Um empresário conhecido como MK foi preso na manhã desta quinta-feira (29), em Vespasiano, na Região Metropolitana de Belo Horizonte, durante uma investigação contra um esquema de agiotagem, extorsão e tortura. Ele era o último foragido da Operação Gargântua , deflagrada pela Polícia Civil de Minas Gerais (PCMG) em agosto deste ano.

A prisão foi realizada por policiais civis do Departamento Estadual de Operações Especiais (Deoesp), em um condomínio localizado às margens da MG-10, no bairro Morro Alto.

O empresário deverá ser encaminhado a uma delegacia e, posteriormente, ao sistema prisional.

Grupo torturava devedores e amputava dedos

De acordo com a Polícia Civil, o grupo criminoso concedia empréstimos com juros abusivos, principalmente na região de São José da Lapa, na Grande BH. Quando os devedores não conseguiam pagar os valores exigidos, eram submetidos a ameaças, extorsões e sessões de tortura.

As investigações apontaram que os suspeitos utilizavam máscaras e roupas militares durante as agressões. Em alguns casos, as vítimas tiveram dedos amputados.

A Itatiaia teve acesso a vídeos gravados pelos próprios investigados durante as sessões de tortura. Em uma das imagens, um homem aparece tendo um dedo decepado com uma ferramenta de corte.

Segundo o delegado Rafael Machado, o grupo oferecia dinheiro com facilidade, sem consultar cadastros de crédito, e utilizava empresas de fachada para movimentar e lavar os valores obtidos ilegalmente.

“Eles emprestavam dinheiro com facilidade, sem consulta a nenhum cadastro de crédito. Eles também não eram uma instituição financeira, na verdade eles usavam empresas de fachada para lavar esse dinheiro”, explicou o delegado durante a operação realizada em agosto.

Quando os devedores não conseguiam quitar as dívidas, os suspeitos exigiam a renovação dos empréstimos com juros ainda mais elevados ou recorriam à violência.

Além disso, os investigados exigiam cópias de documentos de familiares dos devedores, preferencialmente das mães, no momento da contratação dos empréstimos.

Operação bloqueou R$ 22 milhões

A Operação Gargântua foi deflagrada em 20 de agosto de 2026, com ações em Belo Horizonte, Contagem, Vespasiano, Capitólio e São José da Lapa, município apontado como principal área de atuação do grupo.

Na ocasião, dez pessoas foram presas temporariamente, entre elas três mulheres. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão.

A Justiça determinou o bloqueio e sequestro de bens e valores avaliados em aproximadamente R$ 22 milhões, além de 23 veículos e cinco embarcações. Os policiais também apreenderam mais de R$ 170 mil, carros de luxo, armas, munições e coletes à prova de balas.

Segundo a Polícia Civil, pelo menos 30 vítimas foram identificadas durante a investigação, sendo que cinco delas teriam sido submetidas a tortura.

As apurações apontaram ainda que dois irmãos seriam os líderes da organização criminosa.

Os investigados são suspeitos de crimes como organização criminosa, associação para o tráfico, tráfico de drogas, lavagem de dinheiro, extorsão e tortura.

Com a prisão de MK nesta quinta-feira, a Polícia Civil localizou o último investigado que permanecia foragido desde a primeira fase da operação.