas ao turismo histórico de Araxá. Essas possibilidades, no entanto, dependem de informações oficiais sobre o planejamento e as medidas que poderão ser adotadas.

Qual será o futuro do Casarão de Dona Beja?

O reconhecimento como patrimônio cultural representa uma etapa importante para a valorização do imóvel, mas também amplia o debate sobre a necessidade de preservá-lo para as próximas gerações.

A definição de um projeto de conservação e de uma destinação para o casarão é uma das questões. A reportagem do Portal Imbiara entrou em contato com o IEPHA em nota o Instituto se manifestou:

"Segundo esclarecimentos do Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha-MG), o tombamento não altera a propriedade do imóvel. A conservação e a preservação do casarão são de responsabilidade do proprietário, que deverá providenciar os projetos de estabilização, restauração, adequação a um novo uso e demais projetos complementares. O proprietário poderá buscar recursos do Fundo Estadual de Cultura (FEC), das leis de incentivo à cultura estaduais e federais e da Plataforma Semente, entre outras alternativas, para custear os projetos e as obras. O Iepha-MG também recomenda o apoio da Secretaria Municipal de Cultura de Araxá e de empresas instaladas no município. Sobre a possibilidade de visitação pública, o instituto informou que a abertura poderá ocorrer futuramente, após a realização das obras, caso seja do interesse do proprietário. O órgão acrescentou que não tem conhecimento de projetos atuais para transformar o casarão em um polo cultural e turístico. O planejamento turístico da região poderá considerar a conexão da Casa de Dona Beja com o Grande Hotel e outras estâncias hidrominerais"