Relacionar a teoria sociológica aos dilemas da sociedade brasileira é uma das orientações da professora Luiza Anselmo, do Colégio Nacional, para a preparação para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2026. Com atuação em Filosofia e Ciências Sociais, ela recomenda estudar o papel das instituições, os direitos de cidadania e as desigualdades a partir de situações concretas.

Segundo a professora, a preparação combina conhecimento dos conceitos, leitura atenta e análise crítica. A proposta é compreender como os autores ajudam a interpretar a realidade, em vez de limitar a revisão à memorização de nomes e definições.

“No Colégio Nacional, nós fazemos com que os estudantes aprendam a olhar para a nossa própria comunidade e para o mundo com alteridade e criticidade. Isso muda completamente a forma como as questões são respondidas no ENEM”, afirma Luiza.

Compreenda como as desigualdades se estruturam

Estratificação e mobilidade social estão entre os temas destacados para a revisão. O estudo deve considerar como a sociedade se organiza e quais barreiras interferem nas oportunidades dos diferentes grupos.

A orientação é observar como marcadores de classe, etnia e gênero se relacionam às desigualdades no Brasil. Essa análise ajuda a conectar os conceitos às situações apresentadas nos textos e nos dados das questões.

Relacione cidadania e garantia de direitos

Outro eixo é a construção histórica dos direitos civis, políticos e sociais. Luiza recomenda estudar a Constituição Federal de 1988 e sua relação com a garantia de direitos fundamentais, considerando também a atuação dos movimentos sociais.

O foco é compreender a relação entre direitos reconhecidos e sua efetivação, analisando o papel das instituições e dos poderes públicos. Esse estudo permite discutir cidadania e democracia como processos históricos e sociais, sem reduzir a preparação à memorização de dispositivos legais.

Observe a cultura e os meios de comunicação

Cultura, indústria cultural e diversidade também integram as orientações da professora. A revisão pode explorar a influência dos meios de comunicação de massa na formação da opinião pública e a maneira como diferentes grupos e modos de vida são representados.

Nesse eixo, é importante relacionar a valorização da diversidade cultural à crítica ao etnocentrismo. O exercício de análise exige considerar o contexto das práticas culturais e evitar julgá-las apenas a partir das referências do próprio grupo.

Analise as transformações do trabalho

Precarização, informalidade e automação são exemplos de temas para estudar as relações produtivas contemporâneas. A orientação é compreender como as mudanças no mundo do trabalho afetam a organização da sociedade e as condições de vida dos trabalhadores.

Para conectar teoria e realidade, Luiza indica relacionar conceitos de Karl Marx, Max Weber e Émile Durkheim, assim como de Zygmunt Bauman e Lélia Gonzalez, a notícias e reportagens. A proposta é usar essas referências para interpretar os problemas apresentados, considerando a contribuição de cada autor.

Pratique a leitura de dados e do comando da questão

Gráficos e tabelas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) podem ajudar a observar disparidades socioeconômicas. Na revisão, vale praticar a interpretação desses dados e relacioná-los aos conceitos estudados.

Durante a prova, a professora recomenda ler o enunciado antes do texto, identificar o que ele solicita e observar a fonte. Reconhecer se a questão pede uma definição, uma causa ou uma consequência ajuda a direcionar a leitura e a análise das alternativas.

O mesmo cuidado com a fundamentação vale para a redação. A orientação é evitar explicações baseadas apenas no senso comum e empregar o repertório sociocultural de forma pertinente ao argumento. Para Luiza, compreender a sociedade faz parte de uma formação que ultrapassa o resultado do exame.