A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL), eleita senadora pelo Distrito Federal, evitou mais uma vez entrar de cabeça na campanha de Flávio Bolsonaro . Após ser eleita senadora, optou por se dedicar no segundo turno a agendas com a governadora do DF, Celina Leão (PP), que tenta a reeleição e é amiga próxima de Michelle.
Um dos motivos alegados por seus aliados é a facilidade de fazer campanha “em casa”, já que a ex-primeira-dama se divide entre as atividades políticas e os cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que está em prisão domiciliar em Brasília.
Apesar disso, apareceu poucas vezes ao lado do enteado, com quem teve uma relação conturbada ao longo da corrida eleitoral. Em um dos momentos mais tensos da pré-campanha, em junho, Michelle gravou um vídeo para dizer que tinha sido humilhada por Flávio. Após aliados entrarem em campo para abaixar a temperatura, inclusive Celina, o atrito foi aparentemente resolvido.
Uma ala do PL ouvida pela Coluna do Estadão afirma que Michelle tem pedido votos para o enteado em discursos e que os atos com Celina também servem para alavancar o nome de Flávio no Distrito Federal . O Estado deu vitória ao candidato do PL no primeiro turno, mas foi uma das regiões onde a votação de Lula aumentou em relação a 2022.
Nas redes sociais, Michelle aparece usando adesivos de campanha pró-Flávio e em carros de som que estampam materiais do enteado, mas normalmente acompanhados da imagem de outro postulante, normalmente da governadora do DF.
Flávio e Michelle estiveram juntos em um evento do Partido Liberal na capital federal logo após o primeiro turno, quando sentaram lado a lado em uma mesa no encontro, mas praticamente não se olharam ou se falaram.
Nas redes sociais de Michelle, há menções a Flávio como o candidato a presidente da República, mas não constam vídeos de encontros da ex-primeira-dama com o candidato ao Palácio do Planalto ou postagens enaltecendo o enteado diretamente. Por outro lado, seu Instagram está tomado de menções elogiosas a Celina Leão, vídeos e agendas conjuntas com a amiga.
Esta semana, Michelle fez um bate e volta ao Tocantins ao lado da senadora e amiga Damares Alves (Republicanos), outra que ajudou a convencer a ex-primeira-dama a não sair do PL no auge da crise com Flávio. A viagem teve como objetivo apoiar a campanha da candidata ao governo do Tocantins, Professora Dorinha (União). Segundo a assessoria de Michelle, ainda que houvesse um plano de viajar para mais capitais no segundo turno, não havia previsão de novos deslocamentos da ex-primeira-dama até a disputa final entre Lula e Flávio.

